Luiz Fernando Roscoche -Prof. da Universidade Federal do Pará
Todos já devem ter ouvido falar da polêmica construção da Usina Belo Monte, a ser construída dentro dos limites do município de Altamira, na chamada volta grande do Rio Xingu. O governo tenta a qualquer custo dar andamento as obras contrariando os movimentos sociais da região e contrariando a opinião de um painel dos mais gabaritados especialistas do Brasil e do exterior.
Toda obra de grande impacto ambiental em nosso pais como portos, aeroportos, rodovias, linhas de transmissão, áreas de mineração e outros (inclusive hidrelétricas) precisam de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). EIA foi introduzida no Brasil como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, por meio da Lei Federal nº 6.938/81, regulamentada pelo Decreto nº 88.351/83.
Depois de feito a Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte, um grupo de especialistas redigiu um documento que examina a viabilidade da construção da usina intitulado “Painel de especialistas: analise critica do Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico de Belo Monte. Participam desse painel mais de 60 pesquisadores de universidade brasileiras e estrangeiras.
Só para construção dos diques de contenção da usina exigiria a movimentação de pedras e terras na ordem de 200 milhões de m³, número este semelhante as escavações do Canal do Panamá.
Segundo os especialistas a construção de Belo Monte “é uma das mais complicadas obras de engenharia da história da hidroeletricidade brasileira”, e que estaria associado ainda a inúmeros “problemas de concepção técnica, omissões e confusões”.
A construção do projeto afetará uma área de 1000 km² e uma migração forçada de mais de 20 mil pessoas que seriam teoricamente realojadas. Calcula-se ainda, que o empreendimento provocaria uma migração de mais de 100 mil pessoas para a região de Altamira que possui atualmente, segundo estimativas do ano de 2007, cerca de 92 mil habitantes.
Segundo Jorge Molina Carpio , a jusante da barragem haverá não só uma diminuição do fluxo do rio mais também um rebaixamento do lençol freático. Já em Altamira o lençol freático poderia se elevar na cidade com riscos do afloramento de água no meio da cidade.
Os pesquisadores Sônia Magalhães , Rosa Acevedo e Edna Castro apontam falhas no projeto da estimação do tamanho das famílias que segundo o projeto seria composta em média por 3,14 indivíduos, quando na verdade seriam entre 5 a 7 pessoas, fato este que no mínimo duplicaria a população afetada. Eles acrescentam ainda a contradição do projeto que com o desvio de mais de 80% da vazão do rio irão afetar a população indígena (que é protegida por direitos constitucionais) sequer foi considerada como “diretamente atingidos pelo empreendimento”. Segundo Nirvia Ravena , é violado o direito de segurança hídrica da população que sequer foi mencionado no projeto da Belo Monte. Para ela “não apresentar o problema, portanto, é uma forma de torná-lo invisível e assim confundir os operadores da justiça que não observam nenhum direito violado”.
Antônio Carlos Magalhães, alerta para o fato de que as principais obras ficarão ló limite das terras indígenas e assim sujeitas aos impactos físicos e sociais e culturais que a proximidade do canteiro de obras irá proporcionar além do fluxo de pessoas em busca de emprego. O mesmo autor, diz ainda que o empreendimento vai mudar a vazão do Xingu e de seus afluentes, havendo mudanças nos trechos navegáveis, além de “importante perda de fauna aquática e terrestre” e transformando certas áreas em um estado de “verão permanente”.
O entomólogo Inocêncio Gorayed , prevê que a área a jusante da barragem sofrerá um processo de ressecamento e que existe a possibilidade do surgimento de uma superpopulação de mosquitos, entre eles os vetores da malária. O pesquisador ainda pondera que a população migrante contribuirá como fonte retro-alimentadora de recursos para as superpopulações de mosquitos e descontrole de doenças. José Marcos da Silva e Rosa Carmina denunciam o fato de que não foi feito um diagnóstico da situação da saúde da população, não possuindo parâmetros para avaliação de situações futuras.
Vera Gomes, sobre o aspecto da saúde vai ainda mais longe a afirma a atenção dada a saúde no EIA é “absolutamente insuficiente”. Segundo ela saúde não se restringe a atenção primária mas também atendimento de urgência e emergência que de conta de especialidades como neurologia, cardiologia, etc. Áreas estas que segundo ela se apresentam nos dias atuais bastante deficitárias.
Philip Fearnside , uma das maiores autoridades sobre emissões de GEE em hidrelétricas afirma que as hidrelétricas emitem metano, um gás estufa com 25 vezes mais impacto sobre o aquecimento global por tonelada de gás carbônico. Segundo Fearnside, o EIA de Belo Monte omite estudos cientificamente consagrados neste sentido e não se manifesta sobre essa consequência.
Geraldo Mendes dos Santos , uma das maiores autoridades sobre ictiofauna Amazônia comente que “não há um só parágrafo sequer sobre a avaliação dos impactos que a hidrelétrica acarretará sobre ele [os mamíferos aquáticos], nem sobre o ambiente em que vivem. Segundo ele “esta omissão é grave e precisa ser reparada”.
Segundo Hernandez e Fearnside, o projeto deve servir para as fábricas eletrointensivas, sendo implantadas e expandidas na região e não para abastecer o mercado nacional, pois, as conexões e transmissões ainda sequer foram dimensionadas. Os autores concluem considerando que “o Brasil não precisa de Belo Monte- um projeto cheio de problemas – que deveria ser abandonado”.
1-(Engenheiro e Hidrólogo do Instituto de Hidráulica e Hidrologia e da Universidad Mayor de San Andrés,Bolívia)
2-Doutora em Antropologia e Sociologia pela Universidade Federal do Para e Université de Paris 13, França. Professora Visitante da Universidade Federal do Para.
3-Doutora em História e Civilização pela École dês Hautes Études en Sciences Sociales, França. Pós-Doutorado pelo Centre National de la Recherche Scientifique, França.
4- Doutora em Ciências Sociais pelo École des Hautes Études en Sciences Sociales, França. Pós-Doutorado pelo Centre National de la Recherche Scientifique, França.
5- Doutora em Ciência Política (Ciência Política e Sociologia) pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro/IUPERJ.
6- Doutor em Entomologia pelo INPA. Pós-doutorado em Sistemática Zoológica, na Florida State Collections of Arthropods, Gainesville, Florida, USA". Pesquisador titular de Zoologia- Entomologia, do Museu Paraense Emílio Goeldi
7- Especialista em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães – Ministério da Saúde do Brasil.
8- Doutora em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz.
9- Doutor em Ciências Biológicas - University of Michigan - Ann Arbor. Pesquisador titular III do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
10-Doutor em Biologia de Água doce e pesca interior Ictiólogo com estudos nas áreas de taxonomia, biologia e ecologia de peixes amazônicos. Pesquisador em programas de diagnóstico ambiental em várias sub-bacias amazônicas. Secretário-executivo do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA).
11-Mestre em Energia, Doutorando em Energia PPGE USP
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domingo, 12 de dezembro de 2010
sábado, 19 de junho de 2010
DESMAMANDO A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ
Quem já presenciou a “apartamento” ou o “desmame” de crianças? Tal fato é marcado por muito choro e sofrimento. A tentativa de enxugar o quadro de pessoal da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná passa por um processo muito semelhante.
Depois das denúncias de que existiriam funcionários fantasmas na ALEP, o presidente da casa Nelson Justus, disse que resolveria tal problema com o recadastramento dos servidores da casa. Segundo Justus, “todos os funcionários teriam de fazer um novo cadastro funcional a partir de 22 de março”. O cadastramento teria se encerrado no dia 16 de abril.
Para proceder o recadastramento, os funcionários precisavam apresentar declaração de que não acumulam cargos em outros órgãos públicos, cópia dos documentos pessoais (como CPF e título de eleitor), comprovante de residência e declaração do Imposto de Renda. Cabe lembrar que segundo a legislação vigente sobre a contratação de funcionários comissionados na ALEP, não é permitido que um funcionário trabalhe na Casa e ao mesmo tempo, atue como sócio-administrador ou diretor de qualquer empresa.
Segundo o levantamento feito pela RPC-TV e Gazeta do Povo, dos 1.941 funcionários em cargos comissionados que a Casa tinha, 1.759 se recadastraram e foram mantidos no cargo. Os outros 182 funcionários possivelmente estariam em condições irregulares ou simplesmente não quiseram se recadastrar preferindo perder seu emprego. O levantamento registrou ainda que a ALEP possui 496 servidores efetivos e desses, 454 estão alocados no setor de administração da Casa, sem especificar contudo, o que fazem. Além dos servidores efetivos, ainda estão lotados na Administração da Assembléia 250 comissionados.
O número de funcionários na administração da assembléia anteriormente era bem menor, pois muitos funcionários teriam migrado do gabinete de alguns deputados para o setor de administração da casa. Tal remanejamento seria uma manobra de alguns deputados que tentavam burlar a nova lei que limita para 23 o número máximo de funcionários comissionados para cada gabinete.
O Deputado Jocelito Canto (que recentemente teria dito que o caixa dois é uma coisa normal na política e que defende a permanência da mesa diretora da casa) cobrou explicações, no último dia 15, do presidente da casa sobre a dita “migração de funcionários” dos gabinetes para a administração geral.
Coincidentemente, a maioria dos servidores “migrantes” era ligada ao próprio Justus (40 funcionários) ou ao primeiro-secretário da Assembléia, Alexandre Curi (29 servidores).
Esse ultimo fato, deixa claro que presidente da Assembléia é suspeito de atividades irregulares e que portanto deveria se afastar, (juntamente com toda mesa diretora) para que, uma investigação séria e isenta pudesse prosseguir.
Segundo comenta (por correspondência) o promotor de Justiça, Fuad Faraj ao Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná Olympio de Sá Sotto Maior Neto, Nelson Justus “deve ser considerado pelo Ministério Público como possível autor de ilícitos e, como tal, ele é tão suspeito pelas ilicitudes praticadas na Casa do Povo quanto o Diretor-Geral afastado”.
Diante disso duas perguntas são necessárias:
1) Será que a nova tentativa de recadastrar os funcionários do setor da administração da assembléia corrigirá alguma irregularidade ou será mais um manobra para mudar nomes e formas e deixar tudo como está?
2) Até quando a população do Estado do Paraná deixará e letargia e reagirá diante desses disparates políticos e administrativos que envergonham e ridicularizam nosso Estado?
Parece que alguns deputados resistem em deixar os seus cargos assim como seus funcionários e protegidos de seus cargos junto a assembléia. Realmente uma separação muito traumática e dolorosa à aqueles que já estava tão afeiçoados a “querida mãe”: a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná.
Luiz Fernando Roscoche
Depois das denúncias de que existiriam funcionários fantasmas na ALEP, o presidente da casa Nelson Justus, disse que resolveria tal problema com o recadastramento dos servidores da casa. Segundo Justus, “todos os funcionários teriam de fazer um novo cadastro funcional a partir de 22 de março”. O cadastramento teria se encerrado no dia 16 de abril.
Para proceder o recadastramento, os funcionários precisavam apresentar declaração de que não acumulam cargos em outros órgãos públicos, cópia dos documentos pessoais (como CPF e título de eleitor), comprovante de residência e declaração do Imposto de Renda. Cabe lembrar que segundo a legislação vigente sobre a contratação de funcionários comissionados na ALEP, não é permitido que um funcionário trabalhe na Casa e ao mesmo tempo, atue como sócio-administrador ou diretor de qualquer empresa.
Segundo o levantamento feito pela RPC-TV e Gazeta do Povo, dos 1.941 funcionários em cargos comissionados que a Casa tinha, 1.759 se recadastraram e foram mantidos no cargo. Os outros 182 funcionários possivelmente estariam em condições irregulares ou simplesmente não quiseram se recadastrar preferindo perder seu emprego. O levantamento registrou ainda que a ALEP possui 496 servidores efetivos e desses, 454 estão alocados no setor de administração da Casa, sem especificar contudo, o que fazem. Além dos servidores efetivos, ainda estão lotados na Administração da Assembléia 250 comissionados.
O número de funcionários na administração da assembléia anteriormente era bem menor, pois muitos funcionários teriam migrado do gabinete de alguns deputados para o setor de administração da casa. Tal remanejamento seria uma manobra de alguns deputados que tentavam burlar a nova lei que limita para 23 o número máximo de funcionários comissionados para cada gabinete.
O Deputado Jocelito Canto (que recentemente teria dito que o caixa dois é uma coisa normal na política e que defende a permanência da mesa diretora da casa) cobrou explicações, no último dia 15, do presidente da casa sobre a dita “migração de funcionários” dos gabinetes para a administração geral.
Coincidentemente, a maioria dos servidores “migrantes” era ligada ao próprio Justus (40 funcionários) ou ao primeiro-secretário da Assembléia, Alexandre Curi (29 servidores).
Esse ultimo fato, deixa claro que presidente da Assembléia é suspeito de atividades irregulares e que portanto deveria se afastar, (juntamente com toda mesa diretora) para que, uma investigação séria e isenta pudesse prosseguir.
Segundo comenta (por correspondência) o promotor de Justiça, Fuad Faraj ao Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Paraná Olympio de Sá Sotto Maior Neto, Nelson Justus “deve ser considerado pelo Ministério Público como possível autor de ilícitos e, como tal, ele é tão suspeito pelas ilicitudes praticadas na Casa do Povo quanto o Diretor-Geral afastado”.
Diante disso duas perguntas são necessárias:
1) Será que a nova tentativa de recadastrar os funcionários do setor da administração da assembléia corrigirá alguma irregularidade ou será mais um manobra para mudar nomes e formas e deixar tudo como está?
2) Até quando a população do Estado do Paraná deixará e letargia e reagirá diante desses disparates políticos e administrativos que envergonham e ridicularizam nosso Estado?
Parece que alguns deputados resistem em deixar os seus cargos assim como seus funcionários e protegidos de seus cargos junto a assembléia. Realmente uma separação muito traumática e dolorosa à aqueles que já estava tão afeiçoados a “querida mãe”: a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná.
Luiz Fernando Roscoche
sexta-feira, 7 de maio de 2010
OS DIÁRIOS SECRETOS SEGUNDO OS DEPUTADOS
Diante das denuncias sobre o escândalo dos Diários Secretos da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, buscou-se contato com todos os deputados no último dia 3 de maio, para que estes respondessem a duas perguntas.
Dos 54 deputados paranaenses, apenas quatro responderam.
A primeira pergunta era a posição do deputado em relação a permanência ou afastamento da mesa diretora da assembléia.
Na segunda pergunta, questionava-se como os deputados achavam que o escândalo dos Diários Secretos afetariam as eleições de 2010.
E deputado Alexandre Curi, se posicionou contra o afastamento da mesa diretora da Assembléia pois, segundo ele, após as denúncias “a Mesa Diretora da Assembléia estabeleceu diversas medidas internas, amplamente divulgadas pelos meios de comunicação, com o propósito de solucionar questões envolvendo o quadro funcional da Casa, bem como colaborar expressamente com as requisições do Ministério Público, fornecendo documentações e outras providencias solicitadas”. Na opinião do deputado, “independentemente da confiança ou do ceticismo do cidadão paranaense com relação às medidas adotadas” a mesa diretora estaria cumprindo com o proposto aos casos denunciados.
Com relação a segunda pergunta, o Deputado Alexandre Curi deu uma resposta evasiva ao questionamento. Segundo ele, “[...] caberá ao eleitor julgar através do voto a confiança em determinado candidato que em sua análise melhor represente os seus anseios. E esses anseios são muito relativos. Podem variar desde aquilo propalado pelos cientistas sociais até aos interesses “clientelistas” que alguns cidadãos e candidatos aceitam numa relação ainda vigente em nosso país, mesmo a contra gosto da sociedade e das leis. Porém absolutamente realista, e nada mais que isso”, concluiu o deputado.
Já o deputado Marcelo Rangel se posicionou “a favor do afastamento de todos os envolvidos no caso”. Quanto a influência do escândalo dos Diários Secretos, nas próximas eleições, este acredita “ser muito positiva, deixando o eleitor muito mais atento e com ciência de seus direitos de cobranças”.
O Deputado Tadeu Veneri, de modo bastante sucinto, se posicionou a favor do afastamento da mesa diretora. Com relação ao segundo questionamento, acredita que “seriam todos impactados pelo que está ocorrendo”.
O Deputado Luiz Eduardo Cheida, por sua vez, diz ser a favor de que “o Ministério Público investigue (e dê publicidade) TODOS os 54 deputados e não só os deputados da Mesa Diretora”. Com relação ao impacto dos escândalos nas eleições de 2010, considera que aqueles que corrompem, continuarão comprando votos “e, com isso, suas chances de voltar [reeleger] serão maiores do que os que trabalham honestamente, não corrompem e, por isso, têm um eleitorado mais critico”. Segundo ele, os deputados que trabalham honestamente “perdem cada vez mais”. Segundo Cheida, “quanto mais suja parece a política, mais os políticos sujos ampliam suas chances”.
O Deputado diz estar indignado com tal situação e que teria procurado a Ordem dos Advogados do Brasil e Conselho Regional dos Contabilistas, para que estes participem como observadores externos, de todo o processo de sindicância e recadastramento que a Assembléia vai realizar. Defende que tal situação não deve ficar como uma mera atividade interna e que é necessário que toda a sociedade acompanhe os processos em tempo real. O deputado finaliza sua correspondência com a seguinte mensagem: “Nosso país só será uma grande Nação quando os homens de bem tiverem a mesma ousadia dos canalhas. Por isso, não se abata! Lute junto com todos os que querem uma Assembléia honesta e livre daqueles que usam a política para fazer negócios.”
por Luiz Fernando Roscoche
Dos 54 deputados paranaenses, apenas quatro responderam.
A primeira pergunta era a posição do deputado em relação a permanência ou afastamento da mesa diretora da assembléia.
Na segunda pergunta, questionava-se como os deputados achavam que o escândalo dos Diários Secretos afetariam as eleições de 2010.
E deputado Alexandre Curi, se posicionou contra o afastamento da mesa diretora da Assembléia pois, segundo ele, após as denúncias “a Mesa Diretora da Assembléia estabeleceu diversas medidas internas, amplamente divulgadas pelos meios de comunicação, com o propósito de solucionar questões envolvendo o quadro funcional da Casa, bem como colaborar expressamente com as requisições do Ministério Público, fornecendo documentações e outras providencias solicitadas”. Na opinião do deputado, “independentemente da confiança ou do ceticismo do cidadão paranaense com relação às medidas adotadas” a mesa diretora estaria cumprindo com o proposto aos casos denunciados.
Com relação a segunda pergunta, o Deputado Alexandre Curi deu uma resposta evasiva ao questionamento. Segundo ele, “[...] caberá ao eleitor julgar através do voto a confiança em determinado candidato que em sua análise melhor represente os seus anseios. E esses anseios são muito relativos. Podem variar desde aquilo propalado pelos cientistas sociais até aos interesses “clientelistas” que alguns cidadãos e candidatos aceitam numa relação ainda vigente em nosso país, mesmo a contra gosto da sociedade e das leis. Porém absolutamente realista, e nada mais que isso”, concluiu o deputado.
Já o deputado Marcelo Rangel se posicionou “a favor do afastamento de todos os envolvidos no caso”. Quanto a influência do escândalo dos Diários Secretos, nas próximas eleições, este acredita “ser muito positiva, deixando o eleitor muito mais atento e com ciência de seus direitos de cobranças”.
O Deputado Tadeu Veneri, de modo bastante sucinto, se posicionou a favor do afastamento da mesa diretora. Com relação ao segundo questionamento, acredita que “seriam todos impactados pelo que está ocorrendo”.
O Deputado Luiz Eduardo Cheida, por sua vez, diz ser a favor de que “o Ministério Público investigue (e dê publicidade) TODOS os 54 deputados e não só os deputados da Mesa Diretora”. Com relação ao impacto dos escândalos nas eleições de 2010, considera que aqueles que corrompem, continuarão comprando votos “e, com isso, suas chances de voltar [reeleger] serão maiores do que os que trabalham honestamente, não corrompem e, por isso, têm um eleitorado mais critico”. Segundo ele, os deputados que trabalham honestamente “perdem cada vez mais”. Segundo Cheida, “quanto mais suja parece a política, mais os políticos sujos ampliam suas chances”.
O Deputado diz estar indignado com tal situação e que teria procurado a Ordem dos Advogados do Brasil e Conselho Regional dos Contabilistas, para que estes participem como observadores externos, de todo o processo de sindicância e recadastramento que a Assembléia vai realizar. Defende que tal situação não deve ficar como uma mera atividade interna e que é necessário que toda a sociedade acompanhe os processos em tempo real. O deputado finaliza sua correspondência com a seguinte mensagem: “Nosso país só será uma grande Nação quando os homens de bem tiverem a mesma ousadia dos canalhas. Por isso, não se abata! Lute junto com todos os que querem uma Assembléia honesta e livre daqueles que usam a política para fazer negócios.”
por Luiz Fernando Roscoche
A CASA DO POVO OU A CASA DA MÃE JOANA?
Vergonha é a palavra que melhor define o sentimento de grande parte da população do Paraná em relação a Assembléia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP).
No dia 16 de março de 2010 vem a público o resultado de quase dois anos de investigação dos jornalistas Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatchek, que analisaram mais de 700 diários oficiais editados entre 1998 e 31 de março de 2009.
Essa investigação apurou que entre janeiro de 2006 e março de 2009, a existência de 2.178 atos secretos do Legislativo, que segundo os jornalistas, serviriam para ocultar nomeações, demissões e pagamentos irregulares. Sem numeração os diários impossibilitam a fiscalização por parte da sociedade. Calcula-se que nesse período, tenha ocorrido cerca de 1,8 mil contratações dessa forma. Entre essas contratações estariam moradores do litoral de Santa Catarina, ex-deputados, agricultores e outros que, ou são funcionários fantasmas ou são usados como “laranjas” para o desvio de dinheiro da Assembléia.
Segundo o chefe do arquivo da Assembléia, Walter Kraft, desde 2008, a desculpa comumente dada a imprensa (para que não tenham acesso aos diários) é de que estes estariam sendo encadernados. Funcionários da assembléia teriam dito, “que é intencional o fato do setor ainda não ser informatizado”. Existiria um espaço dentro da Assembléia, onde muitos documentos ficam guardados, mas o acesso seria restrito somente a pessoal autorizado pelo então do diretor-geral da ALEP, Abib Miguel. .
É interessante observar que a imprensa conseguiu descobrir o que o Tribunal de Contas deixou passar. O Tribunal de Contas do Estado, responsável por fiscalizar a aplicação do dinheiro público nos municípios e órgãos estaduais no Estado do Paraná aprovou por unanimidade e sem restrições as últimas três prestações de contas da ALEP, dos anos de 2006, 2007 e 2008.
Somente depois de quase dois meses do escândalo é que o Ministério Público do Paraná denunciou os três ex-diretores da Assembléia Legislativa do Paraná e o funcionário João Leal de Mattos, por desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Após as denuncias, “os ratos” começaram a abandonar o barco que estava afundando, primeiro foi Abib Miguel que pediu afastamento no dia 18 de março, seguido por seu braço direito José Ary Nassiff no dia 22 de março.
Muitos acham pouco provável que todas essas irregularidades tenham ocorrido sem o conhecimento de Nelson Justus, porém, este se nega a deixar a presidência da casa.
Somente os deputados Douglas Fabrício, Felipe Lucas, Marcelo Rangel, Tadeu Veneri e Ney Leprevost, tornaram público seu pedido de afastamento do presidente da casa.
Em contraposição, entre os favoráveis pela permanência de Nelson Justus, está o deputado Jocelito Canto. Além de defender o presidente da Assembléia, o deputado virou noticia nacional, quando em pronunciamento no plenário da Assembléia no dia 14 de março, teria dito que o caixa 2 é normal na vida pública e que “está presente em todas as eleições”.
Em meio a tantas denuncias, estudantes iniciaram uma onda de protestos. Um deles ocorreu no dia 21 de abril, quando estudantes adentraram a Assembléia e teriam sido revistados e agredidos por seguranças. O primeiro-vice-presidente da Casa, Antônio Anibelli (PMDB) teria ameaçado “dar um soco na cara” do tesoureiro da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), José Le Fenechl Neto, caso ele colasse um adesivo do Movimento Caça-Fantasma na lapela de seu terno. Anibelli teria proferido ainda a seguinte frase “Escuta aqui, rapaz, aqui quem manda sou eu, não é você”.
O deputado Anibelli parece não gostar muito de alguns direitos constitucionais como liberdade de expressão e liberdade de imprensa pois na ultima quarta-feira proibiu a entrada da imprensa no local para registrar a sessão. Segundo o “nobre” deputado, algumas pessoas estariam circulando no ambiente com roupas inadequadas e atrapalhando as discussões.
Segundo o site Bem Paraná, a decisão de Anibelli ocorreu após instauração de inquérito pelo Ministério Público do Paraná para investigar todos os membros da Mesa Executiva da Casa, entre eles, o próprio Anibelli.
Talvez alguns deputados tenham esquecido que num regime democrático, o povo dá e o povo tira o poder, seja através do voto ou do impeachment.
Tentativas de silenciar protestos pacíficos e a própria imprensa nos fazem lembrar dos obscuros tempos das ditaduras.
Felizmente, esse é um ano de eleições onde mais uma vez o povo terá a oportunidade de renovar a política de nosso país e de nosso Estado.
Fonte de dados e informações: Gazeta do Povo
Luiz Fernando Roscoche
No dia 16 de março de 2010 vem a público o resultado de quase dois anos de investigação dos jornalistas Karlos Kohlbach, Katia Brembatti, James Alberti e Gabriel Tabatchek, que analisaram mais de 700 diários oficiais editados entre 1998 e 31 de março de 2009.
Essa investigação apurou que entre janeiro de 2006 e março de 2009, a existência de 2.178 atos secretos do Legislativo, que segundo os jornalistas, serviriam para ocultar nomeações, demissões e pagamentos irregulares. Sem numeração os diários impossibilitam a fiscalização por parte da sociedade. Calcula-se que nesse período, tenha ocorrido cerca de 1,8 mil contratações dessa forma. Entre essas contratações estariam moradores do litoral de Santa Catarina, ex-deputados, agricultores e outros que, ou são funcionários fantasmas ou são usados como “laranjas” para o desvio de dinheiro da Assembléia.
Segundo o chefe do arquivo da Assembléia, Walter Kraft, desde 2008, a desculpa comumente dada a imprensa (para que não tenham acesso aos diários) é de que estes estariam sendo encadernados. Funcionários da assembléia teriam dito, “que é intencional o fato do setor ainda não ser informatizado”. Existiria um espaço dentro da Assembléia, onde muitos documentos ficam guardados, mas o acesso seria restrito somente a pessoal autorizado pelo então do diretor-geral da ALEP, Abib Miguel. .
É interessante observar que a imprensa conseguiu descobrir o que o Tribunal de Contas deixou passar. O Tribunal de Contas do Estado, responsável por fiscalizar a aplicação do dinheiro público nos municípios e órgãos estaduais no Estado do Paraná aprovou por unanimidade e sem restrições as últimas três prestações de contas da ALEP, dos anos de 2006, 2007 e 2008.
Somente depois de quase dois meses do escândalo é que o Ministério Público do Paraná denunciou os três ex-diretores da Assembléia Legislativa do Paraná e o funcionário João Leal de Mattos, por desvio de dinheiro público, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Após as denuncias, “os ratos” começaram a abandonar o barco que estava afundando, primeiro foi Abib Miguel que pediu afastamento no dia 18 de março, seguido por seu braço direito José Ary Nassiff no dia 22 de março.
Muitos acham pouco provável que todas essas irregularidades tenham ocorrido sem o conhecimento de Nelson Justus, porém, este se nega a deixar a presidência da casa.
Somente os deputados Douglas Fabrício, Felipe Lucas, Marcelo Rangel, Tadeu Veneri e Ney Leprevost, tornaram público seu pedido de afastamento do presidente da casa.
Em contraposição, entre os favoráveis pela permanência de Nelson Justus, está o deputado Jocelito Canto. Além de defender o presidente da Assembléia, o deputado virou noticia nacional, quando em pronunciamento no plenário da Assembléia no dia 14 de março, teria dito que o caixa 2 é normal na vida pública e que “está presente em todas as eleições”.
Em meio a tantas denuncias, estudantes iniciaram uma onda de protestos. Um deles ocorreu no dia 21 de abril, quando estudantes adentraram a Assembléia e teriam sido revistados e agredidos por seguranças. O primeiro-vice-presidente da Casa, Antônio Anibelli (PMDB) teria ameaçado “dar um soco na cara” do tesoureiro da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), José Le Fenechl Neto, caso ele colasse um adesivo do Movimento Caça-Fantasma na lapela de seu terno. Anibelli teria proferido ainda a seguinte frase “Escuta aqui, rapaz, aqui quem manda sou eu, não é você”.
O deputado Anibelli parece não gostar muito de alguns direitos constitucionais como liberdade de expressão e liberdade de imprensa pois na ultima quarta-feira proibiu a entrada da imprensa no local para registrar a sessão. Segundo o “nobre” deputado, algumas pessoas estariam circulando no ambiente com roupas inadequadas e atrapalhando as discussões.
Segundo o site Bem Paraná, a decisão de Anibelli ocorreu após instauração de inquérito pelo Ministério Público do Paraná para investigar todos os membros da Mesa Executiva da Casa, entre eles, o próprio Anibelli.
Talvez alguns deputados tenham esquecido que num regime democrático, o povo dá e o povo tira o poder, seja através do voto ou do impeachment.
Tentativas de silenciar protestos pacíficos e a própria imprensa nos fazem lembrar dos obscuros tempos das ditaduras.
Felizmente, esse é um ano de eleições onde mais uma vez o povo terá a oportunidade de renovar a política de nosso país e de nosso Estado.
Fonte de dados e informações: Gazeta do Povo
Luiz Fernando Roscoche
quinta-feira, 8 de abril de 2010
DINHEIRO X ESPIRITUALIDADE
Se um dia pedirem para que você escolha entre o dinheiro e espiritualidade questione ao seu inquiridor se ele escolhe entre discurso ou prática. Algumas religiões orientais acreditam ser possível tentar equilibrar essas duas faces indissociáveis da vida.
É muito relevante a discussão sobre as problemáticas inerentes ao sistema capitalista e a forma perversa como este vem operando em nossa sociedade, gerando pobreza, desigualdade e todo tipo de infortúnio.
Porém, é engraçado escutar algumas criticas da igreja contra o sistema capitalista, pois, por muito tempo, Estado, capital e igreja tiveram (e em alguns casos ainda tem) uma relação muito estreita e intima.
Durante um longo tempo, pregou-se que o dinheiro, o lucro, a riqueza eram coisas mundanas e até pecado. Dizia-se que seria “mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar para o reino dos céus”. Muitas pessoas se culpavam por terem dinheiro e riquezas e para aliviar sua culpa, faziam vultosas doações para as igrejas. Essa lógica que enaltecimento da pobreza seria uma forma acomodar as classes mais pobres para que não almejassem melhorar de vida e evitar que estas de rebelassem contra o poder vigente.
Alguns religiosos dizem que a economia não é uma “coisa do Diabo”, mas criticam a forma como a economia é gerida. Segundo eles, a crítica não se dirige a nenhuma instituição ou pessoa especifica, mas sim, a mentalidade de concentração de renda que permeia a sociedade. E é aí que se iniciam algumas contradições do discurso e da prática de algumas religiões.
Como criticar a concentração de renda quando algumas igrejas possuem verdadeiras fortunas? Somente uma igreja em nosso país movimentou de março de 2001 a março de 2008 R$ 8 bilhões, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda.
Como criticar o sistema capitalista e defender um modelo de economia mais solidário quando algumas igrejas são proprietárias de bancos, empresas, emissoras de rádio, tv, etc?
Desde muito tempo, vender pedacinhos do céu, comprar a redenção dos pecados por módicas quantias é um negócio altamente rentável. Uma das razões dessa grande rentabilidade é que certas igrejas operam como verdadeiras empresas e possuem uma série de benefícios fiscais, permitindo que elas “não dêem a César o que é de César”. Segundo a jornalista Fabiana Futema (Jornal Folha. 11/07/2005), as igrejas não pagam Imposto de Renda e em alguns casos, são isentos do IPVA e do IPTU.
Muitas correntes religiosas pregam o desapego material para seus fiéis mas constroem verdadeiros impérios, cercados de luxo e de ostentação. O voto de pobreza e de solidariedade aos pobres chega a soar como hipocrisia para algumas religiões.
Existem casos, onde escolas e hospitais administrados por entidades religiosas foram construídos e melhorados mediante doações de fiéis e mais tarde se tornaram empresas particulares, que só atendem aqueles quem tem DINHEIRO.
Ou muito me engano mas, Jesus Cristo não fazia distinção entre as pessoas. Ele ajudou ricos e pobres, aconselhou enfermos, bandidos e prostitutas e jamais cobrou por isso.
Muitas igrejas não lhe darão mais do que palavras, mas lhe pedirão tudo o que você tem. Será que lhe darão comida quando estiver com fome; água quando estiver com sede ou roupas quando estiver nu? Mas se isso acontecer, esse será um momento sagrado de caridade onde o verbo se torna ação e o verdadeiro exemplo de Cristo é posto em prática.
Luiz Fernando Roscoche
É muito relevante a discussão sobre as problemáticas inerentes ao sistema capitalista e a forma perversa como este vem operando em nossa sociedade, gerando pobreza, desigualdade e todo tipo de infortúnio.
Porém, é engraçado escutar algumas criticas da igreja contra o sistema capitalista, pois, por muito tempo, Estado, capital e igreja tiveram (e em alguns casos ainda tem) uma relação muito estreita e intima.
Durante um longo tempo, pregou-se que o dinheiro, o lucro, a riqueza eram coisas mundanas e até pecado. Dizia-se que seria “mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar para o reino dos céus”. Muitas pessoas se culpavam por terem dinheiro e riquezas e para aliviar sua culpa, faziam vultosas doações para as igrejas. Essa lógica que enaltecimento da pobreza seria uma forma acomodar as classes mais pobres para que não almejassem melhorar de vida e evitar que estas de rebelassem contra o poder vigente.
Alguns religiosos dizem que a economia não é uma “coisa do Diabo”, mas criticam a forma como a economia é gerida. Segundo eles, a crítica não se dirige a nenhuma instituição ou pessoa especifica, mas sim, a mentalidade de concentração de renda que permeia a sociedade. E é aí que se iniciam algumas contradições do discurso e da prática de algumas religiões.
Como criticar a concentração de renda quando algumas igrejas possuem verdadeiras fortunas? Somente uma igreja em nosso país movimentou de março de 2001 a março de 2008 R$ 8 bilhões, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda.
Como criticar o sistema capitalista e defender um modelo de economia mais solidário quando algumas igrejas são proprietárias de bancos, empresas, emissoras de rádio, tv, etc?
Desde muito tempo, vender pedacinhos do céu, comprar a redenção dos pecados por módicas quantias é um negócio altamente rentável. Uma das razões dessa grande rentabilidade é que certas igrejas operam como verdadeiras empresas e possuem uma série de benefícios fiscais, permitindo que elas “não dêem a César o que é de César”. Segundo a jornalista Fabiana Futema (Jornal Folha. 11/07/2005), as igrejas não pagam Imposto de Renda e em alguns casos, são isentos do IPVA e do IPTU.
Muitas correntes religiosas pregam o desapego material para seus fiéis mas constroem verdadeiros impérios, cercados de luxo e de ostentação. O voto de pobreza e de solidariedade aos pobres chega a soar como hipocrisia para algumas religiões.
Existem casos, onde escolas e hospitais administrados por entidades religiosas foram construídos e melhorados mediante doações de fiéis e mais tarde se tornaram empresas particulares, que só atendem aqueles quem tem DINHEIRO.
Ou muito me engano mas, Jesus Cristo não fazia distinção entre as pessoas. Ele ajudou ricos e pobres, aconselhou enfermos, bandidos e prostitutas e jamais cobrou por isso.
Muitas igrejas não lhe darão mais do que palavras, mas lhe pedirão tudo o que você tem. Será que lhe darão comida quando estiver com fome; água quando estiver com sede ou roupas quando estiver nu? Mas se isso acontecer, esse será um momento sagrado de caridade onde o verbo se torna ação e o verdadeiro exemplo de Cristo é posto em prática.
Luiz Fernando Roscoche
quarta-feira, 17 de março de 2010
A DISSOLUÇÃO DO PODER DAS CIDADES
As cidades são hoje o centro das atenções na sociedade moderna, seja pela sua importância econômica, política, cultural e ambiental.
Nosso país se torna cada dia mais urbano, possuindo uma média de mais de 80% da população vivendo nas cidades, fato este que possui tanto repercussões positivas quanto negativas na sociedade, na política, na economia, no meio ambiente e na cultura de um local.
Segundo o professor Doutor Adir Ubaldo Rech, o poder político nasceu nas cidades, sendo portanto, o embrião do Estado Moderno. Porém, o Estado passou gradativamente a se apropriar do poder e os recursos das cidades, enfraquecendo assim o poder local. É na escala local onde as necessidades do povo são efetivamente sentidas. Os órgãos do governo federal e estadual muitas vezes se mostram lentos e ineficientes no atendimento das necessidades dos munícipes.
Outro problema é a falta de autonomia legal dos estados e municípios que devem se submeter ao controle da União. Porém torna difícil em um país “continental” como o Brasil, onde os centros de poder ficam longe (seja em termos físicos ou políticos) da população, e por isso, não contemplam suas realidades. Assim, muitas vezes elaboram-se projetos, leis e outros que não possuem efetividade, legitimidade e eficiência nas escalas regionais, estaduais e locais.
O Estado por sua vez parece abrir mão de suas responsabilidades, mas não de seus recursos financeiros, prova disso é a regionalização e municipalização de muitos serviços antes prestados pelo Estado. O grande problema que se aponta é que o processo de descentralização das ações do Estado não são acompanhados de uma autonomia plena e muito menos com o repasse de recursos e o auxilio técnico necessário as escalas inferiores de governo.
Existe hoje uma profusão de normas e leis municipais que não é acompanhada proporcionalmente pela sua efetiva aplicação. Como diria o professor Doutor Adir Ubaldo Rech “cumprir as imposições legais é muito simples, mas assegurar qualidade de vida e evitar o caos é uma tarefa complexa”. Assim, não basta que as leis locais sejam cumpridas, é preciso existir um projeto de cidade mais amplo que não se restrinja a duração de mandatos políticos e que sobretudo seja reflexo dos desejos e necessidades de toda a sociedade e não somente de técnicos e dirigentes políticos.
Não é mais possível nos portarmos de maneira paternalista, esperando que o poder público revolva os problemas particulares de cada um ou de determinadas classes ou grupos sociais, devemos sim, participar de um projeto comum de cidade de maneira a gerar benefícios à toda a sociedade. Para isso, torna-se necessário que sejamos sujeitos conscientes do nosso passado e ativos na construção do presente e do futuro de nossas cidades.
A construção holística de uma cidade implica e existência e o comprometimento de todos os envolvidos de um projeto de cidade bem definido, que não fique a mercê dos interesses do mercado, crescendo de forma aleatória e caótica, flagelando a sociedade e seu meio ambiente.
A cidade segundo Aristóteles, deveria representar o auge da evolução da sociedade e da natureza humana de maneira a promover a segurança e o bem estar, porém em muitos grandes centros urbanos, a cidade representa o fim da própria dignidade humana, um local de violência, miséria e abandono.
Luiz Fernando Roscoche
Nosso país se torna cada dia mais urbano, possuindo uma média de mais de 80% da população vivendo nas cidades, fato este que possui tanto repercussões positivas quanto negativas na sociedade, na política, na economia, no meio ambiente e na cultura de um local.
Segundo o professor Doutor Adir Ubaldo Rech, o poder político nasceu nas cidades, sendo portanto, o embrião do Estado Moderno. Porém, o Estado passou gradativamente a se apropriar do poder e os recursos das cidades, enfraquecendo assim o poder local. É na escala local onde as necessidades do povo são efetivamente sentidas. Os órgãos do governo federal e estadual muitas vezes se mostram lentos e ineficientes no atendimento das necessidades dos munícipes.
Outro problema é a falta de autonomia legal dos estados e municípios que devem se submeter ao controle da União. Porém torna difícil em um país “continental” como o Brasil, onde os centros de poder ficam longe (seja em termos físicos ou políticos) da população, e por isso, não contemplam suas realidades. Assim, muitas vezes elaboram-se projetos, leis e outros que não possuem efetividade, legitimidade e eficiência nas escalas regionais, estaduais e locais.
O Estado por sua vez parece abrir mão de suas responsabilidades, mas não de seus recursos financeiros, prova disso é a regionalização e municipalização de muitos serviços antes prestados pelo Estado. O grande problema que se aponta é que o processo de descentralização das ações do Estado não são acompanhados de uma autonomia plena e muito menos com o repasse de recursos e o auxilio técnico necessário as escalas inferiores de governo.
Existe hoje uma profusão de normas e leis municipais que não é acompanhada proporcionalmente pela sua efetiva aplicação. Como diria o professor Doutor Adir Ubaldo Rech “cumprir as imposições legais é muito simples, mas assegurar qualidade de vida e evitar o caos é uma tarefa complexa”. Assim, não basta que as leis locais sejam cumpridas, é preciso existir um projeto de cidade mais amplo que não se restrinja a duração de mandatos políticos e que sobretudo seja reflexo dos desejos e necessidades de toda a sociedade e não somente de técnicos e dirigentes políticos.
Não é mais possível nos portarmos de maneira paternalista, esperando que o poder público revolva os problemas particulares de cada um ou de determinadas classes ou grupos sociais, devemos sim, participar de um projeto comum de cidade de maneira a gerar benefícios à toda a sociedade. Para isso, torna-se necessário que sejamos sujeitos conscientes do nosso passado e ativos na construção do presente e do futuro de nossas cidades.
A construção holística de uma cidade implica e existência e o comprometimento de todos os envolvidos de um projeto de cidade bem definido, que não fique a mercê dos interesses do mercado, crescendo de forma aleatória e caótica, flagelando a sociedade e seu meio ambiente.
A cidade segundo Aristóteles, deveria representar o auge da evolução da sociedade e da natureza humana de maneira a promover a segurança e o bem estar, porém em muitos grandes centros urbanos, a cidade representa o fim da própria dignidade humana, um local de violência, miséria e abandono.
Luiz Fernando Roscoche
terça-feira, 2 de março de 2010
Outro mundo é possível
Em face a ineficiência do estado em promover a defesa dos interesses sociais, nos últimos anos viu-se crescer de maneira significativa o número de organizações não governamentais, chegando no final do século XX a atingir a cifra de 20.000 organizações. Organizações estas que vem se servindo das mesmas “armas”, do processo de globalização, ou seja, utilizando-se das tecnologias de comunicação, como a internet, por exemplo. Esta se criando gradativamente no mundo inteiro, uma rede de pessoas ligadas por interesses comuns, que trocam informações e criam mobilizações no sentido da defesa de seus interesses. Um exemplo nítido deste processo ocorreu no ano de 1999 em Seattle, nos Estados Unidos, quando mais de 50.000 mil pessoas, de 700 organizações diferentes fizeram um protesto contra a reunião da Organização Mundial do Comércio, organizada pelo Fórum nacional de sobre a Globalização. O mais interessante é perceber que dentre as organizações que participaram deste protesto contra a globalização era possível encontrar entidades ligadas a sindicatos, entidades de defesa dos direitos humanos, ambientalistas, etc. A diversidade da composição deste protesto mostra na verdade o senso de cidadania das pessoas que sabem que as políticas arbitrárias da OMC, priorizam o sistema econômico e esquecem do social, sejam eles operários, ambientalistas, funcionários públicos, etc. Muitas vezes não é raro a mídia nacional e até internacional mostrar uma visão deturpada e descontextualizada por estes movimentos sociais, tidos como exemplos de caos e desordem. Certamente podemos encontrar alguns baderneiros entre os manifestantes, mas eles certamente não são a maioria.
Por outro lado, é possível compreender estas explosões de violência quando se percebe que mesmo que se dialogue, discuta e se manifeste, a voz da sociedade não é ouvida pelas autoridades mundiais. Além de não ouvir o Estado usa da legitimação da forças policiais e militares para impedir manifestações, infringindo não só os direitos humanos, mas a própria democracia. Prova disso é que muitos países e protestos no mundo inteiro não foram o bastante para deter o ataque americano ao Iraque, que agiu de maneira unilateral e bárbara, da mesma forma com vêem procedendo em relação aos acordos ambientais internacionais.
A Coalizão de Seattle em 2001 de forma pacífica realizou no Brasil um dos maiores acontecimentos sociais do mundo, com a realização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, quando milhares de ativistas pesquisadores e outras pessoas das mais diversas partes do mundo se reuniram para discutir em torno do lema “Um outro mundo é possível”. Quase em concomitância com este evento uma pequena elite do poder mundial se reunia em Davos na Suíça para decidir o futuro econômico do mundo, através do Fórum Econômico Mundial. Percebe-se assim uma visão extremamente estreita dos líderes mundiais que enxergam o sistema econômico com um fim em si mesmo, não percebendo que este deve existir em função de uma sociedade. Sociedade esta que paga diariamente pelos impactos gerados pelo modelo econômico vigente, pois este por sua vez, se esquece que uma sociedade acaba pagando não só os custos econômicos, mas também os custos sociais e ambientais do modelo de “desenvolvimento”.
Acredito que um “Outro mundo é possível”, quando esquecemos as diferenças e nos unimos em prol da resolução de problemas em comum. Acredito ainda que a defesa de nossos direitos não deve ser feita somente por um ou outro grupo as sociedade mas sim um por todos, num exercício de cidadania.
Luiz Fernando Roscoche
Por outro lado, é possível compreender estas explosões de violência quando se percebe que mesmo que se dialogue, discuta e se manifeste, a voz da sociedade não é ouvida pelas autoridades mundiais. Além de não ouvir o Estado usa da legitimação da forças policiais e militares para impedir manifestações, infringindo não só os direitos humanos, mas a própria democracia. Prova disso é que muitos países e protestos no mundo inteiro não foram o bastante para deter o ataque americano ao Iraque, que agiu de maneira unilateral e bárbara, da mesma forma com vêem procedendo em relação aos acordos ambientais internacionais.
A Coalizão de Seattle em 2001 de forma pacífica realizou no Brasil um dos maiores acontecimentos sociais do mundo, com a realização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, quando milhares de ativistas pesquisadores e outras pessoas das mais diversas partes do mundo se reuniram para discutir em torno do lema “Um outro mundo é possível”. Quase em concomitância com este evento uma pequena elite do poder mundial se reunia em Davos na Suíça para decidir o futuro econômico do mundo, através do Fórum Econômico Mundial. Percebe-se assim uma visão extremamente estreita dos líderes mundiais que enxergam o sistema econômico com um fim em si mesmo, não percebendo que este deve existir em função de uma sociedade. Sociedade esta que paga diariamente pelos impactos gerados pelo modelo econômico vigente, pois este por sua vez, se esquece que uma sociedade acaba pagando não só os custos econômicos, mas também os custos sociais e ambientais do modelo de “desenvolvimento”.
Acredito que um “Outro mundo é possível”, quando esquecemos as diferenças e nos unimos em prol da resolução de problemas em comum. Acredito ainda que a defesa de nossos direitos não deve ser feita somente por um ou outro grupo as sociedade mas sim um por todos, num exercício de cidadania.
Luiz Fernando Roscoche
domingo, 28 de fevereiro de 2010
PEDÁGIO: O PESADELO CONTINUA!!!!
PEDÁGIO ATÉ 2017 OU 2042???
Desde junho de 1998 o Estado do Paraná vive a amarga experiência da cobrança de pedágio. Segundo a jornalista Luciana Cristo “só no ano passado, as seis concessionárias do Anel de Integração devem ter arrecadado mais de R$ 1 bilhão com a cobrança do pedágio no Estado. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostram que, só no primeiro semestre de 2009, a receita foi de R$ 532,7 milhões, dos quais R$ 13 milhões foram de lucro”. Enquanto os lucros das concessionárias federais giram em torno de 8%, as concessionárias do Paraná lucram em torno de 20%, de acordo com o DER. Tal discrepância levou o Tribunal de Contas da União querer saber o motivo das grandes diferenças entre os pedágios das rodovias Estaduais e Federais.
Ainda segundo o DER, apenas cerca de 30% dos lucros são revertidos em melhorias nas pistas.
Segundo o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) “as empresas vão faturar o orçamento de 2009, estimado em R$ 23,6 bilhões, até o encerramento do contrato em 2021. “Com a dinheirama arrecadada, o Paraná pode construir 15 mil quilômetros de rodovias, zerar três vezes o déficit habitacional e dotar todos os 399 municípios paranaenses de toda infraestrutura necessária aos serviços públicos de educação, saúde, segurança e assistência social”.
A taxa de aumento do preço do pedágio no Estado subiu 180,83%, desde que este foi criado. O preço variou de R$ 3,22, quando as praças foram criadas para os R$ 9,03 (em média), sendo que o maior aumento foi na tarifa da concessionária Ecovia (no trecho da BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá), na qual a tarifa saltou dos iniciais R$ 3,80 para os atuais R$ 12,70, ou seja, um aumento de 234,21%.
O PASSADO...
Durante todos esses anos de vigência das concessionárias muitas foram as lutas contra as concessionárias seja por parte do governo do Estado ou da sociedade civil organizada, ambos impotentes perante a justiça.
Em uma dessas lutas, a senador da república Osmar Dias, no dia 27 de dezembro de 2000, apresentou ao senado uma moção de repúdio ao senado referente ao aumento de 20%, na época, nos pedágios cobrados nas rodovias paranaenses. Segundo a interpretação do senador, esse aumento inviabilizava setores estratégicos para a economia paranaense, em especial a agricultura e a agroindústria.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, “no ano de 2000, os preços foram reajustados e um acordo retirou algumas exigências contratuais, tais como 500 km de novas estradas que seriam construídas pelas concessionárias; postergação de obras de duplicações e contornos rodoviários para além de dez anos em relação à data de conclusão estabelecida no contrato original. Assim os usuários voltaram a pagar a mesma tarifa sem os benefícios das novas obras.”
O FUTURO AOS DEPUTADOS PERTENCE....
O atual contrato de concessão que é valido até 2017, permite que as empresas renovem por mais 25 anos, ou seja, até 2042.
Alguns esforços tentam impedir que as concessionárias tenham êxito em propagar políticas que prejudiquem a economia estadual e nacional. Nesse sentido, em meados de 2009, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) apresentou na Assembléia Legislativa requerimento que prevê a criação de uma comissão especial de para acompanhar a coleta de assinaturas e a tramitação do projeto de lei, de iniciativa popular, que regulamenta o pedágio no Brasil e acaba com a exploração e o prejuízo à economia nacional. Conforme o projeto, o pedágio só poderá ser cobrado em rodovias particulares, sendo vedada a cobrança em vias públicas. A cobrança só poderá ser feita em estrada quando coexistir rodovia paralela, pública e gratuita. O projeto proíbe o pedágio no perímetro urbano das cidades. A proposta ainda isenta da cobrança de pedágio caminhões transportadores de alimentos, carros oficiais, ambulâncias e carros de emergência similares. E veículo emplacado na cidade onde se encontra a praça coletora.
Outra proposta do projeto de lei (artigo 10º) é que em qualquer momento o Estado tenha o direito de retomar as rodovias mediante lei e decreto autorizativos, desde que realize o depósito em juízo da quantia de benfeitorias executadas pela concessionária pelos dez últimos anos de concessão.
As propostas para 2017 parecem ser boas, resta saber se estas serão efetivadas ou se a população arcará com os preços abusivos dos pedágios no Paraná. Espera-se também que a população se mobilize no sentido de pressionar seus representantes para que estes defendam seus direitos e não se vendam aos interesses das corporações.
Luiz Fernando Roscoche
Desde junho de 1998 o Estado do Paraná vive a amarga experiência da cobrança de pedágio. Segundo a jornalista Luciana Cristo “só no ano passado, as seis concessionárias do Anel de Integração devem ter arrecadado mais de R$ 1 bilhão com a cobrança do pedágio no Estado. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostram que, só no primeiro semestre de 2009, a receita foi de R$ 532,7 milhões, dos quais R$ 13 milhões foram de lucro”. Enquanto os lucros das concessionárias federais giram em torno de 8%, as concessionárias do Paraná lucram em torno de 20%, de acordo com o DER. Tal discrepância levou o Tribunal de Contas da União querer saber o motivo das grandes diferenças entre os pedágios das rodovias Estaduais e Federais.
Ainda segundo o DER, apenas cerca de 30% dos lucros são revertidos em melhorias nas pistas.
Segundo o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) “as empresas vão faturar o orçamento de 2009, estimado em R$ 23,6 bilhões, até o encerramento do contrato em 2021. “Com a dinheirama arrecadada, o Paraná pode construir 15 mil quilômetros de rodovias, zerar três vezes o déficit habitacional e dotar todos os 399 municípios paranaenses de toda infraestrutura necessária aos serviços públicos de educação, saúde, segurança e assistência social”.
A taxa de aumento do preço do pedágio no Estado subiu 180,83%, desde que este foi criado. O preço variou de R$ 3,22, quando as praças foram criadas para os R$ 9,03 (em média), sendo que o maior aumento foi na tarifa da concessionária Ecovia (no trecho da BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá), na qual a tarifa saltou dos iniciais R$ 3,80 para os atuais R$ 12,70, ou seja, um aumento de 234,21%.
O PASSADO...
Durante todos esses anos de vigência das concessionárias muitas foram as lutas contra as concessionárias seja por parte do governo do Estado ou da sociedade civil organizada, ambos impotentes perante a justiça.
Em uma dessas lutas, a senador da república Osmar Dias, no dia 27 de dezembro de 2000, apresentou ao senado uma moção de repúdio ao senado referente ao aumento de 20%, na época, nos pedágios cobrados nas rodovias paranaenses. Segundo a interpretação do senador, esse aumento inviabilizava setores estratégicos para a economia paranaense, em especial a agricultura e a agroindústria.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, “no ano de 2000, os preços foram reajustados e um acordo retirou algumas exigências contratuais, tais como 500 km de novas estradas que seriam construídas pelas concessionárias; postergação de obras de duplicações e contornos rodoviários para além de dez anos em relação à data de conclusão estabelecida no contrato original. Assim os usuários voltaram a pagar a mesma tarifa sem os benefícios das novas obras.”
O FUTURO AOS DEPUTADOS PERTENCE....
O atual contrato de concessão que é valido até 2017, permite que as empresas renovem por mais 25 anos, ou seja, até 2042.
Alguns esforços tentam impedir que as concessionárias tenham êxito em propagar políticas que prejudiquem a economia estadual e nacional. Nesse sentido, em meados de 2009, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) apresentou na Assembléia Legislativa requerimento que prevê a criação de uma comissão especial de para acompanhar a coleta de assinaturas e a tramitação do projeto de lei, de iniciativa popular, que regulamenta o pedágio no Brasil e acaba com a exploração e o prejuízo à economia nacional. Conforme o projeto, o pedágio só poderá ser cobrado em rodovias particulares, sendo vedada a cobrança em vias públicas. A cobrança só poderá ser feita em estrada quando coexistir rodovia paralela, pública e gratuita. O projeto proíbe o pedágio no perímetro urbano das cidades. A proposta ainda isenta da cobrança de pedágio caminhões transportadores de alimentos, carros oficiais, ambulâncias e carros de emergência similares. E veículo emplacado na cidade onde se encontra a praça coletora.
Outra proposta do projeto de lei (artigo 10º) é que em qualquer momento o Estado tenha o direito de retomar as rodovias mediante lei e decreto autorizativos, desde que realize o depósito em juízo da quantia de benfeitorias executadas pela concessionária pelos dez últimos anos de concessão.
As propostas para 2017 parecem ser boas, resta saber se estas serão efetivadas ou se a população arcará com os preços abusivos dos pedágios no Paraná. Espera-se também que a população se mobilize no sentido de pressionar seus representantes para que estes defendam seus direitos e não se vendam aos interesses das corporações.
Luiz Fernando Roscoche
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
BIG BABACA BRASIL
“BIG BABACA BRASIL”
Certa vez, Sérgio Augusto fez o seguinte comentário “A Holanda, que um dia nos enviou a missão de Mauricio de Nassau e ao planeta ofertou Espinoza, Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Erasmo, Frans Hals, Bert Hanstra, Mondrian, Nina Foch, Joris Ivens, Cruyff e a cerveja Amstel, agora vive de exportar uma cretina gincana televisiva cujo título vampiriza um clássico da literatura inglesa do século passado que nada tem a ver com folguedos competitivos e patacoadas exibicionistas”. Para quem não entendeu, Sérgio está fazendo uma alusão ao famigerado programa “Big Brother”, sobre o qual, uma empresa holandesa detém os direitos autorais e que alimenta o desejo voyerista de espectadores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Já o clássico da literatura inglesa, citado pelo autor, é uma referência a uma obra de George Orwell.
“Evoluímos muito” desde a Roma Antiga, não atiramos mais cristãos aos leões, agora, “o espetáculo” é proporcionado por pessoas dentro de uma “jaula de luxo”, onde nós, “os juízes”, podemos estudar e julgar o comportamento dos participantes e decidir quem leva para casa o prêmio de 1 milhão de reais. Neste mundo globalizado deixamos de falar mal da vida de nossos vizinhos e censurar seus atos para bisbilhotarmos a vida dos moradores deste zoológico hi-tec.
Mas, deixando de lado a falta de conteúdo e a bestialidade deste “espetáculo”, podemos nos ater a questões mais específicas, como por exemplo, as cifras do referido programa. Imaginem que cerca de 20.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro em apenas um “paredão”, votando em algum candidato para ser eliminado. Se estimarmos que o preço da ligação é de R$ 0,30 (trinta centavos), então teremos R$ 6.000.000,00. Mas, vamos supôr que a rede Globo fique com apenas 50% deste valor e o restante com a companhia telefônica, mesmo assim, teríamos uma arrecadação de R$ 3.000.000,00. Lembrando que isso em apenas um “paredão”. Mas a arrecadação do programa não para por aí, existe ainda o patrocínio de grandes empresas de cosméticos, cervejarias e outras, além é claro da arrecadação das assinaturas de TV e da internet para que as pessoas possam assistir o mesmo em tempo real.
Fico pensando que milhões de brasileiros ligam semanalmente para este programa, tirando dinheiro do seu bolso para participar de algo tão sem conteúdo. Em contraposição são incapazes de exercer seu direito democrático, fiscalizando os gastos públicos ou realizando campanhas para ajudar as pessoas que realmente necessitam. Alguém sabe quais foram as cifras da arrecadação destinada aos desabrigados do Estado de Santa Catarina, afetados por catástrofes climáticas?
O que indigna mais, é a idolatria aos participantes, chegando-se ao cúmulo de em uma de suas edições escutarmos o apresentador deste programa, chamá-los em uma determinada edição de “Heróis”.
Segundo o dicionário Houaiss, herói é um indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc, ou ainda indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem.
Como diria Daniela Baracat Sâmara, em uma mensagem que circula pela Internet “heróis são os milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia; são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna; são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados; são aqueles que conseguem viver com apenas um salário mínimo”.
Quer ser um verdadeiro “brother” (irmão)? Então da próxima vez ligue para contribuir para milhares de entidades assistências de caridade espalhadas pelo nosso país e pelo mundo. Quer dar um “espiadinha”, então, primeiro abra os olhos e olhe para dentro de você e, quem sabe assim, poderá enxergar com mais clareza o mundo a sua volta. Já é um bom começo!
Luiz Fernando Roscoche
Certa vez, Sérgio Augusto fez o seguinte comentário “A Holanda, que um dia nos enviou a missão de Mauricio de Nassau e ao planeta ofertou Espinoza, Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Erasmo, Frans Hals, Bert Hanstra, Mondrian, Nina Foch, Joris Ivens, Cruyff e a cerveja Amstel, agora vive de exportar uma cretina gincana televisiva cujo título vampiriza um clássico da literatura inglesa do século passado que nada tem a ver com folguedos competitivos e patacoadas exibicionistas”. Para quem não entendeu, Sérgio está fazendo uma alusão ao famigerado programa “Big Brother”, sobre o qual, uma empresa holandesa detém os direitos autorais e que alimenta o desejo voyerista de espectadores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Já o clássico da literatura inglesa, citado pelo autor, é uma referência a uma obra de George Orwell.
“Evoluímos muito” desde a Roma Antiga, não atiramos mais cristãos aos leões, agora, “o espetáculo” é proporcionado por pessoas dentro de uma “jaula de luxo”, onde nós, “os juízes”, podemos estudar e julgar o comportamento dos participantes e decidir quem leva para casa o prêmio de 1 milhão de reais. Neste mundo globalizado deixamos de falar mal da vida de nossos vizinhos e censurar seus atos para bisbilhotarmos a vida dos moradores deste zoológico hi-tec.
Mas, deixando de lado a falta de conteúdo e a bestialidade deste “espetáculo”, podemos nos ater a questões mais específicas, como por exemplo, as cifras do referido programa. Imaginem que cerca de 20.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro em apenas um “paredão”, votando em algum candidato para ser eliminado. Se estimarmos que o preço da ligação é de R$ 0,30 (trinta centavos), então teremos R$ 6.000.000,00. Mas, vamos supôr que a rede Globo fique com apenas 50% deste valor e o restante com a companhia telefônica, mesmo assim, teríamos uma arrecadação de R$ 3.000.000,00. Lembrando que isso em apenas um “paredão”. Mas a arrecadação do programa não para por aí, existe ainda o patrocínio de grandes empresas de cosméticos, cervejarias e outras, além é claro da arrecadação das assinaturas de TV e da internet para que as pessoas possam assistir o mesmo em tempo real.
Fico pensando que milhões de brasileiros ligam semanalmente para este programa, tirando dinheiro do seu bolso para participar de algo tão sem conteúdo. Em contraposição são incapazes de exercer seu direito democrático, fiscalizando os gastos públicos ou realizando campanhas para ajudar as pessoas que realmente necessitam. Alguém sabe quais foram as cifras da arrecadação destinada aos desabrigados do Estado de Santa Catarina, afetados por catástrofes climáticas?
O que indigna mais, é a idolatria aos participantes, chegando-se ao cúmulo de em uma de suas edições escutarmos o apresentador deste programa, chamá-los em uma determinada edição de “Heróis”.
Segundo o dicionário Houaiss, herói é um indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc, ou ainda indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem.
Como diria Daniela Baracat Sâmara, em uma mensagem que circula pela Internet “heróis são os milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia; são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna; são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados; são aqueles que conseguem viver com apenas um salário mínimo”.
Quer ser um verdadeiro “brother” (irmão)? Então da próxima vez ligue para contribuir para milhares de entidades assistências de caridade espalhadas pelo nosso país e pelo mundo. Quer dar um “espiadinha”, então, primeiro abra os olhos e olhe para dentro de você e, quem sabe assim, poderá enxergar com mais clareza o mundo a sua volta. Já é um bom começo!
Luiz Fernando Roscoche
NÃO LEVE PARA O LADO PESSOAL!
Como diria Hegel, “as tragédias verdadeiras no mundo não são conflitos entre o certo e o errado. São conflitos entre dois direitos." Essa frase ilustra um pouco uma situação vivida nos ambientes de trabalho no mundo e principalmente no Brasil.
Parece existir um mito em torno da idéia de que em nosso país prevalece uma total tolerância em relação a diversidade, seja ela de idéias, preceitos religiosos, sexuais, etc, mas bem sabemos que isso não é verdade.
O conflito de idéias, personalidades são uma constante em qualquer ambiente de trabalho. Uma pesquisa realizada recentemente com mais de cinco mil funcionários, em nove países, mostrou que 85% deles já presenciaram algum tipo de conflito no trabalho.
Até aí tudo bem, o conflito no trabalho não é novidade nenhuma no mundo, porém, constatou-se que os brasileiros são os que mais levam o conflito para o lado pessoal.
Se você já presenciou alguma reunião de trabalho onde as discussões centravam-se muito mais na vaidade e no ego dos seus participantes do que necessariamente nos reais problemas, não foi impressão sua, a principal causa de conflitos dentro do trabalho se dá em virtude da diferença de personalidade, conflito de ego. A pesquisa demonstrou que cerca de 49% dos entrevistados já presenciaram este tipo de conflito. As pessoas se preocupam muito mais em competir para ver quem tem mais poder do que se debruçarem sobre a solução dos problemas que realmente interessam.
Outras causas dos conflitos apontados por essa pesquisa foi o stress com 34% e a excessiva carga de trabalho, citado em 33% dos entrevistados.
Creio que este estudo deveria ser realizado nas pequenas cidades, pois ao que tudo indica os conflitos pessoais e profissionais nesses locais parecem ter um peso substancial na vida cotidiana. Antes de se avaliar a capacidade profissional de uma pessoa ela é pré-julgada por seus laços de parentesco, por seu posicionamento político, social, etc. Certos empregadores analisam seus candidatos não somente por suas habilidades profissionais, mas, também por informações sobre características de sua família (não importa quem você é sempre será lembrado por algum erro que cometeu ou que algum membro de sua família cometeu), sua ligação a partidos políticos (em pequenas cidades ou você é situação ou você é oposição), ou até mesmo pela falta de informações (se não existem informações a seu respeito na cidade você será considerado uma ameaça em potencial).
O lado pessoal parece prevalecer sobre o profissional e com isso o que vemos é o provincianismo que infecta o setor público, privado e até a sociedade civil organizada. Nesse último caso, é muito comum encontrarmos pessoas que atuam em diversas órgãos de representação mas que não possuem nenhum compromisso efetivo ou afinidade com nenhum os órgãos que representa, afinal, não se trata de debater os reais problemas dessas entidades e sim aparecer a qualquer custo, obter os louros políticos em toda e qualquer oportunidade.
Os conflitos não têm apenas o lado negativo, o conflito de ideias, por exemplo, quando conduzido com profissionalismo leva a busca de trás soluções criativas para problemas de afetam o conjunto. Saber ceder a ouvir os argumentos alheios é um claro sinal de inteligência.
Em nossa sociedade estamos rodeados por conflitos, sejam profissionais, pessoais, afetivos e outros, mas isso não quer disser que conflitos se traduzam em violência física ou moral ou disputa de poder. Mesmo estando sozinhos somos assolados por conflitos internos e existenciais, mas como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é preciso ter o caos dentro de si para dar a luz à uma estrela.
Luiz Fernando Roscoche.
Parece existir um mito em torno da idéia de que em nosso país prevalece uma total tolerância em relação a diversidade, seja ela de idéias, preceitos religiosos, sexuais, etc, mas bem sabemos que isso não é verdade.
O conflito de idéias, personalidades são uma constante em qualquer ambiente de trabalho. Uma pesquisa realizada recentemente com mais de cinco mil funcionários, em nove países, mostrou que 85% deles já presenciaram algum tipo de conflito no trabalho.
Até aí tudo bem, o conflito no trabalho não é novidade nenhuma no mundo, porém, constatou-se que os brasileiros são os que mais levam o conflito para o lado pessoal.
Se você já presenciou alguma reunião de trabalho onde as discussões centravam-se muito mais na vaidade e no ego dos seus participantes do que necessariamente nos reais problemas, não foi impressão sua, a principal causa de conflitos dentro do trabalho se dá em virtude da diferença de personalidade, conflito de ego. A pesquisa demonstrou que cerca de 49% dos entrevistados já presenciaram este tipo de conflito. As pessoas se preocupam muito mais em competir para ver quem tem mais poder do que se debruçarem sobre a solução dos problemas que realmente interessam.
Outras causas dos conflitos apontados por essa pesquisa foi o stress com 34% e a excessiva carga de trabalho, citado em 33% dos entrevistados.
Creio que este estudo deveria ser realizado nas pequenas cidades, pois ao que tudo indica os conflitos pessoais e profissionais nesses locais parecem ter um peso substancial na vida cotidiana. Antes de se avaliar a capacidade profissional de uma pessoa ela é pré-julgada por seus laços de parentesco, por seu posicionamento político, social, etc. Certos empregadores analisam seus candidatos não somente por suas habilidades profissionais, mas, também por informações sobre características de sua família (não importa quem você é sempre será lembrado por algum erro que cometeu ou que algum membro de sua família cometeu), sua ligação a partidos políticos (em pequenas cidades ou você é situação ou você é oposição), ou até mesmo pela falta de informações (se não existem informações a seu respeito na cidade você será considerado uma ameaça em potencial).
O lado pessoal parece prevalecer sobre o profissional e com isso o que vemos é o provincianismo que infecta o setor público, privado e até a sociedade civil organizada. Nesse último caso, é muito comum encontrarmos pessoas que atuam em diversas órgãos de representação mas que não possuem nenhum compromisso efetivo ou afinidade com nenhum os órgãos que representa, afinal, não se trata de debater os reais problemas dessas entidades e sim aparecer a qualquer custo, obter os louros políticos em toda e qualquer oportunidade.
Os conflitos não têm apenas o lado negativo, o conflito de ideias, por exemplo, quando conduzido com profissionalismo leva a busca de trás soluções criativas para problemas de afetam o conjunto. Saber ceder a ouvir os argumentos alheios é um claro sinal de inteligência.
Em nossa sociedade estamos rodeados por conflitos, sejam profissionais, pessoais, afetivos e outros, mas isso não quer disser que conflitos se traduzam em violência física ou moral ou disputa de poder. Mesmo estando sozinhos somos assolados por conflitos internos e existenciais, mas como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é preciso ter o caos dentro de si para dar a luz à uma estrela.
Luiz Fernando Roscoche.
A VERDADEIRA CRISE
A VERDADEIRA CRISE
Afinal qual é a verdadeira crise? Uma rápida navegada pela internet ou uma ligeira troca de canais na televisão nos mostrarão um monte de “especialistas” dando suas opiniões sobre qual seria a verdadeira crise. Economistas diriam que a crise é e sempre foi econômica, os ambientalistas diriam que a verdadeira crise é a ambiental, outros diriam que se trata de um crise política, cultural, antropológica, etc.
O fato é que enfrentamos uma crise em quase todos os setores de nossa sociedade. Um médico que deveria promover a fertilização em mulheres é acusado de assédio sexual. Os políticos a quem elegemos como nossos representantes maiores, que deveriam ser o exemplo de respeito e ética são acusados de atos secretos, contratação de parentes, desvios de verbas e outros tantos crimes. Nossos líderes religiosos que deveriam nos conduzir em busca de elevação espiritual se aproveitam da ingenuidade de seus fiéis e operam como verdadeiros bandidos roubando suas economias.
Na família os problemas são tantos que é quase impossível enumerá-los, todavia, o desrespeito parece o maior e mais grave dos problemas. Violência moral e física permeiam lares no mundo inteiro. Pais que abusam de sua autoridade, filhos que não possuem o menor respeito para com os seus pais ou por quem quer que seja.
Nas escolas os jovens querem somente o “diploma”, o conhecimento é o tipo de produto que eles pagam e não querem receber. Os pais não cobram dos filhos a aprendizado, cobram notas, da mesma forma muitas escolas estão somente preocupadas com o nível de aprovação nem se importando se realmente estão formando cidadãos ou meros receptáculos de informações. Muito conhecimento técnico é ministrado nas escolas e universidade e muito pouco se fala sobre ética.
Nos relacionamentos afetivos nos tratamos como “coisas”, tratamos o sexo oposto como um utensílio que possui uma função por determinado tempo. Realizamos um “teste-drive”, ou como diriam os mais jovens “ficamos” com a pessoa uma, duas, três vezes, mas tudo sem compromisso algum. Assim como segue a moda seguem os relacionamentos, como coisas que pode ser adquiridas, usadas e jogadas fora conforme nosso bel prazer.
Ou muito me engano ou parece que os valores se inverteram e a verdadeira crise que se abate sobre nós é a crise de valores. Corrijam-me se estiver errado, neste “novo dicionário moderno” parece não haver lugar para palavras como respeito, solidariedade, sinceridade, humildade, compaixão, compromisso, fidelidade e muitas outras. Ser honesto é o mesmo que ser “burro”, o legal mesmo é ser “malandro”. Se você demonstra respeito você é “careta”. Se é romântico é tido como um bobo. Se demonstra compaixão você é um fraco.
Muitas civilizações que já existiram não tinham o progresso tecnológico que temos hoje mas possuíam um progresso moral que estamos longe de atingir. Alguns povos que hora denominamos “selvagens” como os índios são o verdadeiro exemplo da convivência harmônica com o meio ambiente. Muito antes da palavra sustentabilidade existir os indígenas promoviam práticas sustentáveis no seu relacionamento com o natureza.
Parece que a imposição do “progresso” e do avanço tecnológico teve um custo muito alto para todos nós. A tecnologia que nos prometeu nos tornarmos pessoas mais livres do trabalho e mais dedicadas a nossa evolução, acabou em alguns casos nos aprisionando ainda mais. Como dificilmente conseguiremos satisfazer nossos desejos plenamente, tenderemos ao individualismo e é aí que muitos valores se perdem. Perde- se a consciência do coletivo social.
Parece que a máxima “conhece a ti mesmo”, de Sócrates nunca foi tão pertinente para dar o primeiro passo no caminho de uma transformação de valores que resgate o verdadeiro sentido da palavra “humanidade”.
Luiz Fernando Roscoche - Prof da UEPG.
Elisabeth Roscoche – Professora da Rede Estadual de Ensino
Afinal qual é a verdadeira crise? Uma rápida navegada pela internet ou uma ligeira troca de canais na televisão nos mostrarão um monte de “especialistas” dando suas opiniões sobre qual seria a verdadeira crise. Economistas diriam que a crise é e sempre foi econômica, os ambientalistas diriam que a verdadeira crise é a ambiental, outros diriam que se trata de um crise política, cultural, antropológica, etc.
O fato é que enfrentamos uma crise em quase todos os setores de nossa sociedade. Um médico que deveria promover a fertilização em mulheres é acusado de assédio sexual. Os políticos a quem elegemos como nossos representantes maiores, que deveriam ser o exemplo de respeito e ética são acusados de atos secretos, contratação de parentes, desvios de verbas e outros tantos crimes. Nossos líderes religiosos que deveriam nos conduzir em busca de elevação espiritual se aproveitam da ingenuidade de seus fiéis e operam como verdadeiros bandidos roubando suas economias.
Na família os problemas são tantos que é quase impossível enumerá-los, todavia, o desrespeito parece o maior e mais grave dos problemas. Violência moral e física permeiam lares no mundo inteiro. Pais que abusam de sua autoridade, filhos que não possuem o menor respeito para com os seus pais ou por quem quer que seja.
Nas escolas os jovens querem somente o “diploma”, o conhecimento é o tipo de produto que eles pagam e não querem receber. Os pais não cobram dos filhos a aprendizado, cobram notas, da mesma forma muitas escolas estão somente preocupadas com o nível de aprovação nem se importando se realmente estão formando cidadãos ou meros receptáculos de informações. Muito conhecimento técnico é ministrado nas escolas e universidade e muito pouco se fala sobre ética.
Nos relacionamentos afetivos nos tratamos como “coisas”, tratamos o sexo oposto como um utensílio que possui uma função por determinado tempo. Realizamos um “teste-drive”, ou como diriam os mais jovens “ficamos” com a pessoa uma, duas, três vezes, mas tudo sem compromisso algum. Assim como segue a moda seguem os relacionamentos, como coisas que pode ser adquiridas, usadas e jogadas fora conforme nosso bel prazer.
Ou muito me engano ou parece que os valores se inverteram e a verdadeira crise que se abate sobre nós é a crise de valores. Corrijam-me se estiver errado, neste “novo dicionário moderno” parece não haver lugar para palavras como respeito, solidariedade, sinceridade, humildade, compaixão, compromisso, fidelidade e muitas outras. Ser honesto é o mesmo que ser “burro”, o legal mesmo é ser “malandro”. Se você demonstra respeito você é “careta”. Se é romântico é tido como um bobo. Se demonstra compaixão você é um fraco.
Muitas civilizações que já existiram não tinham o progresso tecnológico que temos hoje mas possuíam um progresso moral que estamos longe de atingir. Alguns povos que hora denominamos “selvagens” como os índios são o verdadeiro exemplo da convivência harmônica com o meio ambiente. Muito antes da palavra sustentabilidade existir os indígenas promoviam práticas sustentáveis no seu relacionamento com o natureza.
Parece que a imposição do “progresso” e do avanço tecnológico teve um custo muito alto para todos nós. A tecnologia que nos prometeu nos tornarmos pessoas mais livres do trabalho e mais dedicadas a nossa evolução, acabou em alguns casos nos aprisionando ainda mais. Como dificilmente conseguiremos satisfazer nossos desejos plenamente, tenderemos ao individualismo e é aí que muitos valores se perdem. Perde- se a consciência do coletivo social.
Parece que a máxima “conhece a ti mesmo”, de Sócrates nunca foi tão pertinente para dar o primeiro passo no caminho de uma transformação de valores que resgate o verdadeiro sentido da palavra “humanidade”.
Luiz Fernando Roscoche - Prof da UEPG.
Elisabeth Roscoche – Professora da Rede Estadual de Ensino
Circular é preciso! Mas é possível?
Circular é preciso! Mas é possível?
Basta circular pelas ruas de nossa cidade para verificarmos alguns problemas. Muitos estabelecimentos comerciais infringem os locais e horários para carga e descarga de mercadorias fazendo com que a rua Conceição congestione em alguns horários. Alguns empresários simplesmente se apossam das vagas de estacionamento para uso particular ou de seus clientes. Para aqueles que não sabem (inclusive algumas “autoridades”), a rua é um espaço público e essas práticas são infrações de trânsito. O artigo 245 do Código Brasileiro de Trânsito proíbe a utilização da via para depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via. A infração é considerada grave e passível de multa. No caso de flagrante, o órgão responsável pelo transito deve recolher os obstáculos (cones, cavaletes, etc). A penalidade pode incidir sobre a pessoa ou a empresa responsável por essa ação irregular.
O artigo 246 também considera uma irregularidade “obstaculizar a via indevidamente”, uma infração considerada gravíssima sendo que “a penalidade deve ser aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre a via providenciar a sinalização de emergência, às expensas do responsável, ou, se possível, promover a desobstrução.”
Em algumas ruas, é possível encontrar resíduos de areia e pedra brita em algumas ruas, oriundos de empresas ligadas a construção civil, que, além do incomodo da sujeira para seus moradores próximos, podem se tornar um fator de risco para seus usuários, uma vez que tornam-se mais escorregadias. Cabe lembrar que no artigo 26 do Código Brasileiro de Transito diz que os usuários das vias não devem “obstruir o transito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo”.
Outro fator que obstrui o trânsito em horários de pico são as saídas de escolas e colégios quando em alguns casos observa-se a prática do estacionamento em fila dupla. Também e comum encontrarmos carros perfilados e seus ocupantes conversando despreocupadamente. Tais práticas infringem o inciso XI do artigo 181 do CTB, que proíbe que se estacione o veículo “ao lado de outro veículo em fila dupla”, sendo considerada uma infração grave com a remoção do veículo.
Os pedestres sofrem também com as calçadas, que em algumas ruas, são inexistentes ou irregulares podendo provocar acidentes em função dos seus desníveis ou até mesmo do material com qual são construídas. Obstáculos nas calçadas como lixeiras, floreiras e marquises de lojas também podem oferecer riscos aos pedestres mais desatentos. Na Rua Conceição as pessoas devem ficar ainda mais atentas pois podem ser atropeladas por ciclistas que contrariam a proibição de tráfego nessa via.
A falta de sinalização em alguns locais é outra problemática.
A poucas semanas atrás, na Rua Dom Alberto Gonçalves, próximo ao Núcleo João Paulo II um jovem que conduzia uma moto se chocou contra a traseira de um caminhão. A princípio, o caminhão não estava irregular, pois não existia nenhuma sinalização indicando ou proibindo o estacionamento de veículos naquele local.
Existe uma crescente demanda por meios de transporte e de vias. Segundo dados do Departamento Nacional de Transito de 2008, o município de Palmeira possui 10.412 veículos (entre eles: automóveis, caminhões, caminhonetes, motos, tratores, etc).
A realidade nos evidencia uma tendência nada animadora, ou seja, a infra-estrutura física e humana não cresceu proporcionalmente ao número de veículos. E, ao contrário do que muitos podem pensar, essa situação não é uma exclusividade do município de Palmeira, mas sim, uma realidade da grande maioria dos municípios brasileiros.
Não existem “culpados”, muito menos “inocentes” diante dessa problemática, existem sim, direitos e deveres esperando que seus titulares (Estado, empresas, motoristas, pedestres, legisladores, etc) assumam suas responsabilidades e funções e criem um ambiente onde circular seja possível.
Luiz Fernando Roscoche
Basta circular pelas ruas de nossa cidade para verificarmos alguns problemas. Muitos estabelecimentos comerciais infringem os locais e horários para carga e descarga de mercadorias fazendo com que a rua Conceição congestione em alguns horários. Alguns empresários simplesmente se apossam das vagas de estacionamento para uso particular ou de seus clientes. Para aqueles que não sabem (inclusive algumas “autoridades”), a rua é um espaço público e essas práticas são infrações de trânsito. O artigo 245 do Código Brasileiro de Trânsito proíbe a utilização da via para depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via. A infração é considerada grave e passível de multa. No caso de flagrante, o órgão responsável pelo transito deve recolher os obstáculos (cones, cavaletes, etc). A penalidade pode incidir sobre a pessoa ou a empresa responsável por essa ação irregular.
O artigo 246 também considera uma irregularidade “obstaculizar a via indevidamente”, uma infração considerada gravíssima sendo que “a penalidade deve ser aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre a via providenciar a sinalização de emergência, às expensas do responsável, ou, se possível, promover a desobstrução.”
Em algumas ruas, é possível encontrar resíduos de areia e pedra brita em algumas ruas, oriundos de empresas ligadas a construção civil, que, além do incomodo da sujeira para seus moradores próximos, podem se tornar um fator de risco para seus usuários, uma vez que tornam-se mais escorregadias. Cabe lembrar que no artigo 26 do Código Brasileiro de Transito diz que os usuários das vias não devem “obstruir o transito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo”.
Outro fator que obstrui o trânsito em horários de pico são as saídas de escolas e colégios quando em alguns casos observa-se a prática do estacionamento em fila dupla. Também e comum encontrarmos carros perfilados e seus ocupantes conversando despreocupadamente. Tais práticas infringem o inciso XI do artigo 181 do CTB, que proíbe que se estacione o veículo “ao lado de outro veículo em fila dupla”, sendo considerada uma infração grave com a remoção do veículo.
Os pedestres sofrem também com as calçadas, que em algumas ruas, são inexistentes ou irregulares podendo provocar acidentes em função dos seus desníveis ou até mesmo do material com qual são construídas. Obstáculos nas calçadas como lixeiras, floreiras e marquises de lojas também podem oferecer riscos aos pedestres mais desatentos. Na Rua Conceição as pessoas devem ficar ainda mais atentas pois podem ser atropeladas por ciclistas que contrariam a proibição de tráfego nessa via.
A falta de sinalização em alguns locais é outra problemática.
A poucas semanas atrás, na Rua Dom Alberto Gonçalves, próximo ao Núcleo João Paulo II um jovem que conduzia uma moto se chocou contra a traseira de um caminhão. A princípio, o caminhão não estava irregular, pois não existia nenhuma sinalização indicando ou proibindo o estacionamento de veículos naquele local.
Existe uma crescente demanda por meios de transporte e de vias. Segundo dados do Departamento Nacional de Transito de 2008, o município de Palmeira possui 10.412 veículos (entre eles: automóveis, caminhões, caminhonetes, motos, tratores, etc).
A realidade nos evidencia uma tendência nada animadora, ou seja, a infra-estrutura física e humana não cresceu proporcionalmente ao número de veículos. E, ao contrário do que muitos podem pensar, essa situação não é uma exclusividade do município de Palmeira, mas sim, uma realidade da grande maioria dos municípios brasileiros.
Não existem “culpados”, muito menos “inocentes” diante dessa problemática, existem sim, direitos e deveres esperando que seus titulares (Estado, empresas, motoristas, pedestres, legisladores, etc) assumam suas responsabilidades e funções e criem um ambiente onde circular seja possível.
Luiz Fernando Roscoche
GRIPE SUÍNA: QUESTÃO DE VIDA OU MORTE...
QUESTÃO DE VIDA OU MORTE...
Estamos diante de um grande dilema: acreditamos nos dados oficiais do governo sobre a gripe suína ou acreditamos nas teorias alarmantes que dizem que a situação estaria muito pior do que poderíamos imaginar. A maioria das pessoas está confusa, pois o mesmo governo que diz que o vírus é somente uma gripe é também aquele que interrompe atividades escolares, serviços públicos, etc.
Especulações à parte, o grande medo que paira sobre a população, seja no Brasil e no mundo, é o fácil contágio e principalmente o risco de morte que a doença oferece em alguns casos. Baseando-se nesses pressupostos, nada mais coerente que analisar a situação a partir de contextualização, dados e informações.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2005 no Brasil, morreram 1.006.827 pessoas. Desse montante apenas 12,5% deles foram por causas externas, ou seja, não morreram por causas naturais, mas em virtude de acidentes de trânsito, assassinatos, suicídios, etc. Os acidentes de trânsito totalizaram no ano de 2005, 35.720 mortes. Ou seja, média de 97 mortes por dia. O número de mortes por homicídios atinge 46.641, sendo que os homens são os mais afetados por esse problema. Mais de 90% dos homicídios ocorrem com homens e o restante, com as mulheres. Quase 127 pessoas morrem diariamente em virtude de assassinatos. Entre 1980 e 2000, a taxa de mortalidade por homicídios no Brasil aumentou 130%.
Já nas mortes por causas naturais, segundo um estudo realizado pelo Ministério da Saúde, as doenças que mais matam estão ligadas a problemas no aparelho circulatório, ao aparelho respiratório, além de doenças infecciosas, parasitárias, neoplasias, etc. Doenças no aparelho respiratório foram responsáveis por 283.927 mortes, tal cifra representa 32,2% das mortes em 2005. Somente as doenças do aparelho respiratório matam mais de 700 pessoas por dia em nosso país.
O vírus influenza A (H1N1), que teve o primeiro caso registrado em nosso país no dia 7 de maio, na cidade do Rio de Janeiro, ceifou 557 vidas, até agora, segundo informações do Governo Federal. Considerando esses dados, poderíamos prever que, caso o crescimento desse vírus permaneça aos mesmos patamares, ao final de um ano teríamos aproximadamente 1.670 mortos. Ou seja, pouco mais de quatro mortes diárias.
Os dados nos dizem que talvez exista certo exagero por parte da mídia e de informações que são propagadas por meios não oficiais, como a internet, que tecem inúmeras especulações sobre a doença.
Todavia, não se pode desconsiderar a gravidade da situação, afinal, essa é apenas uma análise quantitativa do fenômeno. Existem inúmeras outras variáveis que devem ser consideradas.
Uma coisa é certa, um dos pontos positivos dessa pandemia, segundo o infectologista Alceu Fontana Pacheco, é que “a retomada dos bons hábitos de higiene ajudam a prevenir outras doenças infectocontagiosas, como por exemplo, conjuntivite, viroses respiratórias, rotavírus e doenças próprias da infância”.
Estamos diante de um grande dilema: acreditamos nos dados oficiais do governo sobre a gripe suína ou acreditamos nas teorias alarmantes que dizem que a situação estaria muito pior do que poderíamos imaginar. A maioria das pessoas está confusa, pois o mesmo governo que diz que o vírus é somente uma gripe é também aquele que interrompe atividades escolares, serviços públicos, etc.
Especulações à parte, o grande medo que paira sobre a população, seja no Brasil e no mundo, é o fácil contágio e principalmente o risco de morte que a doença oferece em alguns casos. Baseando-se nesses pressupostos, nada mais coerente que analisar a situação a partir de contextualização, dados e informações.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2005 no Brasil, morreram 1.006.827 pessoas. Desse montante apenas 12,5% deles foram por causas externas, ou seja, não morreram por causas naturais, mas em virtude de acidentes de trânsito, assassinatos, suicídios, etc. Os acidentes de trânsito totalizaram no ano de 2005, 35.720 mortes. Ou seja, média de 97 mortes por dia. O número de mortes por homicídios atinge 46.641, sendo que os homens são os mais afetados por esse problema. Mais de 90% dos homicídios ocorrem com homens e o restante, com as mulheres. Quase 127 pessoas morrem diariamente em virtude de assassinatos. Entre 1980 e 2000, a taxa de mortalidade por homicídios no Brasil aumentou 130%.
Já nas mortes por causas naturais, segundo um estudo realizado pelo Ministério da Saúde, as doenças que mais matam estão ligadas a problemas no aparelho circulatório, ao aparelho respiratório, além de doenças infecciosas, parasitárias, neoplasias, etc. Doenças no aparelho respiratório foram responsáveis por 283.927 mortes, tal cifra representa 32,2% das mortes em 2005. Somente as doenças do aparelho respiratório matam mais de 700 pessoas por dia em nosso país.
O vírus influenza A (H1N1), que teve o primeiro caso registrado em nosso país no dia 7 de maio, na cidade do Rio de Janeiro, ceifou 557 vidas, até agora, segundo informações do Governo Federal. Considerando esses dados, poderíamos prever que, caso o crescimento desse vírus permaneça aos mesmos patamares, ao final de um ano teríamos aproximadamente 1.670 mortos. Ou seja, pouco mais de quatro mortes diárias.
Os dados nos dizem que talvez exista certo exagero por parte da mídia e de informações que são propagadas por meios não oficiais, como a internet, que tecem inúmeras especulações sobre a doença.
Todavia, não se pode desconsiderar a gravidade da situação, afinal, essa é apenas uma análise quantitativa do fenômeno. Existem inúmeras outras variáveis que devem ser consideradas.
Uma coisa é certa, um dos pontos positivos dessa pandemia, segundo o infectologista Alceu Fontana Pacheco, é que “a retomada dos bons hábitos de higiene ajudam a prevenir outras doenças infectocontagiosas, como por exemplo, conjuntivite, viroses respiratórias, rotavírus e doenças próprias da infância”.
OS GLADIADORES MODERNOS
No dia 21 de agosto de 2001, milhares de pessoas das mais diversas partes do estado se dirigiram para a assembléia legislativa para impedir que vendessem uma das empresas mais lucrativas do estado, que só no ano passado acumulou um lucro de R$430.000.000 (milhões) de reais e possuidora de um patrimônio líquido avaliado em R$5.000.000.000 (bilhões) de reais.
Gerando 5,786 Mw em 18 usinas a COPEL possui cerca de 3.839 funcionários, e que certamente estam com seus dias contados.
Mas o que se viu no dia 21 de agosto na praça da Assembléia Legislativa foi um palco de guerra declarada ao povo, cerca de três mil homens da polícia entre eles a tropa de choque, cavalaria, GAT –Grupo de Operações Especiais, todos eles cercando a assembléia ou infiltrados em meio a manisfestação.
Desprovida de políciais a cidade de Curitiba viu acontecer 10 assaltos a bancos.
O que viu não foi só as bandeiras ou o vermelho do sangue de manisfestantes e polícias, foi também o enrubescer das faces dos policias que tinham que atacar as pessoas que dias atrás torciam e davam apoio pela greve promovida pelas suas mulheres por melhores salários a seus maridos. Nna verdade, tanto manisfestantes e policiais ocupavam a mesma posição, ou seja, vítimas de um inimigo que se amparada pelo poder político, econômico e policial.
Muitos podem ter achado grotesca a cena de violência vista na última segunda-feira, mas essas cenas, se repetem cada vez mais quando alguma classe reclama por seus direitos. Foi assim quando os caminhoneiros protestaram contra a privatização das estradas com a implantação do pedágio e o governo usou a polícia para acabar com seus protestos, ou quando ás mulheres dos policiais militares protestavam por melhores salários para seus maridos. Mas tudo isso poderia ser evitado se existisse uma real democracia e povo fosse escutado assim como aconteceu em Londrina onde o povo foi as urnas para votar pela privatização ou não da SERCOMTEL, que acabou não sendo privatizada.
Afirmo com certeza que a violência mais nefasta e revoltante foi cometida pelos verdadeiros bandido e ladrões que se encontravam dentro da Assembléia, violência esta que atingiu todo um estado, e cerca de 9.375.592 paranaenses.
Na ocasião o Deputado Nelson Justus que deixou momentaneamente o cargo de secretario de estado que ocupada para então desempatar a votação e decidir pela privatização da COPEL. Felizmente graças a mobilização popular a COPEL não foi vendida e é hoje uma das empresas mais lucrativas do Estado e é modelo para muitas outras no mundo.
Luiz Fernando Roscoche
Gerando 5,786 Mw em 18 usinas a COPEL possui cerca de 3.839 funcionários, e que certamente estam com seus dias contados.
Mas o que se viu no dia 21 de agosto na praça da Assembléia Legislativa foi um palco de guerra declarada ao povo, cerca de três mil homens da polícia entre eles a tropa de choque, cavalaria, GAT –Grupo de Operações Especiais, todos eles cercando a assembléia ou infiltrados em meio a manisfestação.
Desprovida de políciais a cidade de Curitiba viu acontecer 10 assaltos a bancos.
O que viu não foi só as bandeiras ou o vermelho do sangue de manisfestantes e polícias, foi também o enrubescer das faces dos policias que tinham que atacar as pessoas que dias atrás torciam e davam apoio pela greve promovida pelas suas mulheres por melhores salários a seus maridos. Nna verdade, tanto manisfestantes e policiais ocupavam a mesma posição, ou seja, vítimas de um inimigo que se amparada pelo poder político, econômico e policial.
Muitos podem ter achado grotesca a cena de violência vista na última segunda-feira, mas essas cenas, se repetem cada vez mais quando alguma classe reclama por seus direitos. Foi assim quando os caminhoneiros protestaram contra a privatização das estradas com a implantação do pedágio e o governo usou a polícia para acabar com seus protestos, ou quando ás mulheres dos policiais militares protestavam por melhores salários para seus maridos. Mas tudo isso poderia ser evitado se existisse uma real democracia e povo fosse escutado assim como aconteceu em Londrina onde o povo foi as urnas para votar pela privatização ou não da SERCOMTEL, que acabou não sendo privatizada.
Afirmo com certeza que a violência mais nefasta e revoltante foi cometida pelos verdadeiros bandido e ladrões que se encontravam dentro da Assembléia, violência esta que atingiu todo um estado, e cerca de 9.375.592 paranaenses.
Na ocasião o Deputado Nelson Justus que deixou momentaneamente o cargo de secretario de estado que ocupada para então desempatar a votação e decidir pela privatização da COPEL. Felizmente graças a mobilização popular a COPEL não foi vendida e é hoje uma das empresas mais lucrativas do Estado e é modelo para muitas outras no mundo.
Luiz Fernando Roscoche
LIGAÇÕES PERIGOSAS
Assistimos a um crescimento vertiginoso no acesso a telefones nos últimos anos, seja na telefonia fixa e principalmente na telefonia móvel. Segundo a Agencia Nacional de Telecomunicações, no ano de 2007 o Brasil possui um total de 160,4 milhões de telefones, passando em 2008 para 191,8 milhões. Com relação ao número de celulares que era de 120,9 milhões em 2007 passou para 150,6 milhões em 2008, ou seja, somente em 2008 cerca de 78 em cada 100 brasileiros possuíam celular.
Esse aumento, como é de conhecimento geral, possui inúmeros aspectos positivos, mas, o que talvez poucos saibam é que a má utilização desse importante meio de comunicação pode gerar prejuízos e transtornos.
Segundo o Jornal Web Minas (27/06/2008) somente em Belo Horizonte, cerca de 67% das ligações ao corpo de bombeiros são trotes.
De um lado temos o prejuízo dos freqüentes deslocamentos desnecessários e de outro a possibilidade de colocar muitas vidas em risco quando de ocorrências reais onde o fator tempo é fundamental para salvar a vida das vitimas.
Prejuízos materiais e transtornos e todas as ordens são registrados diariamente por pessoas mal intencionadas que vendem produtos inexistentes, emitem faturas e compras que nunca foram realizadas ou que ainda roubam informações pessoais como números de documentos, dados de contas bancárias, senhas e outros.
Uma outra variável de extrema relevância mas que não pode ser mensurada em números precisos, é o trauma e o impacto emocional e psicológico provocado por ligações telefônicas que promovem o terror sistemático, ameaças, assédio moral e sexual e até simulações de seqüestros.
Alguns enxergam o trote como uma simples “brincadeirinha”. Porém, a justiça não vê dessa forma. De acordo com o Código Penal Brasileiro, existem dois tipos de penas nas quais o “trote” se enquadra, uma é interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico (Art. 266) que tem como pena de um a três anos de detenção e multa, sendo que aplica-se a pena em dobro quando o crime é cometido por ocasião de uma calamidade pública. A outra penalidade se origina no artigo 340, que considera crime o fato de comunicação falsa de crime ou de contravenção que provoque a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado. A penalidade neste caso é de um a seis meses de detenção ou multa.
Com o intuito de coibir tais práticas vários Estados como o Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina estão adotando legislações mais rígidas, principalmente visando preservar instituições que atendem a chamadas de emergência como bombeiros, forças policiais, defesa civil, etc.
Aos mais desavisados é bom lembrar que hoje, graças a tecnologia disponível não só é possível identificar as chamadas (seja no celular ou no telefone residencial) como também descobrir as origens das chamadas de um celular através da triangulação das antenas de celulares.
Luiz Fernando Roscoche
Esse aumento, como é de conhecimento geral, possui inúmeros aspectos positivos, mas, o que talvez poucos saibam é que a má utilização desse importante meio de comunicação pode gerar prejuízos e transtornos.
Segundo o Jornal Web Minas (27/06/2008) somente em Belo Horizonte, cerca de 67% das ligações ao corpo de bombeiros são trotes.
De um lado temos o prejuízo dos freqüentes deslocamentos desnecessários e de outro a possibilidade de colocar muitas vidas em risco quando de ocorrências reais onde o fator tempo é fundamental para salvar a vida das vitimas.
Prejuízos materiais e transtornos e todas as ordens são registrados diariamente por pessoas mal intencionadas que vendem produtos inexistentes, emitem faturas e compras que nunca foram realizadas ou que ainda roubam informações pessoais como números de documentos, dados de contas bancárias, senhas e outros.
Uma outra variável de extrema relevância mas que não pode ser mensurada em números precisos, é o trauma e o impacto emocional e psicológico provocado por ligações telefônicas que promovem o terror sistemático, ameaças, assédio moral e sexual e até simulações de seqüestros.
Alguns enxergam o trote como uma simples “brincadeirinha”. Porém, a justiça não vê dessa forma. De acordo com o Código Penal Brasileiro, existem dois tipos de penas nas quais o “trote” se enquadra, uma é interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico (Art. 266) que tem como pena de um a três anos de detenção e multa, sendo que aplica-se a pena em dobro quando o crime é cometido por ocasião de uma calamidade pública. A outra penalidade se origina no artigo 340, que considera crime o fato de comunicação falsa de crime ou de contravenção que provoque a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado. A penalidade neste caso é de um a seis meses de detenção ou multa.
Com o intuito de coibir tais práticas vários Estados como o Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina estão adotando legislações mais rígidas, principalmente visando preservar instituições que atendem a chamadas de emergência como bombeiros, forças policiais, defesa civil, etc.
Aos mais desavisados é bom lembrar que hoje, graças a tecnologia disponível não só é possível identificar as chamadas (seja no celular ou no telefone residencial) como também descobrir as origens das chamadas de um celular através da triangulação das antenas de celulares.
Luiz Fernando Roscoche
Um outro mundo é possível!!
São constantes as manisfestações contra o processo de globalização em todo o mundo e nos últimos anos estas tem arrebanhado um número maior de adeptos, que vêem a globalização como um grande monstro pós-moderno que destrói tudo a sua volta. O que não é verdade, pois embora cause inúmeros impactos negativos ela também proporciona inúmeros benefícios. Assim devemos nos perguntar sobre o que seria o real problema do processo de globalização. Seria a tecnologia ? A dominação de alguns países desenvolvidos em detrimento dos mais pobres ?
Um famoso físico, chamado Frijof Capra em uma de suas grandes obras, aponta que o verdadeiro problema da globalização está nos valores que se embasa o atual processo de globalização. Pois este teria como objetivo a maximização da riqueza e do poder de algumas elites, deixando de lado o bem estar social, a economia assim parece como um fim em si mesma.
A busca pelo crescimento econômico pela conquista de bens materiais, fez com que arcássemos com um alto custo não só econômico, mas também ambiental, social e cultural. O grande problema é que este custo não foi distribuído de forma justa e assim percebe-se de imediato que os recursos e os benefícios da globalização foram para os países e classes mais ricas e poderosas enquanto os custos e prejuízos do processo é arcada pelos países e populações mais pobres. O fato é que a longo prazo a situação se tornará insustentável e os custos afetaram não só uma classe ou país, mas atingiram todo o mundo.
Assim não adianta nada ficarmos criticando a tecnologia ou a globalização, mesmo porque estes são processos inexoráveis do desenvolvimento humano. Temos sim que criticar ferrenhamente e buscar uma mudança dos atuais valores que embasam o atual modelo de globalização, que beneficia o capital e não o social, que cria uma elite poderosa e rica a medida que cria uma legião de excluídos. Acredito que seja o desejo de todos, uma globalização mais humana e igualitária, que prime pelo bem estar social e ambiental e não um processo insano de destruição da vida. Acredito piamente no lema do Fórum Social Mundial,( ocorrido em Porto Alegre em 2002), que : “Um outro mundo é possível”.
Luiz Fernando Roscoche
Um famoso físico, chamado Frijof Capra em uma de suas grandes obras, aponta que o verdadeiro problema da globalização está nos valores que se embasa o atual processo de globalização. Pois este teria como objetivo a maximização da riqueza e do poder de algumas elites, deixando de lado o bem estar social, a economia assim parece como um fim em si mesma.
A busca pelo crescimento econômico pela conquista de bens materiais, fez com que arcássemos com um alto custo não só econômico, mas também ambiental, social e cultural. O grande problema é que este custo não foi distribuído de forma justa e assim percebe-se de imediato que os recursos e os benefícios da globalização foram para os países e classes mais ricas e poderosas enquanto os custos e prejuízos do processo é arcada pelos países e populações mais pobres. O fato é que a longo prazo a situação se tornará insustentável e os custos afetaram não só uma classe ou país, mas atingiram todo o mundo.
Assim não adianta nada ficarmos criticando a tecnologia ou a globalização, mesmo porque estes são processos inexoráveis do desenvolvimento humano. Temos sim que criticar ferrenhamente e buscar uma mudança dos atuais valores que embasam o atual modelo de globalização, que beneficia o capital e não o social, que cria uma elite poderosa e rica a medida que cria uma legião de excluídos. Acredito que seja o desejo de todos, uma globalização mais humana e igualitária, que prime pelo bem estar social e ambiental e não um processo insano de destruição da vida. Acredito piamente no lema do Fórum Social Mundial,( ocorrido em Porto Alegre em 2002), que : “Um outro mundo é possível”.
Luiz Fernando Roscoche
Lei do menor esforço
Com o advento do processo de globalização muitos acreditaram que esta seria uma oportunidade para democratizar o conhecimento e até mesmo facilitar muitos processos da vida moderna através do uso de novas técnicas e tecnologias. Com isso surge um culto “a lei do menor esforço”, seja em termos físicos como em termos intelectuais, os meios de transporte, o processo de alimentação, as ferramentas de trabalho tornam-se cada dia mais complexas e modernas e implicando um esforço mínimo. Até mesmo os meios de comunicação e outros agentes sociais pregam a “lei do menor esforço”, apresentando noticias e informações através de diferentes meios e sob as mais diversas formas.
Nos filmes norte-americanos, por exemplo, é comum vermos as universidades tidas como lugares de festas e orgias, onde predominam certas fraternidades, (geralmente lideradas por jogadores de futebol americano, ignorantes, fortes, bonitos e populares e sempre tendo em sua as garotas mais bonitas do colégio), por outro lado, existe um outro grupo conhecido como “nerds”, ou seja, formado por estudantes inteligentes e aplicados, que por sua vez são caracterizados como pessoas patéticas, feias e impopulares e que levam um estilo de vida enfadonho.
E como nosso país é extremamente influenciado pelo “american way life” (estilo de vida americano), é possível perceber que existe um preconceito a “inteligência” e um culto a ignorância. Estudar é coisa de C.D.F., de nerd, legal mesmo é ser malandro e faltar a aula para namorar, fumar maconha, beber ou simplesmente para causar desordem. Em nossas instituições de ensino (principalmente de ensino fundamental e médio) os alunos parecem cultuar a “lei do menor esforço”, que tem como principio básico esforço mínimo do aluno e exigência máxima dos professores e da instituição. Esta lei pressupõe um esforço intelectual mínimo, a cabulação de aulas, a prática da cola em provas, cópia de trabalhos da internet e de colegas e outros. Por outro lado, também existe a “filosofia de ser mal”, de ser um “bad boy” (garoto mal), bem no estilo norte-americano. Tal filosofia implica um comportamento quase que animalesco dos alunos, tornando-os depredadores de seu próprio ambiente de estudo e exímios agressores físicos e verbais de colegas e professores (afinal, aqueles que não conseguem chamar a atenção pelos seus dotes intelectuais, procuram chamar a atenção por agressões físicas e verbais).
A “lei do menor esforço”, não se restringe apenas a ambiente escolar, prova disso é o desejo de um grande número de pessoas em se tornar famosos jogadores de futebol, pagodeiros de fama nacional, dançarinas de algum grupo de pagode ou ainda algum político. Os desejos em torno dessas funções são alimentados pelo desejo rápido de sucesso, dinheiro, fama e poder, e na medida do possível sem fazer muito esforço.
Você já viu algum jovem externando o desejo de se tornar um cientista famoso, ou um grande escritor? Quantos jogadores de futebol ou dançarinas de pagode você vê por dia na televisão dando entrevista e quantos cientistas, escritores e professores? Você é capaz de lembrar o nome de quatro pessoas que receberam um Prêmio Nobel? Você é capaz de lembrar o nome de quatro integrantes do BIG BROTHER BRASIL?
O fato é que no discurso nos podemos até valorizar o ensino e o conhecimento mas na prática, reconhecemos e valorizamos muitas personalidades que não são reconhecidas pelo que sabem mas sim pelo poder, fama e status social que possuem ou simplesmente pelos seus atributos físicos.
Muitos setores da sociedade agradecem esta situação de acefalia da população, pois ambos podem ficar livres para manipular as pessoas da forma que desejarem, transformando as pessoas em “meios cidadãos” e “consumidores mais que perfeitos”.
Luiz Fernando Roscoche
Nos filmes norte-americanos, por exemplo, é comum vermos as universidades tidas como lugares de festas e orgias, onde predominam certas fraternidades, (geralmente lideradas por jogadores de futebol americano, ignorantes, fortes, bonitos e populares e sempre tendo em sua as garotas mais bonitas do colégio), por outro lado, existe um outro grupo conhecido como “nerds”, ou seja, formado por estudantes inteligentes e aplicados, que por sua vez são caracterizados como pessoas patéticas, feias e impopulares e que levam um estilo de vida enfadonho.
E como nosso país é extremamente influenciado pelo “american way life” (estilo de vida americano), é possível perceber que existe um preconceito a “inteligência” e um culto a ignorância. Estudar é coisa de C.D.F., de nerd, legal mesmo é ser malandro e faltar a aula para namorar, fumar maconha, beber ou simplesmente para causar desordem. Em nossas instituições de ensino (principalmente de ensino fundamental e médio) os alunos parecem cultuar a “lei do menor esforço”, que tem como principio básico esforço mínimo do aluno e exigência máxima dos professores e da instituição. Esta lei pressupõe um esforço intelectual mínimo, a cabulação de aulas, a prática da cola em provas, cópia de trabalhos da internet e de colegas e outros. Por outro lado, também existe a “filosofia de ser mal”, de ser um “bad boy” (garoto mal), bem no estilo norte-americano. Tal filosofia implica um comportamento quase que animalesco dos alunos, tornando-os depredadores de seu próprio ambiente de estudo e exímios agressores físicos e verbais de colegas e professores (afinal, aqueles que não conseguem chamar a atenção pelos seus dotes intelectuais, procuram chamar a atenção por agressões físicas e verbais).
A “lei do menor esforço”, não se restringe apenas a ambiente escolar, prova disso é o desejo de um grande número de pessoas em se tornar famosos jogadores de futebol, pagodeiros de fama nacional, dançarinas de algum grupo de pagode ou ainda algum político. Os desejos em torno dessas funções são alimentados pelo desejo rápido de sucesso, dinheiro, fama e poder, e na medida do possível sem fazer muito esforço.
Você já viu algum jovem externando o desejo de se tornar um cientista famoso, ou um grande escritor? Quantos jogadores de futebol ou dançarinas de pagode você vê por dia na televisão dando entrevista e quantos cientistas, escritores e professores? Você é capaz de lembrar o nome de quatro pessoas que receberam um Prêmio Nobel? Você é capaz de lembrar o nome de quatro integrantes do BIG BROTHER BRASIL?
O fato é que no discurso nos podemos até valorizar o ensino e o conhecimento mas na prática, reconhecemos e valorizamos muitas personalidades que não são reconhecidas pelo que sabem mas sim pelo poder, fama e status social que possuem ou simplesmente pelos seus atributos físicos.
Muitos setores da sociedade agradecem esta situação de acefalia da população, pois ambos podem ficar livres para manipular as pessoas da forma que desejarem, transformando as pessoas em “meios cidadãos” e “consumidores mais que perfeitos”.
Luiz Fernando Roscoche
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