As cidades são hoje o centro das atenções na sociedade moderna, seja pela sua importância econômica, política, cultural e ambiental.
Nosso país se torna cada dia mais urbano, possuindo uma média de mais de 80% da população vivendo nas cidades, fato este que possui tanto repercussões positivas quanto negativas na sociedade, na política, na economia, no meio ambiente e na cultura de um local.
Segundo o professor Doutor Adir Ubaldo Rech, o poder político nasceu nas cidades, sendo portanto, o embrião do Estado Moderno. Porém, o Estado passou gradativamente a se apropriar do poder e os recursos das cidades, enfraquecendo assim o poder local. É na escala local onde as necessidades do povo são efetivamente sentidas. Os órgãos do governo federal e estadual muitas vezes se mostram lentos e ineficientes no atendimento das necessidades dos munícipes.
Outro problema é a falta de autonomia legal dos estados e municípios que devem se submeter ao controle da União. Porém torna difícil em um país “continental” como o Brasil, onde os centros de poder ficam longe (seja em termos físicos ou políticos) da população, e por isso, não contemplam suas realidades. Assim, muitas vezes elaboram-se projetos, leis e outros que não possuem efetividade, legitimidade e eficiência nas escalas regionais, estaduais e locais.
O Estado por sua vez parece abrir mão de suas responsabilidades, mas não de seus recursos financeiros, prova disso é a regionalização e municipalização de muitos serviços antes prestados pelo Estado. O grande problema que se aponta é que o processo de descentralização das ações do Estado não são acompanhados de uma autonomia plena e muito menos com o repasse de recursos e o auxilio técnico necessário as escalas inferiores de governo.
Existe hoje uma profusão de normas e leis municipais que não é acompanhada proporcionalmente pela sua efetiva aplicação. Como diria o professor Doutor Adir Ubaldo Rech “cumprir as imposições legais é muito simples, mas assegurar qualidade de vida e evitar o caos é uma tarefa complexa”. Assim, não basta que as leis locais sejam cumpridas, é preciso existir um projeto de cidade mais amplo que não se restrinja a duração de mandatos políticos e que sobretudo seja reflexo dos desejos e necessidades de toda a sociedade e não somente de técnicos e dirigentes políticos.
Não é mais possível nos portarmos de maneira paternalista, esperando que o poder público revolva os problemas particulares de cada um ou de determinadas classes ou grupos sociais, devemos sim, participar de um projeto comum de cidade de maneira a gerar benefícios à toda a sociedade. Para isso, torna-se necessário que sejamos sujeitos conscientes do nosso passado e ativos na construção do presente e do futuro de nossas cidades.
A construção holística de uma cidade implica e existência e o comprometimento de todos os envolvidos de um projeto de cidade bem definido, que não fique a mercê dos interesses do mercado, crescendo de forma aleatória e caótica, flagelando a sociedade e seu meio ambiente.
A cidade segundo Aristóteles, deveria representar o auge da evolução da sociedade e da natureza humana de maneira a promover a segurança e o bem estar, porém em muitos grandes centros urbanos, a cidade representa o fim da própria dignidade humana, um local de violência, miséria e abandono.
Luiz Fernando Roscoche
quarta-feira, 17 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Outro mundo é possível
Em face a ineficiência do estado em promover a defesa dos interesses sociais, nos últimos anos viu-se crescer de maneira significativa o número de organizações não governamentais, chegando no final do século XX a atingir a cifra de 20.000 organizações. Organizações estas que vem se servindo das mesmas “armas”, do processo de globalização, ou seja, utilizando-se das tecnologias de comunicação, como a internet, por exemplo. Esta se criando gradativamente no mundo inteiro, uma rede de pessoas ligadas por interesses comuns, que trocam informações e criam mobilizações no sentido da defesa de seus interesses. Um exemplo nítido deste processo ocorreu no ano de 1999 em Seattle, nos Estados Unidos, quando mais de 50.000 mil pessoas, de 700 organizações diferentes fizeram um protesto contra a reunião da Organização Mundial do Comércio, organizada pelo Fórum nacional de sobre a Globalização. O mais interessante é perceber que dentre as organizações que participaram deste protesto contra a globalização era possível encontrar entidades ligadas a sindicatos, entidades de defesa dos direitos humanos, ambientalistas, etc. A diversidade da composição deste protesto mostra na verdade o senso de cidadania das pessoas que sabem que as políticas arbitrárias da OMC, priorizam o sistema econômico e esquecem do social, sejam eles operários, ambientalistas, funcionários públicos, etc. Muitas vezes não é raro a mídia nacional e até internacional mostrar uma visão deturpada e descontextualizada por estes movimentos sociais, tidos como exemplos de caos e desordem. Certamente podemos encontrar alguns baderneiros entre os manifestantes, mas eles certamente não são a maioria.
Por outro lado, é possível compreender estas explosões de violência quando se percebe que mesmo que se dialogue, discuta e se manifeste, a voz da sociedade não é ouvida pelas autoridades mundiais. Além de não ouvir o Estado usa da legitimação da forças policiais e militares para impedir manifestações, infringindo não só os direitos humanos, mas a própria democracia. Prova disso é que muitos países e protestos no mundo inteiro não foram o bastante para deter o ataque americano ao Iraque, que agiu de maneira unilateral e bárbara, da mesma forma com vêem procedendo em relação aos acordos ambientais internacionais.
A Coalizão de Seattle em 2001 de forma pacífica realizou no Brasil um dos maiores acontecimentos sociais do mundo, com a realização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, quando milhares de ativistas pesquisadores e outras pessoas das mais diversas partes do mundo se reuniram para discutir em torno do lema “Um outro mundo é possível”. Quase em concomitância com este evento uma pequena elite do poder mundial se reunia em Davos na Suíça para decidir o futuro econômico do mundo, através do Fórum Econômico Mundial. Percebe-se assim uma visão extremamente estreita dos líderes mundiais que enxergam o sistema econômico com um fim em si mesmo, não percebendo que este deve existir em função de uma sociedade. Sociedade esta que paga diariamente pelos impactos gerados pelo modelo econômico vigente, pois este por sua vez, se esquece que uma sociedade acaba pagando não só os custos econômicos, mas também os custos sociais e ambientais do modelo de “desenvolvimento”.
Acredito que um “Outro mundo é possível”, quando esquecemos as diferenças e nos unimos em prol da resolução de problemas em comum. Acredito ainda que a defesa de nossos direitos não deve ser feita somente por um ou outro grupo as sociedade mas sim um por todos, num exercício de cidadania.
Luiz Fernando Roscoche
Por outro lado, é possível compreender estas explosões de violência quando se percebe que mesmo que se dialogue, discuta e se manifeste, a voz da sociedade não é ouvida pelas autoridades mundiais. Além de não ouvir o Estado usa da legitimação da forças policiais e militares para impedir manifestações, infringindo não só os direitos humanos, mas a própria democracia. Prova disso é que muitos países e protestos no mundo inteiro não foram o bastante para deter o ataque americano ao Iraque, que agiu de maneira unilateral e bárbara, da mesma forma com vêem procedendo em relação aos acordos ambientais internacionais.
A Coalizão de Seattle em 2001 de forma pacífica realizou no Brasil um dos maiores acontecimentos sociais do mundo, com a realização do Fórum Social Mundial em Porto Alegre, quando milhares de ativistas pesquisadores e outras pessoas das mais diversas partes do mundo se reuniram para discutir em torno do lema “Um outro mundo é possível”. Quase em concomitância com este evento uma pequena elite do poder mundial se reunia em Davos na Suíça para decidir o futuro econômico do mundo, através do Fórum Econômico Mundial. Percebe-se assim uma visão extremamente estreita dos líderes mundiais que enxergam o sistema econômico com um fim em si mesmo, não percebendo que este deve existir em função de uma sociedade. Sociedade esta que paga diariamente pelos impactos gerados pelo modelo econômico vigente, pois este por sua vez, se esquece que uma sociedade acaba pagando não só os custos econômicos, mas também os custos sociais e ambientais do modelo de “desenvolvimento”.
Acredito que um “Outro mundo é possível”, quando esquecemos as diferenças e nos unimos em prol da resolução de problemas em comum. Acredito ainda que a defesa de nossos direitos não deve ser feita somente por um ou outro grupo as sociedade mas sim um por todos, num exercício de cidadania.
Luiz Fernando Roscoche
segunda-feira, 1 de março de 2010
TURISMO RURAL: POTENCIALIDADE OU PRODUTO?
Assim como toda pessoa possui uma vocação, as cidades possuem as suas vocações, tendências que são constatadas através de sua caracterização produtiva, de sua mão-de-obra, sua localização geográfica, e mais alguns fatores que incidem na sua identidade produtiva. Um município pode ter uma ou várias vocações produtivas.
A formação do município de Palmeira se deu essencialmente em torno do Caminho das Tropas e mais tarde pela vinda de imigrantes europeus que fizeram a agropecuária prosperar significativamente introduzindo novas técnicas de cultivo e criação de animais.
Mas não foram apenas as atividades agropecuárias que prosperaram, afinal nesta fusão de etnias entre negros, portugueses, alemães, poloneses, russos, franceses, italianos, e outros, viu-se nascer uma diversificada riqueza cultural materializada nas edificações, na gastronomia, usos e costumes e outros que ainda persistem em nosso município.
Hoje uma das principais atividades do Município de Palmeira é a produção agropecuária, e ainda, segundo dados de IBGE do senso demográfico de 2000, dão conta de que em nosso município esta porcentagem fica em 56%, e por outro lado possuímos cerca de 44% de população que vive no meio rural, estes últimos distribuídos em diversos núcleos populacionais da zona rural, com predominância das mini e pequenas propriedades rurais, onde é desenvolvida a agropecuária familiar.
Outro fato de relevante importância e que contribui para uma possível consolidação do turismo em nosso município é o fato da proximidade geográfica de grandes centros urbanos, emissores de turistas, como a cidade de Curitiba.
Partindo destes pressupostos é possível afirmar que a vocação agropecuária pode vir a contribuir para uma possível vocação turística, tornando este ultimo vir a se tornar uma alternativa de desenvolvimento aproveitando os recursos naturais e culturais, ainda preservados no meio rural e ao mesmo tempo contribuindo para diversificar a economia de pequenos proprietários rurais, e melhorando sua qualidade de vida. Fala-se em alternativa por se considerar que não é necessário ao abandono das atividades agropecuárias tradicionais em detrimento do turismo.
É inquestionável a existência de potencialidades turísticas latentes em nosso município (principalmente ligadas ao turismo rural). Todavia, a simples existência de uma potencialidade ou de uma vocação não é suficiente, havendo a necessidade de existência de um produto final capaz de ser comercializado. Tal processo, exige um esforço em conjunto de toda a sociedade, para o planejamento e consolidação do turismo de maneira integrada e interdependente a cadeia produtiva local, tornando-se assim um agente efetivo de melhoria das condições socioeconômica da população local.
Luiz Fernando Roscoche
A formação do município de Palmeira se deu essencialmente em torno do Caminho das Tropas e mais tarde pela vinda de imigrantes europeus que fizeram a agropecuária prosperar significativamente introduzindo novas técnicas de cultivo e criação de animais.
Mas não foram apenas as atividades agropecuárias que prosperaram, afinal nesta fusão de etnias entre negros, portugueses, alemães, poloneses, russos, franceses, italianos, e outros, viu-se nascer uma diversificada riqueza cultural materializada nas edificações, na gastronomia, usos e costumes e outros que ainda persistem em nosso município.
Hoje uma das principais atividades do Município de Palmeira é a produção agropecuária, e ainda, segundo dados de IBGE do senso demográfico de 2000, dão conta de que em nosso município esta porcentagem fica em 56%, e por outro lado possuímos cerca de 44% de população que vive no meio rural, estes últimos distribuídos em diversos núcleos populacionais da zona rural, com predominância das mini e pequenas propriedades rurais, onde é desenvolvida a agropecuária familiar.
Outro fato de relevante importância e que contribui para uma possível consolidação do turismo em nosso município é o fato da proximidade geográfica de grandes centros urbanos, emissores de turistas, como a cidade de Curitiba.
Partindo destes pressupostos é possível afirmar que a vocação agropecuária pode vir a contribuir para uma possível vocação turística, tornando este ultimo vir a se tornar uma alternativa de desenvolvimento aproveitando os recursos naturais e culturais, ainda preservados no meio rural e ao mesmo tempo contribuindo para diversificar a economia de pequenos proprietários rurais, e melhorando sua qualidade de vida. Fala-se em alternativa por se considerar que não é necessário ao abandono das atividades agropecuárias tradicionais em detrimento do turismo.
É inquestionável a existência de potencialidades turísticas latentes em nosso município (principalmente ligadas ao turismo rural). Todavia, a simples existência de uma potencialidade ou de uma vocação não é suficiente, havendo a necessidade de existência de um produto final capaz de ser comercializado. Tal processo, exige um esforço em conjunto de toda a sociedade, para o planejamento e consolidação do turismo de maneira integrada e interdependente a cadeia produtiva local, tornando-se assim um agente efetivo de melhoria das condições socioeconômica da população local.
Luiz Fernando Roscoche
domingo, 28 de fevereiro de 2010
PEDÁGIO: O PESADELO CONTINUA!!!!
PEDÁGIO ATÉ 2017 OU 2042???
Desde junho de 1998 o Estado do Paraná vive a amarga experiência da cobrança de pedágio. Segundo a jornalista Luciana Cristo “só no ano passado, as seis concessionárias do Anel de Integração devem ter arrecadado mais de R$ 1 bilhão com a cobrança do pedágio no Estado. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostram que, só no primeiro semestre de 2009, a receita foi de R$ 532,7 milhões, dos quais R$ 13 milhões foram de lucro”. Enquanto os lucros das concessionárias federais giram em torno de 8%, as concessionárias do Paraná lucram em torno de 20%, de acordo com o DER. Tal discrepância levou o Tribunal de Contas da União querer saber o motivo das grandes diferenças entre os pedágios das rodovias Estaduais e Federais.
Ainda segundo o DER, apenas cerca de 30% dos lucros são revertidos em melhorias nas pistas.
Segundo o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) “as empresas vão faturar o orçamento de 2009, estimado em R$ 23,6 bilhões, até o encerramento do contrato em 2021. “Com a dinheirama arrecadada, o Paraná pode construir 15 mil quilômetros de rodovias, zerar três vezes o déficit habitacional e dotar todos os 399 municípios paranaenses de toda infraestrutura necessária aos serviços públicos de educação, saúde, segurança e assistência social”.
A taxa de aumento do preço do pedágio no Estado subiu 180,83%, desde que este foi criado. O preço variou de R$ 3,22, quando as praças foram criadas para os R$ 9,03 (em média), sendo que o maior aumento foi na tarifa da concessionária Ecovia (no trecho da BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá), na qual a tarifa saltou dos iniciais R$ 3,80 para os atuais R$ 12,70, ou seja, um aumento de 234,21%.
O PASSADO...
Durante todos esses anos de vigência das concessionárias muitas foram as lutas contra as concessionárias seja por parte do governo do Estado ou da sociedade civil organizada, ambos impotentes perante a justiça.
Em uma dessas lutas, a senador da república Osmar Dias, no dia 27 de dezembro de 2000, apresentou ao senado uma moção de repúdio ao senado referente ao aumento de 20%, na época, nos pedágios cobrados nas rodovias paranaenses. Segundo a interpretação do senador, esse aumento inviabilizava setores estratégicos para a economia paranaense, em especial a agricultura e a agroindústria.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, “no ano de 2000, os preços foram reajustados e um acordo retirou algumas exigências contratuais, tais como 500 km de novas estradas que seriam construídas pelas concessionárias; postergação de obras de duplicações e contornos rodoviários para além de dez anos em relação à data de conclusão estabelecida no contrato original. Assim os usuários voltaram a pagar a mesma tarifa sem os benefícios das novas obras.”
O FUTURO AOS DEPUTADOS PERTENCE....
O atual contrato de concessão que é valido até 2017, permite que as empresas renovem por mais 25 anos, ou seja, até 2042.
Alguns esforços tentam impedir que as concessionárias tenham êxito em propagar políticas que prejudiquem a economia estadual e nacional. Nesse sentido, em meados de 2009, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) apresentou na Assembléia Legislativa requerimento que prevê a criação de uma comissão especial de para acompanhar a coleta de assinaturas e a tramitação do projeto de lei, de iniciativa popular, que regulamenta o pedágio no Brasil e acaba com a exploração e o prejuízo à economia nacional. Conforme o projeto, o pedágio só poderá ser cobrado em rodovias particulares, sendo vedada a cobrança em vias públicas. A cobrança só poderá ser feita em estrada quando coexistir rodovia paralela, pública e gratuita. O projeto proíbe o pedágio no perímetro urbano das cidades. A proposta ainda isenta da cobrança de pedágio caminhões transportadores de alimentos, carros oficiais, ambulâncias e carros de emergência similares. E veículo emplacado na cidade onde se encontra a praça coletora.
Outra proposta do projeto de lei (artigo 10º) é que em qualquer momento o Estado tenha o direito de retomar as rodovias mediante lei e decreto autorizativos, desde que realize o depósito em juízo da quantia de benfeitorias executadas pela concessionária pelos dez últimos anos de concessão.
As propostas para 2017 parecem ser boas, resta saber se estas serão efetivadas ou se a população arcará com os preços abusivos dos pedágios no Paraná. Espera-se também que a população se mobilize no sentido de pressionar seus representantes para que estes defendam seus direitos e não se vendam aos interesses das corporações.
Luiz Fernando Roscoche
Desde junho de 1998 o Estado do Paraná vive a amarga experiência da cobrança de pedágio. Segundo a jornalista Luciana Cristo “só no ano passado, as seis concessionárias do Anel de Integração devem ter arrecadado mais de R$ 1 bilhão com a cobrança do pedágio no Estado. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostram que, só no primeiro semestre de 2009, a receita foi de R$ 532,7 milhões, dos quais R$ 13 milhões foram de lucro”. Enquanto os lucros das concessionárias federais giram em torno de 8%, as concessionárias do Paraná lucram em torno de 20%, de acordo com o DER. Tal discrepância levou o Tribunal de Contas da União querer saber o motivo das grandes diferenças entre os pedágios das rodovias Estaduais e Federais.
Ainda segundo o DER, apenas cerca de 30% dos lucros são revertidos em melhorias nas pistas.
Segundo o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) “as empresas vão faturar o orçamento de 2009, estimado em R$ 23,6 bilhões, até o encerramento do contrato em 2021. “Com a dinheirama arrecadada, o Paraná pode construir 15 mil quilômetros de rodovias, zerar três vezes o déficit habitacional e dotar todos os 399 municípios paranaenses de toda infraestrutura necessária aos serviços públicos de educação, saúde, segurança e assistência social”.
A taxa de aumento do preço do pedágio no Estado subiu 180,83%, desde que este foi criado. O preço variou de R$ 3,22, quando as praças foram criadas para os R$ 9,03 (em média), sendo que o maior aumento foi na tarifa da concessionária Ecovia (no trecho da BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá), na qual a tarifa saltou dos iniciais R$ 3,80 para os atuais R$ 12,70, ou seja, um aumento de 234,21%.
O PASSADO...
Durante todos esses anos de vigência das concessionárias muitas foram as lutas contra as concessionárias seja por parte do governo do Estado ou da sociedade civil organizada, ambos impotentes perante a justiça.
Em uma dessas lutas, a senador da república Osmar Dias, no dia 27 de dezembro de 2000, apresentou ao senado uma moção de repúdio ao senado referente ao aumento de 20%, na época, nos pedágios cobrados nas rodovias paranaenses. Segundo a interpretação do senador, esse aumento inviabilizava setores estratégicos para a economia paranaense, em especial a agricultura e a agroindústria.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, “no ano de 2000, os preços foram reajustados e um acordo retirou algumas exigências contratuais, tais como 500 km de novas estradas que seriam construídas pelas concessionárias; postergação de obras de duplicações e contornos rodoviários para além de dez anos em relação à data de conclusão estabelecida no contrato original. Assim os usuários voltaram a pagar a mesma tarifa sem os benefícios das novas obras.”
O FUTURO AOS DEPUTADOS PERTENCE....
O atual contrato de concessão que é valido até 2017, permite que as empresas renovem por mais 25 anos, ou seja, até 2042.
Alguns esforços tentam impedir que as concessionárias tenham êxito em propagar políticas que prejudiquem a economia estadual e nacional. Nesse sentido, em meados de 2009, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) apresentou na Assembléia Legislativa requerimento que prevê a criação de uma comissão especial de para acompanhar a coleta de assinaturas e a tramitação do projeto de lei, de iniciativa popular, que regulamenta o pedágio no Brasil e acaba com a exploração e o prejuízo à economia nacional. Conforme o projeto, o pedágio só poderá ser cobrado em rodovias particulares, sendo vedada a cobrança em vias públicas. A cobrança só poderá ser feita em estrada quando coexistir rodovia paralela, pública e gratuita. O projeto proíbe o pedágio no perímetro urbano das cidades. A proposta ainda isenta da cobrança de pedágio caminhões transportadores de alimentos, carros oficiais, ambulâncias e carros de emergência similares. E veículo emplacado na cidade onde se encontra a praça coletora.
Outra proposta do projeto de lei (artigo 10º) é que em qualquer momento o Estado tenha o direito de retomar as rodovias mediante lei e decreto autorizativos, desde que realize o depósito em juízo da quantia de benfeitorias executadas pela concessionária pelos dez últimos anos de concessão.
As propostas para 2017 parecem ser boas, resta saber se estas serão efetivadas ou se a população arcará com os preços abusivos dos pedágios no Paraná. Espera-se também que a população se mobilize no sentido de pressionar seus representantes para que estes defendam seus direitos e não se vendam aos interesses das corporações.
Luiz Fernando Roscoche
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
BIG BABACA BRASIL
“BIG BABACA BRASIL”
Certa vez, Sérgio Augusto fez o seguinte comentário “A Holanda, que um dia nos enviou a missão de Mauricio de Nassau e ao planeta ofertou Espinoza, Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Erasmo, Frans Hals, Bert Hanstra, Mondrian, Nina Foch, Joris Ivens, Cruyff e a cerveja Amstel, agora vive de exportar uma cretina gincana televisiva cujo título vampiriza um clássico da literatura inglesa do século passado que nada tem a ver com folguedos competitivos e patacoadas exibicionistas”. Para quem não entendeu, Sérgio está fazendo uma alusão ao famigerado programa “Big Brother”, sobre o qual, uma empresa holandesa detém os direitos autorais e que alimenta o desejo voyerista de espectadores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Já o clássico da literatura inglesa, citado pelo autor, é uma referência a uma obra de George Orwell.
“Evoluímos muito” desde a Roma Antiga, não atiramos mais cristãos aos leões, agora, “o espetáculo” é proporcionado por pessoas dentro de uma “jaula de luxo”, onde nós, “os juízes”, podemos estudar e julgar o comportamento dos participantes e decidir quem leva para casa o prêmio de 1 milhão de reais. Neste mundo globalizado deixamos de falar mal da vida de nossos vizinhos e censurar seus atos para bisbilhotarmos a vida dos moradores deste zoológico hi-tec.
Mas, deixando de lado a falta de conteúdo e a bestialidade deste “espetáculo”, podemos nos ater a questões mais específicas, como por exemplo, as cifras do referido programa. Imaginem que cerca de 20.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro em apenas um “paredão”, votando em algum candidato para ser eliminado. Se estimarmos que o preço da ligação é de R$ 0,30 (trinta centavos), então teremos R$ 6.000.000,00. Mas, vamos supôr que a rede Globo fique com apenas 50% deste valor e o restante com a companhia telefônica, mesmo assim, teríamos uma arrecadação de R$ 3.000.000,00. Lembrando que isso em apenas um “paredão”. Mas a arrecadação do programa não para por aí, existe ainda o patrocínio de grandes empresas de cosméticos, cervejarias e outras, além é claro da arrecadação das assinaturas de TV e da internet para que as pessoas possam assistir o mesmo em tempo real.
Fico pensando que milhões de brasileiros ligam semanalmente para este programa, tirando dinheiro do seu bolso para participar de algo tão sem conteúdo. Em contraposição são incapazes de exercer seu direito democrático, fiscalizando os gastos públicos ou realizando campanhas para ajudar as pessoas que realmente necessitam. Alguém sabe quais foram as cifras da arrecadação destinada aos desabrigados do Estado de Santa Catarina, afetados por catástrofes climáticas?
O que indigna mais, é a idolatria aos participantes, chegando-se ao cúmulo de em uma de suas edições escutarmos o apresentador deste programa, chamá-los em uma determinada edição de “Heróis”.
Segundo o dicionário Houaiss, herói é um indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc, ou ainda indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem.
Como diria Daniela Baracat Sâmara, em uma mensagem que circula pela Internet “heróis são os milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia; são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna; são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados; são aqueles que conseguem viver com apenas um salário mínimo”.
Quer ser um verdadeiro “brother” (irmão)? Então da próxima vez ligue para contribuir para milhares de entidades assistências de caridade espalhadas pelo nosso país e pelo mundo. Quer dar um “espiadinha”, então, primeiro abra os olhos e olhe para dentro de você e, quem sabe assim, poderá enxergar com mais clareza o mundo a sua volta. Já é um bom começo!
Luiz Fernando Roscoche
Certa vez, Sérgio Augusto fez o seguinte comentário “A Holanda, que um dia nos enviou a missão de Mauricio de Nassau e ao planeta ofertou Espinoza, Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Erasmo, Frans Hals, Bert Hanstra, Mondrian, Nina Foch, Joris Ivens, Cruyff e a cerveja Amstel, agora vive de exportar uma cretina gincana televisiva cujo título vampiriza um clássico da literatura inglesa do século passado que nada tem a ver com folguedos competitivos e patacoadas exibicionistas”. Para quem não entendeu, Sérgio está fazendo uma alusão ao famigerado programa “Big Brother”, sobre o qual, uma empresa holandesa detém os direitos autorais e que alimenta o desejo voyerista de espectadores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Já o clássico da literatura inglesa, citado pelo autor, é uma referência a uma obra de George Orwell.
“Evoluímos muito” desde a Roma Antiga, não atiramos mais cristãos aos leões, agora, “o espetáculo” é proporcionado por pessoas dentro de uma “jaula de luxo”, onde nós, “os juízes”, podemos estudar e julgar o comportamento dos participantes e decidir quem leva para casa o prêmio de 1 milhão de reais. Neste mundo globalizado deixamos de falar mal da vida de nossos vizinhos e censurar seus atos para bisbilhotarmos a vida dos moradores deste zoológico hi-tec.
Mas, deixando de lado a falta de conteúdo e a bestialidade deste “espetáculo”, podemos nos ater a questões mais específicas, como por exemplo, as cifras do referido programa. Imaginem que cerca de 20.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro em apenas um “paredão”, votando em algum candidato para ser eliminado. Se estimarmos que o preço da ligação é de R$ 0,30 (trinta centavos), então teremos R$ 6.000.000,00. Mas, vamos supôr que a rede Globo fique com apenas 50% deste valor e o restante com a companhia telefônica, mesmo assim, teríamos uma arrecadação de R$ 3.000.000,00. Lembrando que isso em apenas um “paredão”. Mas a arrecadação do programa não para por aí, existe ainda o patrocínio de grandes empresas de cosméticos, cervejarias e outras, além é claro da arrecadação das assinaturas de TV e da internet para que as pessoas possam assistir o mesmo em tempo real.
Fico pensando que milhões de brasileiros ligam semanalmente para este programa, tirando dinheiro do seu bolso para participar de algo tão sem conteúdo. Em contraposição são incapazes de exercer seu direito democrático, fiscalizando os gastos públicos ou realizando campanhas para ajudar as pessoas que realmente necessitam. Alguém sabe quais foram as cifras da arrecadação destinada aos desabrigados do Estado de Santa Catarina, afetados por catástrofes climáticas?
O que indigna mais, é a idolatria aos participantes, chegando-se ao cúmulo de em uma de suas edições escutarmos o apresentador deste programa, chamá-los em uma determinada edição de “Heróis”.
Segundo o dicionário Houaiss, herói é um indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc, ou ainda indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem.
Como diria Daniela Baracat Sâmara, em uma mensagem que circula pela Internet “heróis são os milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia; são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna; são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados; são aqueles que conseguem viver com apenas um salário mínimo”.
Quer ser um verdadeiro “brother” (irmão)? Então da próxima vez ligue para contribuir para milhares de entidades assistências de caridade espalhadas pelo nosso país e pelo mundo. Quer dar um “espiadinha”, então, primeiro abra os olhos e olhe para dentro de você e, quem sabe assim, poderá enxergar com mais clareza o mundo a sua volta. Já é um bom começo!
Luiz Fernando Roscoche
Explorando professores!
Muitas pessoas acham que a vida de professor é uma grande moleza. Vamos trabalhar com um exemplo de um professor que ministra 20 horas-aula por semana na rede estadual de ensino. Na verdade, essas 20 horas-aula acabam se tornando 25 horas-aula, porque o Estado paga uma aula-preparo para cada quatro aulas efetivamente ministradas. Ou seja, para cada quatro horas o professor tem uma hora livre para que ele possa planejar suas aulas, pesquisar, corrigir provas, elaborar provas, corrigir trabalhos, etc.
O que de fato ocorre é que essas aulas preparo são uma “grande piada”, pois não permitem que o professor realize todas as atividades expostas acima. O professor que ministra 20 horas aula por semana pode possuir aproximadamente oito turmas. Se considerarmos que cada turma possui em média 35 alunos, teríamos um total de 280 alunos. Agora imaginem que para cada turma dessas, os professores tem que preparar aulas, elaborar exercícios, etc.
Um dos momentos mais extenuantes para os professores são as épocas de provas. Se antes os alunos realizavam uma recuperação apenas no final do ano, hoje o sistema paternalista de ensino possibilita que o aluno realize duas provas em cada bimestre. Caso não atinja a média ele poderá realizar uma avaliação de recuperação. Então, para cada bimestre o professor tem que elaborar 24 tipos de provas e corrigir 840 provas. Isso mesmo, 840 provas no mínimo, pois a proposta pedagógica do Estado prevê que as avaliações sejam continuadas, ou seja, podem existir muitas outras avaliações que o professor considerar necessário. Nesse sentido não estamos falando apenas de provas escritas, mas de provas orais, seminários, debates, jogos, etc. Mas considerando apenas as provas escritas obrigatórias, se considerarmos que cada prova leve 10 minutos para ser corrigida, o professor levaria 140 horas para corrigir todas. Somente no primeiro bimestre o professor deveria ministrar ao todo 275 horas-aula, ou seja, seriam necessários mais de 50% das horas-aulas para a correção de provas, sem considerar o seu processo de elaboração.
Por essa razão, muitos professores preferem realizar provas objetivas que são mais fáceis e rápidas de corrigir. O mais impressionante é que, mesmo com todas essas regalias, alguns alunos conseguem a “façanha” de não atingir a média, que em certas escolas é de 60 pontos.
Bem, mas nem tudo são avaliações. Existem também os trabalhos que, na maioria das vezes, são cópias mecânicas da internet ou de livros, muitos entregues em estado deplorável, folhas amassadas do caderno, ainda com picote, borrados, etc.
Considerando que em cada bimestre os alunos realizem dois trabalhos e supondo que cada trabalho tenha em média quatro páginas, os professores deverão ler cerca de 6.720 páginas nesse período. Supondo que o professor leve em média 1 minuto para ler cada página de trabalho e corrigi-lo, seria necessário nada menos que 112 horas para ler e corrigir todos os trabalhos de seus alunos.
Para aqueles que estão acompanhando o raciocínio, vamos relembrar que em um bimestre o professor teria 275 horas-aula. Dessas, 140 seriam destinadas à correção de provas e mais 112 horas para correção de trabalhos, totalizando, portanto, 252 horas, e sobrando apenas 23 aulas para serem efetivamente ministradas com explicações e conteúdos. Se os professores não forem interrompidos por avisos da equipe pedagógica, direção ou vendedores de livros e se os alunos cooperarem talvez ele consiga utilizar suas preciosas 23 aulas.
Claro que os professores não passam o ano todo em função de provas e trabalhos. Assim, devemos concluir que os professores realizam uma jornada dupla de trabalho e levam trabalhos e provas para corrigir em casa. As exigências sobre o professor chegam a ser desumanas, e as demandas de autoridades para que os professores sejam mais inspirados, motivados e atualizados em relação as suas aulas chega a ser ridículo mediante essa lógica. Exige-se que o professor cumpra o papel de psicólogo, amigo, pai, mãe, orientador moral e espiritual dos alunos, etc, etc, etc...
Os professores realmente interessados em ensinar não encontram condições adequadas para desenvolver aulas com a qualidade tão almejada por ele próprio, pelo governo, pais e alunos. Sem dúvida esse é um sistema que oferece muito pouco e exige muito e que prejudica quase todos.
No momento em que nosso sistema de ensino começar a demandar mais atenção a aspectos qualitativos sobre aspectos quantitativos, aí sim teremos um verdadeiro avanço.
Prof. Msc. Luiz Fernando Roscoche
O que de fato ocorre é que essas aulas preparo são uma “grande piada”, pois não permitem que o professor realize todas as atividades expostas acima. O professor que ministra 20 horas aula por semana pode possuir aproximadamente oito turmas. Se considerarmos que cada turma possui em média 35 alunos, teríamos um total de 280 alunos. Agora imaginem que para cada turma dessas, os professores tem que preparar aulas, elaborar exercícios, etc.
Um dos momentos mais extenuantes para os professores são as épocas de provas. Se antes os alunos realizavam uma recuperação apenas no final do ano, hoje o sistema paternalista de ensino possibilita que o aluno realize duas provas em cada bimestre. Caso não atinja a média ele poderá realizar uma avaliação de recuperação. Então, para cada bimestre o professor tem que elaborar 24 tipos de provas e corrigir 840 provas. Isso mesmo, 840 provas no mínimo, pois a proposta pedagógica do Estado prevê que as avaliações sejam continuadas, ou seja, podem existir muitas outras avaliações que o professor considerar necessário. Nesse sentido não estamos falando apenas de provas escritas, mas de provas orais, seminários, debates, jogos, etc. Mas considerando apenas as provas escritas obrigatórias, se considerarmos que cada prova leve 10 minutos para ser corrigida, o professor levaria 140 horas para corrigir todas. Somente no primeiro bimestre o professor deveria ministrar ao todo 275 horas-aula, ou seja, seriam necessários mais de 50% das horas-aulas para a correção de provas, sem considerar o seu processo de elaboração.
Por essa razão, muitos professores preferem realizar provas objetivas que são mais fáceis e rápidas de corrigir. O mais impressionante é que, mesmo com todas essas regalias, alguns alunos conseguem a “façanha” de não atingir a média, que em certas escolas é de 60 pontos.
Bem, mas nem tudo são avaliações. Existem também os trabalhos que, na maioria das vezes, são cópias mecânicas da internet ou de livros, muitos entregues em estado deplorável, folhas amassadas do caderno, ainda com picote, borrados, etc.
Considerando que em cada bimestre os alunos realizem dois trabalhos e supondo que cada trabalho tenha em média quatro páginas, os professores deverão ler cerca de 6.720 páginas nesse período. Supondo que o professor leve em média 1 minuto para ler cada página de trabalho e corrigi-lo, seria necessário nada menos que 112 horas para ler e corrigir todos os trabalhos de seus alunos.
Para aqueles que estão acompanhando o raciocínio, vamos relembrar que em um bimestre o professor teria 275 horas-aula. Dessas, 140 seriam destinadas à correção de provas e mais 112 horas para correção de trabalhos, totalizando, portanto, 252 horas, e sobrando apenas 23 aulas para serem efetivamente ministradas com explicações e conteúdos. Se os professores não forem interrompidos por avisos da equipe pedagógica, direção ou vendedores de livros e se os alunos cooperarem talvez ele consiga utilizar suas preciosas 23 aulas.
Claro que os professores não passam o ano todo em função de provas e trabalhos. Assim, devemos concluir que os professores realizam uma jornada dupla de trabalho e levam trabalhos e provas para corrigir em casa. As exigências sobre o professor chegam a ser desumanas, e as demandas de autoridades para que os professores sejam mais inspirados, motivados e atualizados em relação as suas aulas chega a ser ridículo mediante essa lógica. Exige-se que o professor cumpra o papel de psicólogo, amigo, pai, mãe, orientador moral e espiritual dos alunos, etc, etc, etc...
Os professores realmente interessados em ensinar não encontram condições adequadas para desenvolver aulas com a qualidade tão almejada por ele próprio, pelo governo, pais e alunos. Sem dúvida esse é um sistema que oferece muito pouco e exige muito e que prejudica quase todos.
No momento em que nosso sistema de ensino começar a demandar mais atenção a aspectos qualitativos sobre aspectos quantitativos, aí sim teremos um verdadeiro avanço.
Prof. Msc. Luiz Fernando Roscoche
NÃO LEVE PARA O LADO PESSOAL!
Como diria Hegel, “as tragédias verdadeiras no mundo não são conflitos entre o certo e o errado. São conflitos entre dois direitos." Essa frase ilustra um pouco uma situação vivida nos ambientes de trabalho no mundo e principalmente no Brasil.
Parece existir um mito em torno da idéia de que em nosso país prevalece uma total tolerância em relação a diversidade, seja ela de idéias, preceitos religiosos, sexuais, etc, mas bem sabemos que isso não é verdade.
O conflito de idéias, personalidades são uma constante em qualquer ambiente de trabalho. Uma pesquisa realizada recentemente com mais de cinco mil funcionários, em nove países, mostrou que 85% deles já presenciaram algum tipo de conflito no trabalho.
Até aí tudo bem, o conflito no trabalho não é novidade nenhuma no mundo, porém, constatou-se que os brasileiros são os que mais levam o conflito para o lado pessoal.
Se você já presenciou alguma reunião de trabalho onde as discussões centravam-se muito mais na vaidade e no ego dos seus participantes do que necessariamente nos reais problemas, não foi impressão sua, a principal causa de conflitos dentro do trabalho se dá em virtude da diferença de personalidade, conflito de ego. A pesquisa demonstrou que cerca de 49% dos entrevistados já presenciaram este tipo de conflito. As pessoas se preocupam muito mais em competir para ver quem tem mais poder do que se debruçarem sobre a solução dos problemas que realmente interessam.
Outras causas dos conflitos apontados por essa pesquisa foi o stress com 34% e a excessiva carga de trabalho, citado em 33% dos entrevistados.
Creio que este estudo deveria ser realizado nas pequenas cidades, pois ao que tudo indica os conflitos pessoais e profissionais nesses locais parecem ter um peso substancial na vida cotidiana. Antes de se avaliar a capacidade profissional de uma pessoa ela é pré-julgada por seus laços de parentesco, por seu posicionamento político, social, etc. Certos empregadores analisam seus candidatos não somente por suas habilidades profissionais, mas, também por informações sobre características de sua família (não importa quem você é sempre será lembrado por algum erro que cometeu ou que algum membro de sua família cometeu), sua ligação a partidos políticos (em pequenas cidades ou você é situação ou você é oposição), ou até mesmo pela falta de informações (se não existem informações a seu respeito na cidade você será considerado uma ameaça em potencial).
O lado pessoal parece prevalecer sobre o profissional e com isso o que vemos é o provincianismo que infecta o setor público, privado e até a sociedade civil organizada. Nesse último caso, é muito comum encontrarmos pessoas que atuam em diversas órgãos de representação mas que não possuem nenhum compromisso efetivo ou afinidade com nenhum os órgãos que representa, afinal, não se trata de debater os reais problemas dessas entidades e sim aparecer a qualquer custo, obter os louros políticos em toda e qualquer oportunidade.
Os conflitos não têm apenas o lado negativo, o conflito de ideias, por exemplo, quando conduzido com profissionalismo leva a busca de trás soluções criativas para problemas de afetam o conjunto. Saber ceder a ouvir os argumentos alheios é um claro sinal de inteligência.
Em nossa sociedade estamos rodeados por conflitos, sejam profissionais, pessoais, afetivos e outros, mas isso não quer disser que conflitos se traduzam em violência física ou moral ou disputa de poder. Mesmo estando sozinhos somos assolados por conflitos internos e existenciais, mas como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é preciso ter o caos dentro de si para dar a luz à uma estrela.
Luiz Fernando Roscoche.
Parece existir um mito em torno da idéia de que em nosso país prevalece uma total tolerância em relação a diversidade, seja ela de idéias, preceitos religiosos, sexuais, etc, mas bem sabemos que isso não é verdade.
O conflito de idéias, personalidades são uma constante em qualquer ambiente de trabalho. Uma pesquisa realizada recentemente com mais de cinco mil funcionários, em nove países, mostrou que 85% deles já presenciaram algum tipo de conflito no trabalho.
Até aí tudo bem, o conflito no trabalho não é novidade nenhuma no mundo, porém, constatou-se que os brasileiros são os que mais levam o conflito para o lado pessoal.
Se você já presenciou alguma reunião de trabalho onde as discussões centravam-se muito mais na vaidade e no ego dos seus participantes do que necessariamente nos reais problemas, não foi impressão sua, a principal causa de conflitos dentro do trabalho se dá em virtude da diferença de personalidade, conflito de ego. A pesquisa demonstrou que cerca de 49% dos entrevistados já presenciaram este tipo de conflito. As pessoas se preocupam muito mais em competir para ver quem tem mais poder do que se debruçarem sobre a solução dos problemas que realmente interessam.
Outras causas dos conflitos apontados por essa pesquisa foi o stress com 34% e a excessiva carga de trabalho, citado em 33% dos entrevistados.
Creio que este estudo deveria ser realizado nas pequenas cidades, pois ao que tudo indica os conflitos pessoais e profissionais nesses locais parecem ter um peso substancial na vida cotidiana. Antes de se avaliar a capacidade profissional de uma pessoa ela é pré-julgada por seus laços de parentesco, por seu posicionamento político, social, etc. Certos empregadores analisam seus candidatos não somente por suas habilidades profissionais, mas, também por informações sobre características de sua família (não importa quem você é sempre será lembrado por algum erro que cometeu ou que algum membro de sua família cometeu), sua ligação a partidos políticos (em pequenas cidades ou você é situação ou você é oposição), ou até mesmo pela falta de informações (se não existem informações a seu respeito na cidade você será considerado uma ameaça em potencial).
O lado pessoal parece prevalecer sobre o profissional e com isso o que vemos é o provincianismo que infecta o setor público, privado e até a sociedade civil organizada. Nesse último caso, é muito comum encontrarmos pessoas que atuam em diversas órgãos de representação mas que não possuem nenhum compromisso efetivo ou afinidade com nenhum os órgãos que representa, afinal, não se trata de debater os reais problemas dessas entidades e sim aparecer a qualquer custo, obter os louros políticos em toda e qualquer oportunidade.
Os conflitos não têm apenas o lado negativo, o conflito de ideias, por exemplo, quando conduzido com profissionalismo leva a busca de trás soluções criativas para problemas de afetam o conjunto. Saber ceder a ouvir os argumentos alheios é um claro sinal de inteligência.
Em nossa sociedade estamos rodeados por conflitos, sejam profissionais, pessoais, afetivos e outros, mas isso não quer disser que conflitos se traduzam em violência física ou moral ou disputa de poder. Mesmo estando sozinhos somos assolados por conflitos internos e existenciais, mas como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é preciso ter o caos dentro de si para dar a luz à uma estrela.
Luiz Fernando Roscoche.
A VERDADEIRA CRISE
A VERDADEIRA CRISE
Afinal qual é a verdadeira crise? Uma rápida navegada pela internet ou uma ligeira troca de canais na televisão nos mostrarão um monte de “especialistas” dando suas opiniões sobre qual seria a verdadeira crise. Economistas diriam que a crise é e sempre foi econômica, os ambientalistas diriam que a verdadeira crise é a ambiental, outros diriam que se trata de um crise política, cultural, antropológica, etc.
O fato é que enfrentamos uma crise em quase todos os setores de nossa sociedade. Um médico que deveria promover a fertilização em mulheres é acusado de assédio sexual. Os políticos a quem elegemos como nossos representantes maiores, que deveriam ser o exemplo de respeito e ética são acusados de atos secretos, contratação de parentes, desvios de verbas e outros tantos crimes. Nossos líderes religiosos que deveriam nos conduzir em busca de elevação espiritual se aproveitam da ingenuidade de seus fiéis e operam como verdadeiros bandidos roubando suas economias.
Na família os problemas são tantos que é quase impossível enumerá-los, todavia, o desrespeito parece o maior e mais grave dos problemas. Violência moral e física permeiam lares no mundo inteiro. Pais que abusam de sua autoridade, filhos que não possuem o menor respeito para com os seus pais ou por quem quer que seja.
Nas escolas os jovens querem somente o “diploma”, o conhecimento é o tipo de produto que eles pagam e não querem receber. Os pais não cobram dos filhos a aprendizado, cobram notas, da mesma forma muitas escolas estão somente preocupadas com o nível de aprovação nem se importando se realmente estão formando cidadãos ou meros receptáculos de informações. Muito conhecimento técnico é ministrado nas escolas e universidade e muito pouco se fala sobre ética.
Nos relacionamentos afetivos nos tratamos como “coisas”, tratamos o sexo oposto como um utensílio que possui uma função por determinado tempo. Realizamos um “teste-drive”, ou como diriam os mais jovens “ficamos” com a pessoa uma, duas, três vezes, mas tudo sem compromisso algum. Assim como segue a moda seguem os relacionamentos, como coisas que pode ser adquiridas, usadas e jogadas fora conforme nosso bel prazer.
Ou muito me engano ou parece que os valores se inverteram e a verdadeira crise que se abate sobre nós é a crise de valores. Corrijam-me se estiver errado, neste “novo dicionário moderno” parece não haver lugar para palavras como respeito, solidariedade, sinceridade, humildade, compaixão, compromisso, fidelidade e muitas outras. Ser honesto é o mesmo que ser “burro”, o legal mesmo é ser “malandro”. Se você demonstra respeito você é “careta”. Se é romântico é tido como um bobo. Se demonstra compaixão você é um fraco.
Muitas civilizações que já existiram não tinham o progresso tecnológico que temos hoje mas possuíam um progresso moral que estamos longe de atingir. Alguns povos que hora denominamos “selvagens” como os índios são o verdadeiro exemplo da convivência harmônica com o meio ambiente. Muito antes da palavra sustentabilidade existir os indígenas promoviam práticas sustentáveis no seu relacionamento com o natureza.
Parece que a imposição do “progresso” e do avanço tecnológico teve um custo muito alto para todos nós. A tecnologia que nos prometeu nos tornarmos pessoas mais livres do trabalho e mais dedicadas a nossa evolução, acabou em alguns casos nos aprisionando ainda mais. Como dificilmente conseguiremos satisfazer nossos desejos plenamente, tenderemos ao individualismo e é aí que muitos valores se perdem. Perde- se a consciência do coletivo social.
Parece que a máxima “conhece a ti mesmo”, de Sócrates nunca foi tão pertinente para dar o primeiro passo no caminho de uma transformação de valores que resgate o verdadeiro sentido da palavra “humanidade”.
Luiz Fernando Roscoche - Prof da UEPG.
Elisabeth Roscoche – Professora da Rede Estadual de Ensino
Afinal qual é a verdadeira crise? Uma rápida navegada pela internet ou uma ligeira troca de canais na televisão nos mostrarão um monte de “especialistas” dando suas opiniões sobre qual seria a verdadeira crise. Economistas diriam que a crise é e sempre foi econômica, os ambientalistas diriam que a verdadeira crise é a ambiental, outros diriam que se trata de um crise política, cultural, antropológica, etc.
O fato é que enfrentamos uma crise em quase todos os setores de nossa sociedade. Um médico que deveria promover a fertilização em mulheres é acusado de assédio sexual. Os políticos a quem elegemos como nossos representantes maiores, que deveriam ser o exemplo de respeito e ética são acusados de atos secretos, contratação de parentes, desvios de verbas e outros tantos crimes. Nossos líderes religiosos que deveriam nos conduzir em busca de elevação espiritual se aproveitam da ingenuidade de seus fiéis e operam como verdadeiros bandidos roubando suas economias.
Na família os problemas são tantos que é quase impossível enumerá-los, todavia, o desrespeito parece o maior e mais grave dos problemas. Violência moral e física permeiam lares no mundo inteiro. Pais que abusam de sua autoridade, filhos que não possuem o menor respeito para com os seus pais ou por quem quer que seja.
Nas escolas os jovens querem somente o “diploma”, o conhecimento é o tipo de produto que eles pagam e não querem receber. Os pais não cobram dos filhos a aprendizado, cobram notas, da mesma forma muitas escolas estão somente preocupadas com o nível de aprovação nem se importando se realmente estão formando cidadãos ou meros receptáculos de informações. Muito conhecimento técnico é ministrado nas escolas e universidade e muito pouco se fala sobre ética.
Nos relacionamentos afetivos nos tratamos como “coisas”, tratamos o sexo oposto como um utensílio que possui uma função por determinado tempo. Realizamos um “teste-drive”, ou como diriam os mais jovens “ficamos” com a pessoa uma, duas, três vezes, mas tudo sem compromisso algum. Assim como segue a moda seguem os relacionamentos, como coisas que pode ser adquiridas, usadas e jogadas fora conforme nosso bel prazer.
Ou muito me engano ou parece que os valores se inverteram e a verdadeira crise que se abate sobre nós é a crise de valores. Corrijam-me se estiver errado, neste “novo dicionário moderno” parece não haver lugar para palavras como respeito, solidariedade, sinceridade, humildade, compaixão, compromisso, fidelidade e muitas outras. Ser honesto é o mesmo que ser “burro”, o legal mesmo é ser “malandro”. Se você demonstra respeito você é “careta”. Se é romântico é tido como um bobo. Se demonstra compaixão você é um fraco.
Muitas civilizações que já existiram não tinham o progresso tecnológico que temos hoje mas possuíam um progresso moral que estamos longe de atingir. Alguns povos que hora denominamos “selvagens” como os índios são o verdadeiro exemplo da convivência harmônica com o meio ambiente. Muito antes da palavra sustentabilidade existir os indígenas promoviam práticas sustentáveis no seu relacionamento com o natureza.
Parece que a imposição do “progresso” e do avanço tecnológico teve um custo muito alto para todos nós. A tecnologia que nos prometeu nos tornarmos pessoas mais livres do trabalho e mais dedicadas a nossa evolução, acabou em alguns casos nos aprisionando ainda mais. Como dificilmente conseguiremos satisfazer nossos desejos plenamente, tenderemos ao individualismo e é aí que muitos valores se perdem. Perde- se a consciência do coletivo social.
Parece que a máxima “conhece a ti mesmo”, de Sócrates nunca foi tão pertinente para dar o primeiro passo no caminho de uma transformação de valores que resgate o verdadeiro sentido da palavra “humanidade”.
Luiz Fernando Roscoche - Prof da UEPG.
Elisabeth Roscoche – Professora da Rede Estadual de Ensino
ESCOLA: QUASE TÃO VIOLENTA QUANTO A RUA
Mas alguns podem pensar, “o que tem de perigoso em ensinar?”. Estamos falando aqui se violências físicas e principalmente morais que todos os professores sofrem no exercício de sua função, os alunos não estão só “matando aulas”, mas também professores e outras colegas e não é força de expressão.
Professores são agredidos fisicamente, tem seus carros e objetos pessoais destruídos ou roubados, sofrem ameaças de todos os tipos. Em uma pesquisa da Unesco, intitulada “Escola: quase tão violenta como a rua”, os pesquisadores levantaram que somente no Estado de São Paulo 50% dos professores dizem ter sofrido algum tipo de ameaça.
Entretanto, a principal forma de agressão contra os professores é a verbal, xingamentos, injúrias, ameaças solapam gradativamente o desejo de ensinar dos professores e afetam sua saúde mental. Exemplo disso é um estudo publicado na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência que analisada as principais causas de afastamento do trabalho dos professores da Rede Estadual de Ensino de Florianópolis. Constatou-se que cerca de 24% dos afastamentos dos professores por motivos de saúde, cerca de 41% estão afastados por doença mental, ou seja, doenças como a depressão, o stress, etc.
Uma pesquisa realizada pela UNESCO (Órgão das Nações Unidas para educação e cultura), intitulada Pesquisa de Vitimização, entrevistou, em 2003, 2.400 profissionais de seis capitais brasileiras e apontou que 86% deles admitem haver violência em seu local de trabalho.
A pesquisa detectou uma grande banalização da violência, especialmente na rede pública. Segundo os pesquisadores “tudo parece fazer parte do cotidiano. A escola vira espaço de ninguém”.
Talvez devamos considerar que até mesmo as escolas estão sendo dilapidadas por poderes paralelos. Guiomar Namo de Mello, do Conselho Nacional de Educação afirma a violência escolar está ligada a agressividade. Segundo ela a agressividade dos jovens é muito maior hoje é incentivado pela mídia. “É bonito ser violento, dá status."
Especialistas da UNESCO ressaltam que o problema da violência nas escolas é sistêmico e defendem investimentos em políticas sociais e defendem a responsabilidade dos jovens não deve recair somente sobre a escola, ou seja, as famílias, a mídia e outros mecanismos que contribuem para a educação dos jovens devem assumir suas responsabilidades diante desse cenário.
Como diria Paulo Freire “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”
LUIZ FERNANDO ROSCOCHE
Professores são agredidos fisicamente, tem seus carros e objetos pessoais destruídos ou roubados, sofrem ameaças de todos os tipos. Em uma pesquisa da Unesco, intitulada “Escola: quase tão violenta como a rua”, os pesquisadores levantaram que somente no Estado de São Paulo 50% dos professores dizem ter sofrido algum tipo de ameaça.
Entretanto, a principal forma de agressão contra os professores é a verbal, xingamentos, injúrias, ameaças solapam gradativamente o desejo de ensinar dos professores e afetam sua saúde mental. Exemplo disso é um estudo publicado na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência que analisada as principais causas de afastamento do trabalho dos professores da Rede Estadual de Ensino de Florianópolis. Constatou-se que cerca de 24% dos afastamentos dos professores por motivos de saúde, cerca de 41% estão afastados por doença mental, ou seja, doenças como a depressão, o stress, etc.
Uma pesquisa realizada pela UNESCO (Órgão das Nações Unidas para educação e cultura), intitulada Pesquisa de Vitimização, entrevistou, em 2003, 2.400 profissionais de seis capitais brasileiras e apontou que 86% deles admitem haver violência em seu local de trabalho.
A pesquisa detectou uma grande banalização da violência, especialmente na rede pública. Segundo os pesquisadores “tudo parece fazer parte do cotidiano. A escola vira espaço de ninguém”.
Talvez devamos considerar que até mesmo as escolas estão sendo dilapidadas por poderes paralelos. Guiomar Namo de Mello, do Conselho Nacional de Educação afirma a violência escolar está ligada a agressividade. Segundo ela a agressividade dos jovens é muito maior hoje é incentivado pela mídia. “É bonito ser violento, dá status."
Especialistas da UNESCO ressaltam que o problema da violência nas escolas é sistêmico e defendem investimentos em políticas sociais e defendem a responsabilidade dos jovens não deve recair somente sobre a escola, ou seja, as famílias, a mídia e outros mecanismos que contribuem para a educação dos jovens devem assumir suas responsabilidades diante desse cenário.
Como diria Paulo Freire “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”
LUIZ FERNANDO ROSCOCHE
Circular é preciso! Mas é possível?
Circular é preciso! Mas é possível?
Basta circular pelas ruas de nossa cidade para verificarmos alguns problemas. Muitos estabelecimentos comerciais infringem os locais e horários para carga e descarga de mercadorias fazendo com que a rua Conceição congestione em alguns horários. Alguns empresários simplesmente se apossam das vagas de estacionamento para uso particular ou de seus clientes. Para aqueles que não sabem (inclusive algumas “autoridades”), a rua é um espaço público e essas práticas são infrações de trânsito. O artigo 245 do Código Brasileiro de Trânsito proíbe a utilização da via para depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via. A infração é considerada grave e passível de multa. No caso de flagrante, o órgão responsável pelo transito deve recolher os obstáculos (cones, cavaletes, etc). A penalidade pode incidir sobre a pessoa ou a empresa responsável por essa ação irregular.
O artigo 246 também considera uma irregularidade “obstaculizar a via indevidamente”, uma infração considerada gravíssima sendo que “a penalidade deve ser aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre a via providenciar a sinalização de emergência, às expensas do responsável, ou, se possível, promover a desobstrução.”
Em algumas ruas, é possível encontrar resíduos de areia e pedra brita em algumas ruas, oriundos de empresas ligadas a construção civil, que, além do incomodo da sujeira para seus moradores próximos, podem se tornar um fator de risco para seus usuários, uma vez que tornam-se mais escorregadias. Cabe lembrar que no artigo 26 do Código Brasileiro de Transito diz que os usuários das vias não devem “obstruir o transito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo”.
Outro fator que obstrui o trânsito em horários de pico são as saídas de escolas e colégios quando em alguns casos observa-se a prática do estacionamento em fila dupla. Também e comum encontrarmos carros perfilados e seus ocupantes conversando despreocupadamente. Tais práticas infringem o inciso XI do artigo 181 do CTB, que proíbe que se estacione o veículo “ao lado de outro veículo em fila dupla”, sendo considerada uma infração grave com a remoção do veículo.
Os pedestres sofrem também com as calçadas, que em algumas ruas, são inexistentes ou irregulares podendo provocar acidentes em função dos seus desníveis ou até mesmo do material com qual são construídas. Obstáculos nas calçadas como lixeiras, floreiras e marquises de lojas também podem oferecer riscos aos pedestres mais desatentos. Na Rua Conceição as pessoas devem ficar ainda mais atentas pois podem ser atropeladas por ciclistas que contrariam a proibição de tráfego nessa via.
A falta de sinalização em alguns locais é outra problemática.
A poucas semanas atrás, na Rua Dom Alberto Gonçalves, próximo ao Núcleo João Paulo II um jovem que conduzia uma moto se chocou contra a traseira de um caminhão. A princípio, o caminhão não estava irregular, pois não existia nenhuma sinalização indicando ou proibindo o estacionamento de veículos naquele local.
Existe uma crescente demanda por meios de transporte e de vias. Segundo dados do Departamento Nacional de Transito de 2008, o município de Palmeira possui 10.412 veículos (entre eles: automóveis, caminhões, caminhonetes, motos, tratores, etc).
A realidade nos evidencia uma tendência nada animadora, ou seja, a infra-estrutura física e humana não cresceu proporcionalmente ao número de veículos. E, ao contrário do que muitos podem pensar, essa situação não é uma exclusividade do município de Palmeira, mas sim, uma realidade da grande maioria dos municípios brasileiros.
Não existem “culpados”, muito menos “inocentes” diante dessa problemática, existem sim, direitos e deveres esperando que seus titulares (Estado, empresas, motoristas, pedestres, legisladores, etc) assumam suas responsabilidades e funções e criem um ambiente onde circular seja possível.
Luiz Fernando Roscoche
Basta circular pelas ruas de nossa cidade para verificarmos alguns problemas. Muitos estabelecimentos comerciais infringem os locais e horários para carga e descarga de mercadorias fazendo com que a rua Conceição congestione em alguns horários. Alguns empresários simplesmente se apossam das vagas de estacionamento para uso particular ou de seus clientes. Para aqueles que não sabem (inclusive algumas “autoridades”), a rua é um espaço público e essas práticas são infrações de trânsito. O artigo 245 do Código Brasileiro de Trânsito proíbe a utilização da via para depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via. A infração é considerada grave e passível de multa. No caso de flagrante, o órgão responsável pelo transito deve recolher os obstáculos (cones, cavaletes, etc). A penalidade pode incidir sobre a pessoa ou a empresa responsável por essa ação irregular.
O artigo 246 também considera uma irregularidade “obstaculizar a via indevidamente”, uma infração considerada gravíssima sendo que “a penalidade deve ser aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre a via providenciar a sinalização de emergência, às expensas do responsável, ou, se possível, promover a desobstrução.”
Em algumas ruas, é possível encontrar resíduos de areia e pedra brita em algumas ruas, oriundos de empresas ligadas a construção civil, que, além do incomodo da sujeira para seus moradores próximos, podem se tornar um fator de risco para seus usuários, uma vez que tornam-se mais escorregadias. Cabe lembrar que no artigo 26 do Código Brasileiro de Transito diz que os usuários das vias não devem “obstruir o transito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo”.
Outro fator que obstrui o trânsito em horários de pico são as saídas de escolas e colégios quando em alguns casos observa-se a prática do estacionamento em fila dupla. Também e comum encontrarmos carros perfilados e seus ocupantes conversando despreocupadamente. Tais práticas infringem o inciso XI do artigo 181 do CTB, que proíbe que se estacione o veículo “ao lado de outro veículo em fila dupla”, sendo considerada uma infração grave com a remoção do veículo.
Os pedestres sofrem também com as calçadas, que em algumas ruas, são inexistentes ou irregulares podendo provocar acidentes em função dos seus desníveis ou até mesmo do material com qual são construídas. Obstáculos nas calçadas como lixeiras, floreiras e marquises de lojas também podem oferecer riscos aos pedestres mais desatentos. Na Rua Conceição as pessoas devem ficar ainda mais atentas pois podem ser atropeladas por ciclistas que contrariam a proibição de tráfego nessa via.
A falta de sinalização em alguns locais é outra problemática.
A poucas semanas atrás, na Rua Dom Alberto Gonçalves, próximo ao Núcleo João Paulo II um jovem que conduzia uma moto se chocou contra a traseira de um caminhão. A princípio, o caminhão não estava irregular, pois não existia nenhuma sinalização indicando ou proibindo o estacionamento de veículos naquele local.
Existe uma crescente demanda por meios de transporte e de vias. Segundo dados do Departamento Nacional de Transito de 2008, o município de Palmeira possui 10.412 veículos (entre eles: automóveis, caminhões, caminhonetes, motos, tratores, etc).
A realidade nos evidencia uma tendência nada animadora, ou seja, a infra-estrutura física e humana não cresceu proporcionalmente ao número de veículos. E, ao contrário do que muitos podem pensar, essa situação não é uma exclusividade do município de Palmeira, mas sim, uma realidade da grande maioria dos municípios brasileiros.
Não existem “culpados”, muito menos “inocentes” diante dessa problemática, existem sim, direitos e deveres esperando que seus titulares (Estado, empresas, motoristas, pedestres, legisladores, etc) assumam suas responsabilidades e funções e criem um ambiente onde circular seja possível.
Luiz Fernando Roscoche
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