domingo, 28 de fevereiro de 2010

PEDÁGIO: O PESADELO CONTINUA!!!!

PEDÁGIO ATÉ 2017 OU 2042???
Desde junho de 1998 o Estado do Paraná vive a amarga experiência da cobrança de pedágio. Segundo a jornalista Luciana Cristo “só no ano passado, as seis concessionárias do Anel de Integração devem ter arrecadado mais de R$ 1 bilhão com a cobrança do pedágio no Estado. Dados consolidados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostram que, só no primeiro semestre de 2009, a receita foi de R$ 532,7 milhões, dos quais R$ 13 milhões foram de lucro”. Enquanto os lucros das concessionárias federais giram em torno de 8%, as concessionárias do Paraná lucram em torno de 20%, de acordo com o DER. Tal discrepância levou o Tribunal de Contas da União querer saber o motivo das grandes diferenças entre os pedágios das rodovias Estaduais e Federais.
Ainda segundo o DER, apenas cerca de 30% dos lucros são revertidos em melhorias nas pistas.
Segundo o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) “as empresas vão faturar o orçamento de 2009, estimado em R$ 23,6 bilhões, até o encerramento do contrato em 2021. “Com a dinheirama arrecadada, o Paraná pode construir 15 mil quilômetros de rodovias, zerar três vezes o déficit habitacional e dotar todos os 399 municípios paranaenses de toda infraestrutura necessária aos serviços públicos de educação, saúde, segurança e assistência social”.
A taxa de aumento do preço do pedágio no Estado subiu 180,83%, desde que este foi criado. O preço variou de R$ 3,22, quando as praças foram criadas para os R$ 9,03 (em média), sendo que o maior aumento foi na tarifa da concessionária Ecovia (no trecho da BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá), na qual a tarifa saltou dos iniciais R$ 3,80 para os atuais R$ 12,70, ou seja, um aumento de 234,21%.
O PASSADO...
Durante todos esses anos de vigência das concessionárias muitas foram as lutas contra as concessionárias seja por parte do governo do Estado ou da sociedade civil organizada, ambos impotentes perante a justiça.
Em uma dessas lutas, a senador da república Osmar Dias, no dia 27 de dezembro de 2000, apresentou ao senado uma moção de repúdio ao senado referente ao aumento de 20%, na época, nos pedágios cobrados nas rodovias paranaenses. Segundo a interpretação do senador, esse aumento inviabilizava setores estratégicos para a economia paranaense, em especial a agricultura e a agroindústria.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, “no ano de 2000, os preços foram reajustados e um acordo retirou algumas exigências contratuais, tais como 500 km de novas estradas que seriam construídas pelas concessionárias; postergação de obras de duplicações e contornos rodoviários para além de dez anos em relação à data de conclusão estabelecida no contrato original. Assim os usuários voltaram a pagar a mesma tarifa sem os benefícios das novas obras.”
O FUTURO AOS DEPUTADOS PERTENCE....
O atual contrato de concessão que é valido até 2017, permite que as empresas renovem por mais 25 anos, ou seja, até 2042.
Alguns esforços tentam impedir que as concessionárias tenham êxito em propagar políticas que prejudiquem a economia estadual e nacional. Nesse sentido, em meados de 2009, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB) apresentou na Assembléia Legislativa requerimento que prevê a criação de uma comissão especial de para acompanhar a coleta de assinaturas e a tramitação do projeto de lei, de iniciativa popular, que regulamenta o pedágio no Brasil e acaba com a exploração e o prejuízo à economia nacional. Conforme o projeto, o pedágio só poderá ser cobrado em rodovias particulares, sendo vedada a cobrança em vias públicas. A cobrança só poderá ser feita em estrada quando coexistir rodovia paralela, pública e gratuita. O projeto proíbe o pedágio no perímetro urbano das cidades. A proposta ainda isenta da cobrança de pedágio caminhões transportadores de alimentos, carros oficiais, ambulâncias e carros de emergência similares. E veículo emplacado na cidade onde se encontra a praça coletora.
Outra proposta do projeto de lei (artigo 10º) é que em qualquer momento o Estado tenha o direito de retomar as rodovias mediante lei e decreto autorizativos, desde que realize o depósito em juízo da quantia de benfeitorias executadas pela concessionária pelos dez últimos anos de concessão.
As propostas para 2017 parecem ser boas, resta saber se estas serão efetivadas ou se a população arcará com os preços abusivos dos pedágios no Paraná. Espera-se também que a população se mobilize no sentido de pressionar seus representantes para que estes defendam seus direitos e não se vendam aos interesses das corporações.

Luiz Fernando Roscoche

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

BIG BABACA BRASIL

“BIG BABACA BRASIL”
Certa vez, Sérgio Augusto fez o seguinte comentário “A Holanda, que um dia nos enviou a missão de Mauricio de Nassau e ao planeta ofertou Espinoza, Rembrandt, Vermeer, Van Gogh, Erasmo, Frans Hals, Bert Hanstra, Mondrian, Nina Foch, Joris Ivens, Cruyff e a cerveja Amstel, agora vive de exportar uma cretina gincana televisiva cujo título vampiriza um clássico da literatura inglesa do século passado que nada tem a ver com folguedos competitivos e patacoadas exibicionistas”. Para quem não entendeu, Sérgio está fazendo uma alusão ao famigerado programa “Big Brother”, sobre o qual, uma empresa holandesa detém os direitos autorais e que alimenta o desejo voyerista de espectadores em todo o mundo, inclusive no Brasil. Já o clássico da literatura inglesa, citado pelo autor, é uma referência a uma obra de George Orwell.
“Evoluímos muito” desde a Roma Antiga, não atiramos mais cristãos aos leões, agora, “o espetáculo” é proporcionado por pessoas dentro de uma “jaula de luxo”, onde nós, “os juízes”, podemos estudar e julgar o comportamento dos participantes e decidir quem leva para casa o prêmio de 1 milhão de reais. Neste mundo globalizado deixamos de falar mal da vida de nossos vizinhos e censurar seus atos para bisbilhotarmos a vida dos moradores deste zoológico hi-tec.
Mas, deixando de lado a falta de conteúdo e a bestialidade deste “espetáculo”, podemos nos ater a questões mais específicas, como por exemplo, as cifras do referido programa. Imaginem que cerca de 20.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro em apenas um “paredão”, votando em algum candidato para ser eliminado. Se estimarmos que o preço da ligação é de R$ 0,30 (trinta centavos), então teremos R$ 6.000.000,00. Mas, vamos supôr que a rede Globo fique com apenas 50% deste valor e o restante com a companhia telefônica, mesmo assim, teríamos uma arrecadação de R$ 3.000.000,00. Lembrando que isso em apenas um “paredão”. Mas a arrecadação do programa não para por aí, existe ainda o patrocínio de grandes empresas de cosméticos, cervejarias e outras, além é claro da arrecadação das assinaturas de TV e da internet para que as pessoas possam assistir o mesmo em tempo real.
Fico pensando que milhões de brasileiros ligam semanalmente para este programa, tirando dinheiro do seu bolso para participar de algo tão sem conteúdo. Em contraposição são incapazes de exercer seu direito democrático, fiscalizando os gastos públicos ou realizando campanhas para ajudar as pessoas que realmente necessitam. Alguém sabe quais foram as cifras da arrecadação destinada aos desabrigados do Estado de Santa Catarina, afetados por catástrofes climáticas?
O que indigna mais, é a idolatria aos participantes, chegando-se ao cúmulo de em uma de suas edições escutarmos o apresentador deste programa, chamá-los em uma determinada edição de “Heróis”.
Segundo o dicionário Houaiss, herói é um indivíduo notabilizado por seus feitos guerreiros, sua coragem, tenacidade, abnegação, magnanimidade etc, ou ainda indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem.
Como diria Daniela Baracat Sâmara, em uma mensagem que circula pela Internet “heróis são os milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia; são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna; são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados; são aqueles que conseguem viver com apenas um salário mínimo”.
Quer ser um verdadeiro “brother” (irmão)? Então da próxima vez ligue para contribuir para milhares de entidades assistências de caridade espalhadas pelo nosso país e pelo mundo. Quer dar um “espiadinha”, então, primeiro abra os olhos e olhe para dentro de você e, quem sabe assim, poderá enxergar com mais clareza o mundo a sua volta. Já é um bom começo!

Luiz Fernando Roscoche

Explorando professores!

Muitas pessoas acham que a vida de professor é uma grande moleza. Vamos trabalhar com um exemplo de um professor que ministra 20 horas-aula por semana na rede estadual de ensino. Na verdade, essas 20 horas-aula acabam se tornando 25 horas-aula, porque o Estado paga uma aula-preparo para cada quatro aulas efetivamente ministradas. Ou seja, para cada quatro horas o professor tem uma hora livre para que ele possa planejar suas aulas, pesquisar, corrigir provas, elaborar provas, corrigir trabalhos, etc.
O que de fato ocorre é que essas aulas preparo são uma “grande piada”, pois não permitem que o professor realize todas as atividades expostas acima. O professor que ministra 20 horas aula por semana pode possuir aproximadamente oito turmas. Se considerarmos que cada turma possui em média 35 alunos, teríamos um total de 280 alunos. Agora imaginem que para cada turma dessas, os professores tem que preparar aulas, elaborar exercícios, etc.
Um dos momentos mais extenuantes para os professores são as épocas de provas. Se antes os alunos realizavam uma recuperação apenas no final do ano, hoje o sistema paternalista de ensino possibilita que o aluno realize duas provas em cada bimestre. Caso não atinja a média ele poderá realizar uma avaliação de recuperação. Então, para cada bimestre o professor tem que elaborar 24 tipos de provas e corrigir 840 provas. Isso mesmo, 840 provas no mínimo, pois a proposta pedagógica do Estado prevê que as avaliações sejam continuadas, ou seja, podem existir muitas outras avaliações que o professor considerar necessário. Nesse sentido não estamos falando apenas de provas escritas, mas de provas orais, seminários, debates, jogos, etc. Mas considerando apenas as provas escritas obrigatórias, se considerarmos que cada prova leve 10 minutos para ser corrigida, o professor levaria 140 horas para corrigir todas. Somente no primeiro bimestre o professor deveria ministrar ao todo 275 horas-aula, ou seja, seriam necessários mais de 50% das horas-aulas para a correção de provas, sem considerar o seu processo de elaboração.
Por essa razão, muitos professores preferem realizar provas objetivas que são mais fáceis e rápidas de corrigir. O mais impressionante é que, mesmo com todas essas regalias, alguns alunos conseguem a “façanha” de não atingir a média, que em certas escolas é de 60 pontos.
Bem, mas nem tudo são avaliações. Existem também os trabalhos que, na maioria das vezes, são cópias mecânicas da internet ou de livros, muitos entregues em estado deplorável, folhas amassadas do caderno, ainda com picote, borrados, etc.
Considerando que em cada bimestre os alunos realizem dois trabalhos e supondo que cada trabalho tenha em média quatro páginas, os professores deverão ler cerca de 6.720 páginas nesse período. Supondo que o professor leve em média 1 minuto para ler cada página de trabalho e corrigi-lo, seria necessário nada menos que 112 horas para ler e corrigir todos os trabalhos de seus alunos.
Para aqueles que estão acompanhando o raciocínio, vamos relembrar que em um bimestre o professor teria 275 horas-aula. Dessas, 140 seriam destinadas à correção de provas e mais 112 horas para correção de trabalhos, totalizando, portanto, 252 horas, e sobrando apenas 23 aulas para serem efetivamente ministradas com explicações e conteúdos. Se os professores não forem interrompidos por avisos da equipe pedagógica, direção ou vendedores de livros e se os alunos cooperarem talvez ele consiga utilizar suas preciosas 23 aulas.
Claro que os professores não passam o ano todo em função de provas e trabalhos. Assim, devemos concluir que os professores realizam uma jornada dupla de trabalho e levam trabalhos e provas para corrigir em casa. As exigências sobre o professor chegam a ser desumanas, e as demandas de autoridades para que os professores sejam mais inspirados, motivados e atualizados em relação as suas aulas chega a ser ridículo mediante essa lógica. Exige-se que o professor cumpra o papel de psicólogo, amigo, pai, mãe, orientador moral e espiritual dos alunos, etc, etc, etc...
Os professores realmente interessados em ensinar não encontram condições adequadas para desenvolver aulas com a qualidade tão almejada por ele próprio, pelo governo, pais e alunos. Sem dúvida esse é um sistema que oferece muito pouco e exige muito e que prejudica quase todos.
No momento em que nosso sistema de ensino começar a demandar mais atenção a aspectos qualitativos sobre aspectos quantitativos, aí sim teremos um verdadeiro avanço.

Prof. Msc. Luiz Fernando Roscoche

NÃO LEVE PARA O LADO PESSOAL!

Como diria Hegel, “as tragédias verdadeiras no mundo não são conflitos entre o certo e o errado. São conflitos entre dois direitos." Essa frase ilustra um pouco uma situação vivida nos ambientes de trabalho no mundo e principalmente no Brasil.
Parece existir um mito em torno da idéia de que em nosso país prevalece uma total tolerância em relação a diversidade, seja ela de idéias, preceitos religiosos, sexuais, etc, mas bem sabemos que isso não é verdade.
O conflito de idéias, personalidades são uma constante em qualquer ambiente de trabalho. Uma pesquisa realizada recentemente com mais de cinco mil funcionários, em nove países, mostrou que 85% deles já presenciaram algum tipo de conflito no trabalho.
Até aí tudo bem, o conflito no trabalho não é novidade nenhuma no mundo, porém, constatou-se que os brasileiros são os que mais levam o conflito para o lado pessoal.
Se você já presenciou alguma reunião de trabalho onde as discussões centravam-se muito mais na vaidade e no ego dos seus participantes do que necessariamente nos reais problemas, não foi impressão sua, a principal causa de conflitos dentro do trabalho se dá em virtude da diferença de personalidade, conflito de ego. A pesquisa demonstrou que cerca de 49% dos entrevistados já presenciaram este tipo de conflito. As pessoas se preocupam muito mais em competir para ver quem tem mais poder do que se debruçarem sobre a solução dos problemas que realmente interessam.
Outras causas dos conflitos apontados por essa pesquisa foi o stress com 34% e a excessiva carga de trabalho, citado em 33% dos entrevistados.
Creio que este estudo deveria ser realizado nas pequenas cidades, pois ao que tudo indica os conflitos pessoais e profissionais nesses locais parecem ter um peso substancial na vida cotidiana. Antes de se avaliar a capacidade profissional de uma pessoa ela é pré-julgada por seus laços de parentesco, por seu posicionamento político, social, etc. Certos empregadores analisam seus candidatos não somente por suas habilidades profissionais, mas, também por informações sobre características de sua família (não importa quem você é sempre será lembrado por algum erro que cometeu ou que algum membro de sua família cometeu), sua ligação a partidos políticos (em pequenas cidades ou você é situação ou você é oposição), ou até mesmo pela falta de informações (se não existem informações a seu respeito na cidade você será considerado uma ameaça em potencial).
O lado pessoal parece prevalecer sobre o profissional e com isso o que vemos é o provincianismo que infecta o setor público, privado e até a sociedade civil organizada. Nesse último caso, é muito comum encontrarmos pessoas que atuam em diversas órgãos de representação mas que não possuem nenhum compromisso efetivo ou afinidade com nenhum os órgãos que representa, afinal, não se trata de debater os reais problemas dessas entidades e sim aparecer a qualquer custo, obter os louros políticos em toda e qualquer oportunidade.
Os conflitos não têm apenas o lado negativo, o conflito de ideias, por exemplo, quando conduzido com profissionalismo leva a busca de trás soluções criativas para problemas de afetam o conjunto. Saber ceder a ouvir os argumentos alheios é um claro sinal de inteligência.
Em nossa sociedade estamos rodeados por conflitos, sejam profissionais, pessoais, afetivos e outros, mas isso não quer disser que conflitos se traduzam em violência física ou moral ou disputa de poder. Mesmo estando sozinhos somos assolados por conflitos internos e existenciais, mas como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, é preciso ter o caos dentro de si para dar a luz à uma estrela.

Luiz Fernando Roscoche.

A VERDADEIRA CRISE

A VERDADEIRA CRISE
Afinal qual é a verdadeira crise? Uma rápida navegada pela internet ou uma ligeira troca de canais na televisão nos mostrarão um monte de “especialistas” dando suas opiniões sobre qual seria a verdadeira crise. Economistas diriam que a crise é e sempre foi econômica, os ambientalistas diriam que a verdadeira crise é a ambiental, outros diriam que se trata de um crise política, cultural, antropológica, etc.
O fato é que enfrentamos uma crise em quase todos os setores de nossa sociedade. Um médico que deveria promover a fertilização em mulheres é acusado de assédio sexual. Os políticos a quem elegemos como nossos representantes maiores, que deveriam ser o exemplo de respeito e ética são acusados de atos secretos, contratação de parentes, desvios de verbas e outros tantos crimes. Nossos líderes religiosos que deveriam nos conduzir em busca de elevação espiritual se aproveitam da ingenuidade de seus fiéis e operam como verdadeiros bandidos roubando suas economias.
Na família os problemas são tantos que é quase impossível enumerá-los, todavia, o desrespeito parece o maior e mais grave dos problemas. Violência moral e física permeiam lares no mundo inteiro. Pais que abusam de sua autoridade, filhos que não possuem o menor respeito para com os seus pais ou por quem quer que seja.
Nas escolas os jovens querem somente o “diploma”, o conhecimento é o tipo de produto que eles pagam e não querem receber. Os pais não cobram dos filhos a aprendizado, cobram notas, da mesma forma muitas escolas estão somente preocupadas com o nível de aprovação nem se importando se realmente estão formando cidadãos ou meros receptáculos de informações. Muito conhecimento técnico é ministrado nas escolas e universidade e muito pouco se fala sobre ética.
Nos relacionamentos afetivos nos tratamos como “coisas”, tratamos o sexo oposto como um utensílio que possui uma função por determinado tempo. Realizamos um “teste-drive”, ou como diriam os mais jovens “ficamos” com a pessoa uma, duas, três vezes, mas tudo sem compromisso algum. Assim como segue a moda seguem os relacionamentos, como coisas que pode ser adquiridas, usadas e jogadas fora conforme nosso bel prazer.
Ou muito me engano ou parece que os valores se inverteram e a verdadeira crise que se abate sobre nós é a crise de valores. Corrijam-me se estiver errado, neste “novo dicionário moderno” parece não haver lugar para palavras como respeito, solidariedade, sinceridade, humildade, compaixão, compromisso, fidelidade e muitas outras. Ser honesto é o mesmo que ser “burro”, o legal mesmo é ser “malandro”. Se você demonstra respeito você é “careta”. Se é romântico é tido como um bobo. Se demonstra compaixão você é um fraco.
Muitas civilizações que já existiram não tinham o progresso tecnológico que temos hoje mas possuíam um progresso moral que estamos longe de atingir. Alguns povos que hora denominamos “selvagens” como os índios são o verdadeiro exemplo da convivência harmônica com o meio ambiente. Muito antes da palavra sustentabilidade existir os indígenas promoviam práticas sustentáveis no seu relacionamento com o natureza.
Parece que a imposição do “progresso” e do avanço tecnológico teve um custo muito alto para todos nós. A tecnologia que nos prometeu nos tornarmos pessoas mais livres do trabalho e mais dedicadas a nossa evolução, acabou em alguns casos nos aprisionando ainda mais. Como dificilmente conseguiremos satisfazer nossos desejos plenamente, tenderemos ao individualismo e é aí que muitos valores se perdem. Perde- se a consciência do coletivo social.
Parece que a máxima “conhece a ti mesmo”, de Sócrates nunca foi tão pertinente para dar o primeiro passo no caminho de uma transformação de valores que resgate o verdadeiro sentido da palavra “humanidade”.
Luiz Fernando Roscoche - Prof da UEPG.
Elisabeth Roscoche – Professora da Rede Estadual de Ensino

ESCOLA: QUASE TÃO VIOLENTA QUANTO A RUA

Mas alguns podem pensar, “o que tem de perigoso em ensinar?”. Estamos falando aqui se violências físicas e principalmente morais que todos os professores sofrem no exercício de sua função, os alunos não estão só “matando aulas”, mas também professores e outras colegas e não é força de expressão.
Professores são agredidos fisicamente, tem seus carros e objetos pessoais destruídos ou roubados, sofrem ameaças de todos os tipos. Em uma pesquisa da Unesco, intitulada “Escola: quase tão violenta como a rua”, os pesquisadores levantaram que somente no Estado de São Paulo 50% dos professores dizem ter sofrido algum tipo de ameaça.
Entretanto, a principal forma de agressão contra os professores é a verbal, xingamentos, injúrias, ameaças solapam gradativamente o desejo de ensinar dos professores e afetam sua saúde mental. Exemplo disso é um estudo publicado na 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência que analisada as principais causas de afastamento do trabalho dos professores da Rede Estadual de Ensino de Florianópolis. Constatou-se que cerca de 24% dos afastamentos dos professores por motivos de saúde, cerca de 41% estão afastados por doença mental, ou seja, doenças como a depressão, o stress, etc.
Uma pesquisa realizada pela UNESCO (Órgão das Nações Unidas para educação e cultura), intitulada Pesquisa de Vitimização, entrevistou, em 2003, 2.400 profissionais de seis capitais brasileiras e apontou que 86% deles admitem haver violência em seu local de trabalho.
A pesquisa detectou uma grande banalização da violência, especialmente na rede pública. Segundo os pesquisadores “tudo parece fazer parte do cotidiano. A escola vira espaço de ninguém”.
Talvez devamos considerar que até mesmo as escolas estão sendo dilapidadas por poderes paralelos. Guiomar Namo de Mello, do Conselho Nacional de Educação afirma a violência escolar está ligada a agressividade. Segundo ela a agressividade dos jovens é muito maior hoje é incentivado pela mídia. “É bonito ser violento, dá status."
Especialistas da UNESCO ressaltam que o problema da violência nas escolas é sistêmico e defendem investimentos em políticas sociais e defendem a responsabilidade dos jovens não deve recair somente sobre a escola, ou seja, as famílias, a mídia e outros mecanismos que contribuem para a educação dos jovens devem assumir suas responsabilidades diante desse cenário.
Como diria Paulo Freire “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.”

LUIZ FERNANDO ROSCOCHE

Circular é preciso! Mas é possível?

Circular é preciso! Mas é possível?
Basta circular pelas ruas de nossa cidade para verificarmos alguns problemas. Muitos estabelecimentos comerciais infringem os locais e horários para carga e descarga de mercadorias fazendo com que a rua Conceição congestione em alguns horários. Alguns empresários simplesmente se apossam das vagas de estacionamento para uso particular ou de seus clientes. Para aqueles que não sabem (inclusive algumas “autoridades”), a rua é um espaço público e essas práticas são infrações de trânsito. O artigo 245 do Código Brasileiro de Trânsito proíbe a utilização da via para depósito de mercadorias, materiais ou equipamentos, sem autorização do órgão ou entidade de trânsito com circunscrição sobre a via. A infração é considerada grave e passível de multa. No caso de flagrante, o órgão responsável pelo transito deve recolher os obstáculos (cones, cavaletes, etc). A penalidade pode incidir sobre a pessoa ou a empresa responsável por essa ação irregular.
O artigo 246 também considera uma irregularidade “obstaculizar a via indevidamente”, uma infração considerada gravíssima sendo que “a penalidade deve ser aplicada à pessoa física ou jurídica responsável pela obstrução, devendo a autoridade com circunscrição sobre a via providenciar a sinalização de emergência, às expensas do responsável, ou, se possível, promover a desobstrução.”
Em algumas ruas, é possível encontrar resíduos de areia e pedra brita em algumas ruas, oriundos de empresas ligadas a construção civil, que, além do incomodo da sujeira para seus moradores próximos, podem se tornar um fator de risco para seus usuários, uma vez que tornam-se mais escorregadias. Cabe lembrar que no artigo 26 do Código Brasileiro de Transito diz que os usuários das vias não devem “obstruir o transito ou torná-lo perigoso, atirando, depositando ou abandonando na via objetos ou substâncias, ou nela criando qualquer outro obstáculo”.
Outro fator que obstrui o trânsito em horários de pico são as saídas de escolas e colégios quando em alguns casos observa-se a prática do estacionamento em fila dupla. Também e comum encontrarmos carros perfilados e seus ocupantes conversando despreocupadamente. Tais práticas infringem o inciso XI do artigo 181 do CTB, que proíbe que se estacione o veículo “ao lado de outro veículo em fila dupla”, sendo considerada uma infração grave com a remoção do veículo.
Os pedestres sofrem também com as calçadas, que em algumas ruas, são inexistentes ou irregulares podendo provocar acidentes em função dos seus desníveis ou até mesmo do material com qual são construídas. Obstáculos nas calçadas como lixeiras, floreiras e marquises de lojas também podem oferecer riscos aos pedestres mais desatentos. Na Rua Conceição as pessoas devem ficar ainda mais atentas pois podem ser atropeladas por ciclistas que contrariam a proibição de tráfego nessa via.
A falta de sinalização em alguns locais é outra problemática.
A poucas semanas atrás, na Rua Dom Alberto Gonçalves, próximo ao Núcleo João Paulo II um jovem que conduzia uma moto se chocou contra a traseira de um caminhão. A princípio, o caminhão não estava irregular, pois não existia nenhuma sinalização indicando ou proibindo o estacionamento de veículos naquele local.
Existe uma crescente demanda por meios de transporte e de vias. Segundo dados do Departamento Nacional de Transito de 2008, o município de Palmeira possui 10.412 veículos (entre eles: automóveis, caminhões, caminhonetes, motos, tratores, etc).
A realidade nos evidencia uma tendência nada animadora, ou seja, a infra-estrutura física e humana não cresceu proporcionalmente ao número de veículos. E, ao contrário do que muitos podem pensar, essa situação não é uma exclusividade do município de Palmeira, mas sim, uma realidade da grande maioria dos municípios brasileiros.
Não existem “culpados”, muito menos “inocentes” diante dessa problemática, existem sim, direitos e deveres esperando que seus titulares (Estado, empresas, motoristas, pedestres, legisladores, etc) assumam suas responsabilidades e funções e criem um ambiente onde circular seja possível.

Luiz Fernando Roscoche

GRIPE SUÍNA: QUESTÃO DE VIDA OU MORTE...

QUESTÃO DE VIDA OU MORTE...

Estamos diante de um grande dilema: acreditamos nos dados oficiais do governo sobre a gripe suína ou acreditamos nas teorias alarmantes que dizem que a situação estaria muito pior do que poderíamos imaginar. A maioria das pessoas está confusa, pois o mesmo governo que diz que o vírus é somente uma gripe é também aquele que interrompe atividades escolares, serviços públicos, etc.

Especulações à parte, o grande medo que paira sobre a população, seja no Brasil e no mundo, é o fácil contágio e principalmente o risco de morte que a doença oferece em alguns casos. Baseando-se nesses pressupostos, nada mais coerente que analisar a situação a partir de contextualização, dados e informações.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2005 no Brasil, morreram 1.006.827 pessoas. Desse montante apenas 12,5% deles foram por causas externas, ou seja, não morreram por causas naturais, mas em virtude de acidentes de trânsito, assassinatos, suicídios, etc. Os acidentes de trânsito totalizaram no ano de 2005, 35.720 mortes. Ou seja, média de 97 mortes por dia. O número de mortes por homicídios atinge 46.641, sendo que os homens são os mais afetados por esse problema. Mais de 90% dos homicídios ocorrem com homens e o restante, com as mulheres. Quase 127 pessoas morrem diariamente em virtude de assassinatos. Entre 1980 e 2000, a taxa de mortalidade por homicídios no Brasil aumentou 130%.

Já nas mortes por causas naturais, segundo um estudo realizado pelo Ministério da Saúde, as doenças que mais matam estão ligadas a problemas no aparelho circulatório, ao aparelho respiratório, além de doenças infecciosas, parasitárias, neoplasias, etc. Doenças no aparelho respiratório foram responsáveis por 283.927 mortes, tal cifra representa 32,2% das mortes em 2005. Somente as doenças do aparelho respiratório matam mais de 700 pessoas por dia em nosso país.

O vírus influenza A (H1N1), que teve o primeiro caso registrado em nosso país no dia 7 de maio, na cidade do Rio de Janeiro, ceifou 557 vidas, até agora, segundo informações do Governo Federal. Considerando esses dados, poderíamos prever que, caso o crescimento desse vírus permaneça aos mesmos patamares, ao final de um ano teríamos aproximadamente 1.670 mortos. Ou seja, pouco mais de quatro mortes diárias.

Os dados nos dizem que talvez exista certo exagero por parte da mídia e de informações que são propagadas por meios não oficiais, como a internet, que tecem inúmeras especulações sobre a doença.

Todavia, não se pode desconsiderar a gravidade da situação, afinal, essa é apenas uma análise quantitativa do fenômeno. Existem inúmeras outras variáveis que devem ser consideradas.

Uma coisa é certa, um dos pontos positivos dessa pandemia, segundo o infectologista Alceu Fontana Pacheco, é que “a retomada dos bons hábitos de higiene ajudam a prevenir outras doenças infectocontagiosas, como por exemplo, conjuntivite, viroses respiratórias, rotavírus e doenças próprias da infância”.

CONTRADIÇÃO NA EDUCAÇÃO

CONTRADIÇÃO NA EDUCAÇÃO
Em matéria publicada dia 14 de abril na revista época, mostra que depois de muitos problemas econômicos, o nosso país passa por uma nova fase, a escassez de mão-de-obra qualificada. Segundo essa matéria inúmeras empresas brasileiras, não conseguem completar seu quadro funcional devido a falta de profissionais, principalmente no setor de engenharia, tecnologia, agronegócios, e outros. Os autores por sua vez, atribuem essa problemática a péssima qualidade da educação, justificando seus argumentos em uma pesquisa realizada pelo Programa Internacional de Avaliação do Estudante, e que, coloca os alunos brasileiros com um dos piores desempenhos do mundo. Segundo dados do EducaCenso, 2 em cada 10 professores lecionam em mais de uma escola e 36% deles dão aula em mais de um turno. Um em cada dez professores da quinta série possui mais de 10 turmas por semana.
Depois do perfil socioeconômico do aluno a falta de formação os professores seria uma outra problemática apontada pela matéria, pois 17% dos professores do ensino médio e fundamental não possuem formação mínima exigida por lei. Nas escolas privadas cerca de 27% dos professores não possuem ensino superior enquanto no ensino público essa número seria de 30%.
Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelou que o ao termino da quarta série, o aluno brasileiro, é incapaz de dominar as quatro operações básicas da matemática.
No Programa Internacional de Avaliação dos Alunos, dos 57 países avaliados o Brasil ficou em 53 lugar em matemática, 52 em ciências e 48 em leitura.
Outro ponto de destaque é a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, sendo que no Brasil existe apenas 1 cientista para cada grupo de mil pesquisadores. Na China esse número é de dois pesquisadores, já na União Européia seis, nos Estados Unidos 10 e no Japão 12. Essa problemática da falta de investimentos em pesquisa prejudicaria o desenvolvimento interno do pais e também sua capacidade de competição no mercado internacional.
Entre as soluções apontadas pela reportagem estão a boa formação dos professores no ensino superior, citam o exemplo de Cingapura que possui um dos melhores sistemas de ensino do mundo segundo uma empresa de consultoria. Eles selecionam os acadêmicos que estão entre os 30% melhores no ranking das universidade e depois disso fazem testes para testar seus conhecimento e habilidade. Depois disso um em cada seis professores são contratados efetivamente. Outro tópico apontado é a necessidade de manter os professores atualizados. É apontado que muitos profissionais com uma ótima formação acabam desestimulados quando se deparam com os tristes pisos salariais, inclusive do ensino superior. No Estado de Minas Gerais um projeto estudo a avaliação do desempenho dos professores contratados no prazo de dois anos, onde este tem que obter índices superiores a 60% de aprovação, do contrário será exonerado. Mas segundo o sindicato o Estado de Minas não fornece condições adequadas para o cumprimento deste projeto, haja vista a precária condições infra-estruturais apresentadas por muitas escolas o que por sua vez acaba interferindo no rendimento dos professores. Segundo o presidente do sindicato.
A quarta solução segundo a matéria seria cobrar resultados e avaliar desempenho, principalmente dos professores. Uma das medidas citadas vem dos Estados Unidos aprovado em 2002 em um projeto de lei intitulado “No Child left Behind”, que responsabiliza os professores pelo desempenho dos alunos. Um modelo de avaliação é o Sanders utilizado pela Universidade da Carolina do Norte onde os professores que conseguirem superar o padrão de desempenho dos alunos ganham bonificações. Nesta perspectiva é levantada a problemática de autonomia dos professores que são posto muitas vezes de como meros aplicadores de conteúdos prontos.

Desejo ----- Victor Hugo

Desejo primeiro, que você ame,
e que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer
e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo pois, que não seja assim,
mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
que mesmo maus e inconseqüentes,
sejam corajosos e fiéis,
e que em pelo menos num deles
você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
desejo ainda que você tenha inimigos;
Nem muitos, nem poucos,
mas na medida exata para que, algumas vezes,
você se interpele a respeito
de suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
para que você não se sinta demasiado seguro.-
Desejo depois que você seja útil,
mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
quando não restar mais nada,
essa utilidade seja suficiente
para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante;
não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que  erram muito e irremediavelmente,
e que fazendo bom uso dessa tolerância,
você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você sendo jovem
não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
e que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste;
não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
que o riso diário é bom;
o riso habitual é insosso
e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
com o máximo de urgência,
acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos,
injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
alimente um cuco e ouça o João-de-barro
erguer triunfante o seu canto matinal;
porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
por mais minúscula que seja,
e acompanhe o seu crescimento,
para que você saiba de quantas
muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo outrossim, que você tenha dinheiro,
porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por  ano
coloque um pouco dele
na sua frente e diga "Isso é meu",
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra,
por ele e por você,
mas que se morrer, você possa chorar
sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo um homem,
tenha uma boa mulher,
e que sendo uma mulher,
tenha um bom homem
e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte,
e quando estiverem exaustos e sorridentes,
ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
não tenho nada mais a te desejar.